Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Profissional Moderno

Profissional Moderno

16
Abr21

Longas horas de trabalho compensam?

Luís Rito

Recentemente surgiu uma notícia sobre os longos horários de trabalho de colaboradores do Goldman Sachs. Alguns analistas afirmam ter semanas de trabalho de 100h, sem qualquer dia de folga. As horas para dormir também não são muitas, andam a rondar as 4h/5h. Assumindo que as horas de trabalho são distribuídas de igual forma por todos os dias da semana, 100h semanais são mais de 14h/dia. Se assumirmos que não se trabalha ao Sábado, os analistas passam mais de 16h/dia no escritório. Tendo em conta que necessitam de se deslocar para casa, alimentar-se, dormir e todas as atividades normais que um ser humano precisa, rapidamente se percebe que a atividade mais sacrificada é mesmo o sono. Muitos deles entendem que é o preço a pagar para fazer parte de um banco de investimento de prestígio, como é o caso do Goldman Sachs, mas pessoalmente, considero que este tipo de horários de trabalho é muito pouco sustentável. O ser humano não é uma máquina, não evoluímos de forma a poder trabalhar mais, muito pelo contrário. Sou uma das pessoas que acredita que mais horas de trabalho não significa mais produtividade. O cérebro não consegue manter o foco durante tantas horas, ainda por cima sem descanso adequado. Muitos profissionais enganam o cérebro tomando todo o tipo de drogas que lhes permite estarem mais focados e mais despertos. É um pouco como o uso de drogas no ciclismo. Quando se fala em resistência sobre-humana, existe sempre o factor "ajuda externa"!

 

Onde quero chegar com todo este discurso? Bom, eu sou um apoiante de ritmos de trabalho sustentados. Sou o primeiro a dizer que se for necessário fazer um esforço durante um período de tempo, estou totalmente disponível. O problema é quando o esforço se prolonga durante todo o ano, seja por excesso de trabalho atribuído às pessoas, seja por problemas no planeamento. As novas gerações de profissionais procuram muito mais equilíbrio e flexibilidade. Não querem estar fechados num escritório 16h/dia durante meses ou anos, simplesmente preferem desistir e seguir em frente. Um profissional está no seu melhor se tiver descanso adequado. Veja-se o caso do Horta Osório quando foi nomeado CEO do Lloyds Bank. Após alguns meses sucumbiu a um burnout por excesso de trabalho. Desde aí é um grande defensor de um equilíbrio entre trabalho e descanso. Estes temas não são brincadeira, e devem ser encarados muito a sério. Em alguns países já é mal visto ficar a trabalhar até mais tarde, que é exatamente o contrário do que acontece em Portugal. Normalmente, por terras Lusas, quem fica até mais tarde é que é o esforçado, mesmo que produza metade daquele que entra 30m mais cedo, termina todas as suas tarefas e sai na hora estabelecida em contrato.

 

Stress @Work

Photo by JESHOOTS.COM on Unsplash

 

Urge as empresas começarem a pensar em tarefas e não em tempo. Isto ainda é mais válido num contexto de pandemia em que milhares de pessoas trabalham a partir de casa. Não se deve monitorizar o tempo que o colaborador se encontra na empresa, mas sim a quantidade de trabalho que consegue produzir. Claro que nem sempre é fácil, tornando-se muito mais simples controlar o tempo. É por isso que surgem cada vez mais metodologias ágeis, onde o trabalho diário/semanal de cada colaborador é alinhado e definido (e normalmente colocado em Kanban´s). Através desses planos semanais e diários, é possível ter uma ideia muito clara de quais as tarefas de cada pessoa, e consequentemente prestar menos atenção ao fator tempo e mais atenção ao fator objetivos. Se um colaborador termina mais cedo todas as suas tarefas da semana, porque não pode sair por exemplo 2h mais cedo? Nos dias de hoje, as pessoas dão muito valor à flexibilidade, a forma como uma empresa lida com isto passou a ser tão importante para reter um colaborador como o fator salário. Pessoas com horários flexíveis vão estar menos disponíveis para mudar de emprego. Existe ainda o reverso da medalha, que é a empresa aproveitar essa definição semanal/diária de objetivos para dar tarefas impossíveis de realizar em 8h/dia. Ninguém ganha com isso, pode parecer que a empresa ganha no curto prazo, mas no médio e longo vai acabar por ter pessoas cansadas e a abandonar as suas funções. Nunca se deve hipotecar o médio/longo prazo por ganhos no curto prazo. Uma empresa existe para se manter "no jogo" o máximo tempo possível, logo os seus maiores objetivos e ações deveriam estar no médio e longo prazo.

 

Voltando ao caso Goldman Sachs, este banco pode dar-se ao luxo de continuar a abusar das pessoas, pois vão sempre existir profissionais mais novos e mais motivados a sair das faculdades, com vontade de trabalhar 100 ou mais horas. Depende da empresa, querer ou não tomar a decisão de dar aos seus colaboradores condições de trabalho decentes e impor limites. Bem sei que os salários nesse tipo de bancos são muito elevados, mas existe um limite para o que uma pessoa aguenta, e é seguro que semanas de trabalho de 100 ou mais horas não são de todo saudáveis.

 

Cabe a cada empresa tomar a atitude ética de definir regras que protejam os seus colaboradores, criando assim uma relação win-win, onde todos podem beneficiar.

13
Abr21

O poder dos hábitos - Desafio 100 flexões por dia

Luís Rito

Olá! Quem acompanha os meus posts de forma regular, sabe que sou um grande adepto da incorporação de hábitos no dia-a-dia. Ora, é exatamente sobre isso que te falo hoje. Trago-te um exemplo de um hábito que sigo quase há um ano, fazer 100 flexões diariamente. Porque decidi iniciar algo deste género? Bom, acima de tudo queria mais uma vez provar a força que tem um hábito positivo nas nossas vidas.

Este hábito, como qualquer outro, necessita que exista um compromisso da nossa parte. Existem dias em que simplesmente não apetece, seja porque tiveste um dia difícil, seja porque está a chover, seja porque discutiste com alguém. Contudo, é nesses dias que é mais importante mantê-lo. É necessário "aparecer" todos os dias, sem exceções, só dessa forma se pode colher os benefícios. 

 

Depois desta pequena introdução, passamos aos factos. Depois de meter na cabeça que iria conseguir fazer 100 flexões seguidas, percebi que sempre fui um tipo desportista, mas que nunca havia conseguido chegar a um número tão grande de flexões. Quando comecei, fazia cerca de 50, e rapidamente entendi que até chegar ao meu objetivo não ia ser uma questão de semanas mas sim de meses. Como qualquer hábito positivo, é normalmente difícil ver o benefício nos primeiros dias. A recompensa aparece algum tempo depois. Já os hábitos negativos, tens a recompensa de forma instantânea, mas não te trazem qualquer tipo de benefícios no médio/longo prazo. Exemplos, fumar, má alimentação, sucumbir à preguiça, etc.

Dia 1 da minha jornada, forcei-me a fazer o máximo que conseguia, parando para descansar, e tornando a fazer mais flexões, até chegar ao número mágico de 100. Não tenho muito claro o número inicial que consegui, mas sei que foram cerca de 50, depois 25 e terminei com outras 25. O desafio diário era sempre o mesmo, tentar aumentar o primeiro número, de 50 para 51, depois 52, e por aí em diante. Independentemente do número de flexões da primeria série, forçava-me sempre a fazer 100 por dia. Aos poucos e poucos, cheguei a 60, depois 70, depois 80, e agora, após vários meses, consegui atingir o meu objetivo de fazer 100! Aliás, já bati esse recorde e vou em 110 (dá uma vista de olhos no vídeo). Nas primeiras semanas o progresso foi muito lento, diria mesmo inexistente. É neste período que se torna fácil desistir. A grande lição que este pequeno hábito nos ensina é que são nesses momentos que temos que continuar, dia após dia, todos os dias. De um momento para o outro o número começou a subir, e agora é-me muito fácil fazer 100 flexões seguidas. Tudo com um simples hábito, em que o único custo que teve para mim foram 2m a 3m diários. Algo que verifiquei que ajuda muito é fazer o hábito numa hora específica, ou após alguma ação. Desta forma não te esqueces de o realizar. Por exemplo, após acordar realizar o hábito, ou então antes de almoçar. São exemplos para o teu cérebro entender que falta fazer algo.

 

 

Qual a moral desta história? Muitas vezes tendemos a impor restrições a nós próprios. Seria muito mais fácil dizer: "nunca vou conseguir fazer 100 flexões, é impossível", que dizer: "vou-me esforçar todos os dias para chegar ao meu objetivo". Acredito que o ser humano tem uma capacidade espetacular de evoluir, de mudar, de perseguir um objetivo e atingi-lo, seja ele qual for. Os hábitos são uma excelente forma de lá chegar. Queres ser melhor a tocar um instrumento musical? Inicia um hábito de praticar 30m por dia. Queres iniciar um negócio? Investe todos os dias 50m ou 1h na perseguição desse sonho. Queres correr a maratona? Treina corrida todos os dias, e participa na mini e meia-maratona antes de passares para a maratona. É tudo uma questão de investir esforço diário na perseguição de algo, e não falhar nunca, mesmo naqueles dias em que não apetece. Na minha opinião é esse o grande segredo das pessoas de elevado sucesso. Normalmente têm um objetivo muito bem definido, e todos os dias vão atrás dele.

 

Não facilites, vai atrás do que queres, é possível :)!

 

12
Abr21

Quais os hábitos de pessoas de alto rendimento?

Luís Rito

Porque será que algumas pessoas atraem tanto o sucesso? Será que têm alguma aura especial, ou será algo com que nascem, e portanto inato? Sendo eu uma pessoa que acredita fielmente que todos nós podemos melhorar continuamente, a minha convicção é que o talento é útil até certo ponto. Na minha opinião, uma pessoa que de uma forma inata tem talento, mas que não o trabalha, não é superior a uma pessoa que pratica todos os dias para se tornar melhor. No longo prazo, a pessoa que dia após dia coloca esforço na procura da perfeição, ganhará a quem tem talento mas não o pratica de forma tão regular. Durante vários anos tentei perceber que características alguém com talento apresenta, e o que os faz ser tão especiais. Quem já me conhece, sabe que acredito no poder dos hábitos, e tudo o que sugiro abaixo está muito apoiado em hábitos diários. Sem mais demoras, as características que considero fundamentais são:

 

1. Ter confiança nas suas capacidades & correr riscos

 

A primeira característica é talvez uma das mais importantes. Se não temos confiança nas nossas capacidades, dificilmente conseguiremos ser profissionais de alto rendimento. Em primeiro lugar, a mente tem que acreditar. Se a mente não acreditar, nunca assumiremos riscos maiores, e não assumindo riscos maiores, a possibilidade de crescimento fica seriamente limitada. Um profissional evolui sempre que se coloca numa situação de desconforto. O desconforto contudo é temporário, e rapidamente nos habituamos a ele, o que nos torna mais fortes. É exatamente isso que acontece quando vamos ao ginásio, temos que colocar os músculos numa situação de desconforto, para que as suas fibras sejam destruídas, já que depois vão crescer mais fortes. O ser humano é todo ele equipado para evoluir e adaptar-se. Se passarmos uma lixa numa das nossas mãos até esta ficar em sangue, e a deixarmos regenerar, a pele vai crescer mais forte nessa zona. O mesmo acontece com o nosso cérebro, temos de nos colocar em situações mais difíceis e desafiantes para crescermos e evoluirmos enquanto profissionais. E isso só pode acontecer se acreditarmos nas nossas capacidades.

 

2. Praticar, praticar e praticar

 

A teoria não é nada sem a prática. É por isso que as formações que hoje em dia se dão a milhares de pessoas são pouco eficazes. Uma formação tem um prazo de validade muito curto. Isto significa que após uma formação, os seus conteúdos devem ser colocados em prática o mais rapidamente possível, caso contrário o nosso cérebro vai esquecê-los rapidamente. O caminho entre a teoria e a prática deve ser encurtado ao máximo. Tudo isto significa que necessitas de praticar muito se queres ser um profissional de alto rendimento. Não basta ler muitos livros ou ter muitas formações, tens que aplicar o que aprendeste no dia-a-dia, é a única forma da informação ficar gravada na tua cabeça. Por exemplo, se tiraste um curso avançado de excel, utiliza-o de imediato, seja em tarefas novas, seja para melhorar trabalho que já tenhas, mas que continuas a utilizar. Se tiras um curso de liderança, aplica deste o primeiro dia com a tua equipa. Se aprendeste a cozinhar, faz o almoço ou jantar no dia seguinte. É normal que as coisas não corram logo bem da primeira vez, mas um excelente profissional é aquele que aprende com os erros e melhora continuamente.

 

High performance professional

Photo by Nguyen Dang Hoang Nhu on Unsplash

 

3. Fazer exercício físico

 

Mente sã em corpo são. Não me canso de apregoar os benefícios do exercício físico nas nossas vidas. É super importante o nosso corpo estar bem para que possamos dar o nosso máximo a nível profissional. A par com o exercício físico, posso também juntar a importância de dormir bem e alimentar-se bem. Todos estes 3 hábitos (comer bem, dormir bem e fazer exercício) vão tornar-te mais confiante, mais focado e mais feliz. Algo que me acontece com regularidade é encontrar soluções para problemas enquanto estou a fazer exercício, por exemplo a caminhar. Isto acontece devido ao aumento de circulação sanguínea no cérebro. O exercício é ainda muito potente na redução do stress, já que existe libertação de endorfinas durante a sua realização. Isso produz uma sensação de calma, relaxamento, auto-confiança, bom humor, etc, etc :). Para ajudar, o exercício ainda te ajuda muito na tua saúde, portante, não facilites neste ponto.

 

4. Ter a capacidade de se auto-motivar

 

Um profissional de alto rendimento tem que acima de tudo ter a capacidade de se manter motivado. Não pode depender de terceiros. É por isso que é tão importante ter a capacidade de estar no seu melhor todos os dias. Claro que será impossível estarmos no nosso melhor sempre, mas o grande objetivo é maximizar esses dias. É fácil sermos muito produtivos quando estamos motivados, mas é quando não estamos que está o segredo. Mesmo quando não te apetece, a capacidade de persistir e de fazer algo é o que distingue quem são as pessoas de alto rendimento. Para que isso aconteça, deves focar-te nas pequenas vitórias e obter motivação daí. Por exemplo, devemos celebrar cada dia como um dia em que estamos mais próximos daquele grande objetivo que temos. Se for possível estabelecer pequenos milestones, melhor! Se por exemplo estás a escrever um livro, cada capítulo pode ser um milestone, e cada dia deves olhar para o que realizaste e perceber que estás mais perto do próximo milestone, e consequentemente do objetivo final. Dessa forma vais ganhar motivação e vais conseguir animar-te a ti próprio(a).

 

5. Ser excelente a planear

 

Um profissional de alto rendimento deve saber planear muito bem. Estabelecer objetivos de longo, médio e curto prazo vai ajudar-te a manter o rumo correto. De nada adianta trabalhar muito se depois não te estás a dirigir na direção correta. Deves saber bem quais os teus objetivos, e como planeias lá chegar. Claro está que este passo te vai ajudar a ganhar também motivação (ponto 4 acima), pois vais seguir um plano traçado por ti. Por cada etapa que avanças vais sentir-te muito bem e mais próximo do objetivo final. Um bom plano também te ajuda a não procrastinar, pois tens datas objetivo para cumprir impostas pela pessoa mais importante, tu! Não descures a importância de um bom planeamento.

 

6. Ajudar os outros

 

Este último ponto é muitas vezes descurado, mas considero fundamental. O conhecimento deve ser partilhado com quem demonstre vontade de o receber. Ajudar os outros é trabalhar para o win-win, ganha a pessoa que recebe o conhecimento, e ganhas tu na satisfação que vais ter em ajudar alguém. Outra grande vantagem é que o conhecimento fica muito mais consolidado na tua cabeça, dar formação a alguém faz com que te tornes um especialista no tema que ensinas. Por outro lado, as pessoas também te vão ficar agradecidas e devido ao princípio da reciprocidade (responder a uma ação positiva com outra ação positiva) vão ajudar-te sempre que possam. Não guardes a informação apenas para ti, opta por partilhar. Uma vela não perde nada em acender outra vela.

 

Falámos de 6 hábitos do profissional de alto rendimento. É possível que alguns deles já os faças de forma regular, e se assim o é, parabéns estás no bom caminho. Caso não os faças, opta por ir cultivando estes hábitos, um a um, até que se tornem automáticos para ti. A prática leva à perfeição. Vamos começar?

 

 

10
Abr21

Como ser mais produtivo com o pomodoro?

Luís Rito

Quem não gostaria de ser mais produtivo? Ao longo da minha carreira, fui falando com inúmeros profissionais, cada um(a) especial à sua maneira. Uma característica que a grande maioria destes profissionais ambicionava era ser mais produtivo. Parece que grande parte de nós quer fazer mais e extrair o máximo possível das 24h que o dia contém. Existem algumas pessoas (poucas), que têm uma capacidade de se manterem concentradas durante longos períodos de tempo. É comum este tipo de pessoas conseguirem manter o foco durante horas a fio, com pouco desvio de atenção. Esse tipo de pessoas é extremamente raro, já que a grande maioria de nós, recai em dois cenários. Primeiro cenário, os nossos níveis de foco e atenção vão decrescendo ao longo do dia. Começam altos e vão baixando, como se de uma bateria de telemóvel se tratasse. Segundo cenário, existem oscilações muito grandes entre um estado de foco e estado de descanso. Alguém que está neste estágio, pode por exemplo trabalhar durante 10 minutos mas depois fazer uma pausa de 20 minutos. Estes são perfis mais inconstantes.

Pessoalmente, tenho dias em que sou bastante constante. Se estiver a fazer uma tarefa que me atraia consigo estar largas horas concentrado, mas normalmente, enquadro-me mais no primeiro cenário, ou seja, de manhã tenho sempre muita energia, e ao longo do dia esta vai decrescendo aos poucos e poucos. É comum deixar tudo o que são tarefas difíceis ou decisões complicadas para o período da manhã. De tarde prefiro outro tipo de tarefas, menos pesadas a nível intelectual.

Se somos tão inconstantes, então como tentar manter o foco durante o maior número de horas possível? Hoje quero falar-vos de uma técnica que utilizo inúmeras vezes, sempre que quero aumentar a minha produtividade, a técnica Pomodoro.

 

Pomodoro

Photo by Andrea Riezzo on Unsplash

 

Se fizeres uma pesquisa por pomodoro, vais encontrar muitas imagens de um tomate, e isso tem uma explicação. O grande significado do tomate, deve-se ao facto de a pessoa que criou esta técnica se ter inspirado num relógio de cozinha (daqueles que permitem cronometrar o tempo de cozedura e afins). Como funciona então tudo isto?

 

1. Ajustar um cronómetro para 25m;

2. Iniciar uma tarefa durante esses 25m. Caso surja alguma interrupção, tomar nota e continuar com a tarefa escolhida;

3. Após terminar o ponto 2, tomar nota do número de blocos de 25m já consumidos. Caso seja inferior a 4, fazer uma pausa de 5m (também cronometrada) e voltar ao ponto 1. Caso o número de blocos seja igual a 4, fazer um intervalo maior, por exemplo 15m, e reiniciar número de blocos para 0. Na prática, a cada 2h, deves fazer um intervalo maior.

 

Qual é então o grande objetivo de trabalhar desta forma? Em primeiro lugar, permite manter o foco em apenas uma tarefa. Os seres humanos são péssimos no multitasking, portanto tenta evitá-lo ao máximo, foca-te numa tarefa de cada vez. Caso sejas interrompido(a) durante os 25m, pede desculpa, diz que estás ocupado(a), toma nota para que possas voltar a falar com essa pessoa mais tarde, e continua a tarefa que tens em mãos. Podes depois aproveitar um ciclo de trabalho de 25m para dar seguimento a todos os pontos que foste apontando nas notas.

Outra grande vantagem do pomodoro, é que acabamos sempre por ver um intervalo à espreita, ou seja, só temos que nos focar 25m para depois ter uma pequena pausa (recompensa). Comigo funciona muito bem, sei que tenho que me concentrar e evito ao máximo as distrações, porque sei que após os 25m posso descansar um pouco. Existem muitas pessoas que não se dão bem com o intervalo de 25m, e adaptam-no consoante as suas necessidades. Muitos profissionais optam por exemplo por 50m de trabalho e 10m de descanso. Outros preferem trabalhar de forma ininterrupta durante 2h e descansar 15m ou 30m. Não existe uma fórmula mágica, cada um pode utilizar o intervalo de tempo que mais lhe compense. Por vezes os 25m podem parecer muito pouco tempo, e acabarem por passar a correr, mas, em outros dias, podem parecer uma eternidade. Diria que se estás num dia difícil, daqueles em que só te apetece procrastinar, opta por intervalos mais pequenos para ganhares tração. Se por outro lado, estás num dia em que a tua energia está em níveis altos, então aumenta o intervalo de trabalho para 50m por exemplo.

Por experiência própria, digo que os intervalos de tempo podem variar de dia para dia, mas continuo a ser fã do intervalo tradicional de 25m de trabalho e 5m de descanso, nem que seja para me obrigar a levantar da cadeira e caminhar. No geral sou fã desta forma de trabalhar, e posso dizer com toda a certeza que aumentou em muito a minha produtividade.

 

E tu, já conhecias esta técnica, e se sim, utilizas no teu dia-a-dia? Qual o intervalo de tempo que utilizas?

 

13
Fev21

Rotina diária de um madrugador

Luís Rito

Hoje trago-vos um post um pouco diferente. Quem acompanha este blog com alguma regularidade, sabe que sou um grande adepto de retirar o máximo das manhãs, para mim é a melhor altura do dia (e a mais produtiva). Não quero que pensem que sou só mais um que vos diz: "façam o que eu digo, não façam o que eu faço". Se recomendo que aproveitem as manhãs, é porque eu próprio aplico isso na minha rotina do dia-a-dia. Como tal, nada melhor que dedicar um post a mostrar-vos como são as minhas manhãs. Acredito que bons hábitos repetidos todos os dias nos permitem chegar mais longe e atingir um nível superior enquanto pessoas. É por isso que, o que te mostro, aplica-se a todos os dias da minha semana, de segunda-feira a sexta-feira. Ao fim-de-semana altero um pouco a rotina, mas lá chegaremos. Ah, e mais um ponto, esta rotina apenas é possível porque estou em teletrabalho, quando necessitava de me deslocar para o local de trabalho as coisas eram um pouco distintas, afinal, temos de ter a capacidade de nos adaptarmos.

 

22h30

Pois é, uma boa rotina matinal começa sempre na noite anterior. No meu caso, necessito de umas sólidas 7h de sono, e é por isso que por volta das 22h30 começo o meu ritual antes de ir dormir. Para mim, ler um bom livro é uma excelente forma de relaxar e preparar-me para dormir. Um ambiente silencioso e escuro ajuda o meu corpo a entrar em modo "sonolento". Normalmente utilizo o meu iPad para ler, seja um livro comum seja um resumo (adoro a aplicação de resumos blinkist). Muito importante, utilizo sempre o modo escuro no iPad, muita luz faz-me ficar desperto, que é exatamente o que não pretendo. Por volta das 23h, desligo e normalmente adormeço quase instantaneamente :).

 

iPad.jpg

 

6h00

Pelas 6h, o meu despertador toca (embora na maioria das vezes já esteja acordado). Quando mantemos uma rotina de sono regular, o nosso organismo habitua-se, e para a grande maioria de nós, o despertador passa a ser algo quase dispensável. Digo quase, porque temos sempre aqueles dias em que o nosso corpo teima em dormir mais e não acordamos de forma natural. No despertador, nada de botão snooze, aliás, nem tenho essa funcionalidade ativa. É nesta fase que é preciso combater aquela vontade que por vezes temos de ficar mais 5m na cama e levantar-mo-nos de imediato. Garanto que custa menos. Do que adianta ficar mais 5m? Isso não te vai ajudar a descansar mais, portanto, nada de fazer ronha.

Depois de lavar a cara, avanço para o meu pequeno-almoço express. Encho um copo com água para compensar a desidratação que sofro enquanto durmo, e como a minha aveia com proteína. Isto dá-me energia para o que sei que vem a seguir, o meu treino diário. Enquanto tomo o pequeno-almoço aproveito para acordar o meu corpo, portanto levo o meu tempo. Gosto também de dar uma olhadela nas notícias.

 

6h30

Por volta das 6h30 começo o meu treino de musculação. Desde há vários anos que o faço em casa, fui comprando algum material, e agora consigo fazer treinos 100% eficazes no conforto do lar. Confesso que esta parte continua a ser das mais difíceis. Esqueçam aquela história que fica mais fácil com o tempo. Todos os dias são um desafio, e todos os dias temos que vencer a vontade de não fazermos nada. Como ajuda, penso sempre no que me acontece depois de treinar (sentir-me muito bem!), apesar de o início ser sempre penoso, principalmente naqueles dias frios de inverno. Acho que o segredo passa por construir o hábito, desta forma acabamos por fazer aquilo que sabemos que temos que fazer, ainda que não tenhamos motivação para o fazer. Consistência é sempre superior a motivação!

 

7h10

Depois do treino gosto de fazer uma chávena de chá verde enquanto me preparo para trabalhar. Enquanto a água aquece, inicio a minha tarefa diária de dedicar 30m do meu dia a ler (que depois completo de noite). É também nesta altura que preparo o meu snack da manhã (frutos secos e uma barra de proteína). Normalmente faço tudo isto até o relógio dar as 7h30, altura em que começo a trabalhar.

 

7h30

A partir desta hora, pode acontecer uma de duas coisas. Caso esteja a passar por uma altura dura no meu trabalho, começo de imediato a realizar tarefas que me ajudem a recuperar. Os dias são sempre cheios de reuniões, portanto esta altura mais calma é ótima para realizar trabalho onde preciso de concentração. Se por outro lado, as coisas andam tranquilas no emprego, dedico uma hora ao meu blog, nomeadamente a escrever ou a pensar em novos tópicos. Sei que para mim as primeiras horas da manhã são preciosas, e é por isso que tento aproveitá-las ao máximo. Existem outras pessoas que funcionam de forma diferente, e é de noite que são ultra-produtivas, quando todos estão a dormir.

 

8h30

Normalmente é por volta desta hora que começo a trabalhar em atividades relacionadas com o meu emprego (a menos que as coisas estejam duras, e nesse caso já comecei pelas 7h30). Gosto de organizar o meu dia antes das 9h, o que faz com que a partir dessa hora consiga começar a trabalhar a 100%.

 

Mas e se não estiver em teletrabalho?

 

Agora é aquela altura em que me dizem, ah e tal, boa rotina matinal, mas eu não tenho a sorte de estar em teletrabalho. Nesse caso, o truque passa por adaptar a rotina. Desde que trabalho tenho conseguido de uma forma ou de outra manter as minhas rotinas de treino. Já fiz várias alterações pelo caminho. Treinos de manhã, treinos de tarde e treinos durante a hora de almoço. O que posso afirmar a 100% é que se é algo que queres fazer, vais arranjar forma de o fazer, de uma forma ou de outra. Uma semana tem 168h, é muito tempo. Estaremos assim tão ocupados que não arranjamos 5h dessas 168h para por exemplo fazer algo que nos atrai? É 3% do tempo! Como sou uma pessoa da manhã, o meu segredo tem sido fazer essas atividades nesse período, porque dependem inteiramente de mim e não de fatores externos. Ao final do dia podemos estar cansados, sem energia, podemos ter um dia em que precisamos de ficar até mais tarde no escritório, etc. Portanto para mim tudo se resume a acordar cedo. Algo que estou a ponderar, é aumentar a fasquia e passar a acordar pelas 5h, já que me deixa mais tempo para tudo o que quero fazer.

Outra ideia, se a ida e volta para o teu emprego te consome muito tempo, aproveita para ler ou ouvir audiobooks. É uma excelente forma de te manteres atualizado.

 

E ao fim-de-semana?

 

Os fins-de-semana são um pouco diferentes. O facto de acordar todos os dias muito cedo faz com que ao fim-de-semana também acorde cedo. A grande diferença é que faço tudo de uma forma mais relaxada. O pequeno-almoço é mais demorado e o treino também. Depois disso, tanto posso ir trabalhar em algum projeto pessoal como fazer outra das 1000 coisas que todos fazemos ao fim-de-semana :). Estes dias devem servir para descansar, para pensar/pôr as ideias em ordem e passar tempo de qualidade com a família. Aproveita-os!

 

E tu? Qual a tua rotina? És um galo da manhã ou um mocho?

31
Jan21

Estou sem emprego, e agora?

Luís Rito

Muitas pessoas já passaram pela angústia de precisar de um emprego e não ter. Ficar desempregado pode acontecer por múltiplas razões, e não apenas por mau desempenho. Motivos como um mau ciclo económico, uma empresa com uma situação financeira débil, uma pandemia, ou simplesmente a extinção de um posto de trabalho, podem transformar a vida de uma pessoa de um dia para o outro. Sejamos realistas, a grande maioria de nós precisa de trabalhar para sustentar o estilo de vida que leva, e ficar sem rendimentos é um murro no estômago para qualquer um. A somar a tudo isto, a sensação de rejeição e o número de horas que de repente passas a ter disponível (muito tempo livre para pensar no que não se deve) pode vir a agravar o problema. De facto, dispor de muito tempo pode originar uma de duas coisas, ou entramos em modo preguiça ou entramos em modo produtivo. No modo preguiça, assume-se uma atitude mais passiva, e fica-se à espera que um emprego nos caia do céu, pouco mais se faz que enviar alguns currículos e culpar o mundo pela nossa falta de sorte. No modo produtivo, assume-se uma atitude ativa, assume-se a procura de emprego como a nossa atividade a full-time. Se com uma atitude passiva os resultados são medíocres, com uma atitude ativa aumenta-se drasticamente a possibilidade de ter sucesso. Hoje não vamos falar do modo passivo, afinal somos profissionais modernos, e sabemos que as dificuldades são temporárias. Hoje falamos de como podemos ativamente agir quando nos vemos a braços com uma situação de desemprego.

 

Como está o teu CV?

 

Primeiro passo, tens o teu currículo atualizado? Um currículo é como se fosse uma folha onde te apresentas e onde vendes os teus serviços. Uma empresa pode ter pouco interesse em ler uma longa lista de tecnologias que conheces ou formações que fizeste nos últimos 20 anos. Do meu ponto de vista, uma empresa procura-te porque quer obter resultados, e é bem mais interessante descreveres em que tipo de projetos estiveste envolvido, que responsabilidades tinhas, o que implementaste, como resolveste problemas complicados, se lideraste alguma equipa, etc. Deves colocar-te nos sapatos de um recrutador e pensar se a informação que estás a partilhar é ou não relevante.

Outro ponto muito importante é a dimensão, uma página é ótimo, duas páginas é aceitável, mais que isso esquece. Um recrutador pode receber dezenas de currículos, se o teu é muito longo, provavelmente não se vai dar ao trabalho de o ler. Mantém apenas o essencial. Interessa mesmo o trabalho que tinhas à 25 anos para a vaga ao qual te estás a candidatar? Provavelmente não. Recomendo teres sempre uma versão em Português e outra em Inglês, e não enviares o mesmo currículo para todas as vagas ao qual te candidatas. Provavelmente o melhor será ter algo mais genérico, e dar uns retoques para que o CV se adapte mais ao que é requerido em cada anúncio de emprego. Não facilites, põe esforço nesta atividade, é a primeira impressão que uma empresa tem de ti. Ah...e por favor...nada de erros ortográficos, isso é quase imperdoável :).  

 

Analisar o mercado

 

Quais os teus skills? Qual tua área de atuação? Por exemplo, eu enquanto PMO/Gestor de projetos, posso-me perguntar o que é que o mercado está a pedir para a minha profissão. Será que preciso de aprender mais metodologias ágeis? Este tipo de questões deve ser respondido para que consigas posicionar-te o melhor possível. Hoje em dia é relativamente fácil perceber por onde deves incidir os teus esforços. Basta uma pesquisa diária no LinkedIn ou em sites de emprego, para entender (no meu caso) que o mercado valoriza conhecimentos de metodologias ágeis, valoriza certificações PMP (Project Management Professional) e em 75% dos cargos exigem conhecimentos avançados de Inglês. Supondo que não tenho o PMP e que o Inglês estaria fraco, seria aqui que deveria focar os meus esforços. Estando desempregado tens tempo para o fazer. O ideal seria fazer um plano de curto prazo para a certificação. Que requisitos necessito, que materiais de estudo existem, onde me inscrevo, como vou estudar, em que dia o vou fazer, etc. Quanto ao Inglês, nada melhor que pôr em prática com aplicações que te permitem aprender & praticar. Aqui a consistência é a palavra certa, deves praticar todos os dias. 

Ao analisar o mercado, por muito duro que possa ser, podes chegar à conclusão que a tua profissão tem muito pouca procura. Se precisas mesmo de um emprego, sugiro que tentes criar um plano B, ou seja, escolher algo que gostes e que te apaixona, e começar a adquirir competências nessa área. Enquanto o fazes podes continuar a procurar emprego na tua área principal de atuação, mas caso não o consigas, podes partir para o plano B. Quem sabe, podes vir a perceber que o plano B te dá mais realização pessoal que o plano A.

 

vectorstock_20619222.png

 

Estabelece ligações

 

Utiliza o poder que tem o LinkedIn. Hoje em dia é muito fácil entrar em contacto com pessoas que antes te estavam vedadas. Por exemplo, se sempre sonhaste trabalhar na empresa X, porque não tentar estabelecer ligações com pessoas que trabalham nessa mesma empresa? Por vezes as melhores oportunidades não chegam aos sites de procura de emprego, muito pelo contrário. Construir boas relações pode ajudar-te a obter uma oportunidade que de forma normal não conseguirias. Grande parte de estabelecer relações vem da palavra "partilha". Sim, caso tenhas algum conhecimento técnico sobre algo, partilha com a comunidade, envolve-te em discussões e grupos sobre esse tema, sê uma pessoa reconhecida na tua área de atuação. Porque não criar um blog ou escrever artigos no LinkedIn? Este tipo de ações são úteis, não apenas para quem está temporariamente desempregado, mas para todos os profissionais. A vantagem de alguém que está desempregado é ter tempo para construir uma presença online bem mais forte, pois pode aplicar mais esforço diário que alguém que tenha um emprego full-time. Estabelece pontes, ajuda as pessoas, partilha conhecimento. Uma vela não perde nada ao iluminar outra vela.

 

Investir no principal, em nós próprios

 

Deixo para o fim um dos mais importantes. O melhor investimento que podemos fazer é sempre em nós próprios. Todos os dias devemos procurar ser melhores do que éramos no dia anterior. Deves assumir sempre um growth mindset (mais sobre isso aqui). Utiliza grande parte do tempo que dispões para te melhorar e para "afiar o machado". Tira cursos online, aprende uma nova língua, lê um livro por semana, escreve, aprende a tocar aquele instrumento musical, faz muito desporto, aprende a cozinhar, as possibilidades são infinitas. Rodeia-te de bons hábitos diários e abandona os maus, como não fazer nada o dia todo e vegetar em frente a uma TV, tablet ou smartphone.

 

Ficar desempregado pode acontecer a qualquer pessoa, basta estar no lugar errado à hora errada. Contudo, a forma como encaramos isso é controlada por nós a 100%. A forma como nos levantamos, como olhamos para a frente com olhar determinado e como repetimos baixinho para nós próprios "Ninguém me vai parar", depende somente de nós. Se estás nessa situação não desistas, segue em frente, um passo de cada vez, tenho a certeza que se te melhorares continuamente é uma questão de tempo até conseguires o teu emprego ideal.

 

Até à próxima! 

 

 

24
Jan21

Life & Productivity Hack 20: Porque deves investir em projetos pessoais?

Luís Rito

Olá a todos e a todas, hoje tocamos num tema que sempre me motivou muitíssimo, projetos pessoais. Sou um grande adepto deste tipo de iniciativas, mas antes de explicar o porquê, tenho que definir o que são afinal projetos pessoais. Bom, digamos que se és como a maioria das pessoas, tens um emprego onde passas a maior parte do teu tempo. Os empregos acabam por reclamar uma grande fatia das nossas vidas, diria que se passas 1/3 da tua vida a dormir, outro 1/3 é passado a trabalhar ou em deslocações para que o consigas fazer. Enquanto pessoa que necessita de trabalhar para ganhar dinheiro, existe uma probabilidade alta de não te identificares a 100% com o que fazes. Pessoalmente acho que as pessoas que estão totalmente felizes com o seu emprego são uma minoria. Os projetos pessoais não encaixam neste perfil, já que por norma são algo que nos permite, seja porque motivo for, alcançar algo que desejamos e que pretendemos, e no qual estamos dispostos a trocar o nosso tempo para a sua criação ou realização.

 

Um projeto pessoal pode ser qualquer coisa. Dou-te alguns exemplos completamente opostos, para que vejas a diversidade que um projeto pessoal pode assumir:

 

  • Escrever um livro;
  • Iniciar um canal de YouTube ou um Podcast;
  • Criar um programa de coaching direcionado a um nicho específico;
  • Perder 10kg de peso;
  • Preparar e fazer uma maratona;
  • Tirar uma certificação;
  • Aprender a falar Inglês;
  • Aprender a tocar piano.

 

Como podes ver, a diversidade é infinita, e ainda bem que assim o é! Os projetos pessoais, ajudam-te acima de tudo a melhorar enquanto profissional e enquanto pessoa. É extremamente saudável ter mais interesses para além do nosso trabalho. Eu por exemplo já tive vários projetos ao longo da minha vida. Já criei um site de compra e venda de livros usados, duas apps para o velhinho Windows mobile 10, escrevi um livro sobre finanças pessoais e neste momento tenho este blog que estás a ler. Cada uma dessas experiências me enriqueceu de alguma forma. Tudo depende do teu objetivo final, no meu caso, tentei focar-me em algo que me pudesse de alguma forma trazer rendimento passivo e que ao mesmo tempo me desse prazer realizar. 

 

Do more!

Photo by Carl Heyerdahl on Unsplash

 

Não vou mentir, precisas de ter algum força de vontade para empreender na jornada que é um projeto pessoal. É certamente mais fácil ficar a ver séries na televisão do que trabalhar em algo, principalmente se te encontras no processo de criação. Vai envolver muita pesquisa, muito trabalho criativo e muita consistência. Contudo, a capacidade que vais ganhar em criar algo do zero vai-te dar um gosto enorme e vai trazer-te foco e resiliência que são competências aplicáveis em qualquer emprego. Não te apoies apenas em motivação, deves ter um objetivo e uma visão muito bem definidas para que as consigas perseguir dia sim dia sim, porque a motivação acaba sempre por desaparecer, mas o teu objetivo e a tua visão ficam.

 

Dou-te um exemplo para que interiorizes melhor. O meu grande objetivo pode ser por exemplo, ajudar pessoas a serem mais produtivas e a fazerem uma melhor gestão do seu tempo, ou pode ser, ajudar profissionais com agendas muito ocupadas a estar em forma. Com base nos objetivos traçados, a forma como ajudas e como entregas o teu valor, pode ser através de sessões de coaching 1 para 1, sessões de coaching direcionadas a um grupo, ou através de um canal de YouTube ou Instagram. Escolhida a estratégia, deves definir objetivos mensais, semanais e diários. Dá uma olhadela neste link para obteres mais informação.

Não deixes escapar a oportunidade de perseguir algo que te apaixone. Arrisca, não tens nada a perder (para além das séries que não vais ver :) ).

 

Vê os Life & Productivity Hacks anteriores:

Vê todos os Life & Productivity Hacks de 1 a 10

Life & Productivity Hack 11: Define objetivos mensais, semanais e diários

Life & Productivity Hack 12: Lê

Life & Productivity Hack 13: Quanto sob stress, foca-te apenas na próxima tarefa

Life & Productivity Hack 14: Vive um estilo de vida simples

Life & Productivity Hack 15: Poupa uma boa percentagem do teu ordenado

Life & Productivity Hack 16: Afinal, quando compensa fazer multitasking?

Life & Productivity Hack 17: Uma boa nutrição também ajuda o cérebro

Life & Productivity Hack 18: O foco e a atenção são limitados, aproveita-os

Life & Productivity Hack 19: Como criar um local de trabalho mais produtivo?

23
Jan21

Life & Productivity Hacks 11-20

Luís Rito
17
Jan21

Life & Productivity Hack 19: Como criar um local de trabalho mais produtivo?

Luís Rito

O meio ambiente é muito importante! Acredito que todos nós somos indiretamente influenciados pelo que nos rodeia, um local de trabalho 5 estrelas vai concerteza tornar-te numa pessoa mais motivada e mais produtiva. Mas para não pensares que digo estas coisas da boca para fora sem uma justificação :), dou-te alguns exemplos do porquê desta minha convição. Quem não conhece Silicon Valley? Esta zona na Califórnia, é desde à muito tempo escolhida por grandes empreendedores para se posicionarem em conjunto com outras grandes mentes do mundo da tecnologia. Se todas estas pessoas não achassem que este local tem uma aura especial para quem quer vingar no mundo da tecnologia, jamais se tinham deslocado para lá. O local é importante. Já a Google, gosta que os seus escritórios não sejam monótonos e cinzentos, gosta de cor e de objetos divertidos, porque sabe que estimula a criatividade das suas pessoas e as torna um pouco mais satisfeitas e consequentemente mais produtivas. Outro exemplo do mundo da tecnologia vem da Apple. Eles sabem que a decoração e simplicidade das suas lojas faz os seus clientes sentirem-se num local de luxo, o que os faz associar produtos Apple a algo premium. Indiretamente o meio ambiente dá-nos sensações, ideias e pensamentos.

Numa altura em que grande parte do mundo se encontra confinada e em teletrabalho, é muito importante dedicares especial atenção ao teu espaço e local de trabalho. Se por um lado, na tua empresa consegues atuar até um certo ponto, em casa a liberdade é quase total. Não estando em teletrabalho consegues atuar na tua secretária, ou mesmo na sala onde trabalhas (de forma mais limitada). Em casa, podes ser mais criativo e optar por incorporar objetos que te motivem ou que te deixem mais motivado. Abaixo deixo-te uma lista de ações que podes começar a implementar já hoje!

 

1. Pensa primeiro na tua saúde

Quer queiras quer não, a tua saúde é o mais importante. O teu principal foco deve ser estares confortável, afinal, a grande maioria de nós passa muitas horas sentado em frente a um computador. Temas como a postura, luminosidade ou temperatura não devem ser descurados. É por isso que deves investir numa excelente cadeira e concentrares-te muito na postura. Manter as costas direitas, os pés apoiados no chão ou numa caixa e tentar ao máximo ter o monitor ao nível dos olhos (evitando ter o pescoço curvado) vão fazer muita diferença no longo prazo. Ter um bom rato e teclado com apoios e com o máximo de ergonomia também deve ser um must. Recomendo também se possível que tenhas o máximo de iluminação natural, e quando de noite, que tenhas alguma luz que não te faça ter que esforçar a vista para ver o teclado ou ler algo. Finalmente, pessoalmente gosto de uma temperatura a rondar os 21º, nem muito quente, nem muito fria. Quando com frio, acabamos por nos desconcentrar porque estamos desconfortáveis, e quando com muito calor, tendemos a ficar mais sonolentos. No meio é que está a virtude.

 

Local trabalho

Photo by Tyler Franta on Unsplash

 

2. Abraça o minimalismo

Sou um fã do minimalismo, principalmente no que toca a decoração e ao que escolho colocar na minha secretária de trabalho. Idealmente, opto por colocar o mínimo possível, já que me ajuda a concentrar apenas no que é essencial. Uma secretária limpa e arrumada, onde tenhas tudo o que necessitas à mão é sempre uma mais-valia. Percebo perfeitamente se preferires um local de trabalho mais desarrumado, afinal, muitas pessoas lidam bem com isso. Já presenciei secretárias e locais de trabalho atulhados com coisas, desde chávenas de café já usadas, post-its colados por todo o lado, folhas colocadas de uma forma aparentemente aleatória e as pessoas serem excecionais no seu trabalho. É uma questão de escolha, se fores como eu, tenta manter as coisas limpas, simples e práticas. Acredito também que um espaço arrumado transmite uma imagem de maior profissionalismo (apesar de como referi acima, não querer dizer nada).

 

3. Se possível, separa o ambiente profissional do ambiente familiar

Este ponto é muito importante para quem trabalha a partir de casa. Deves fazer uma separação entre a área de trabalho e a área familiar. Assim, quando entras na tua divisão de trabalho, o teu mindset está programado para ser produtivo e nada mais. Deves tratar essa divisão como se do teu escritório se tratasse, já que para muitas pessoas o trabalhar a partir de casa provoca dificuldades de concentração e de foco. Deves também partilhar com o resto da família que se estás na tua divisão de trabalho, o ideal é não seres incomodado, ajudando a evitar as interrupções que podem existir diariamente, principalmente quando tens crianças em casa. Isto também te permite fazer uma coisa muito importante, desligar. O estares em teletrabalho não significa que tens que estar disponível 24h. Assim que deixes a tua divisão de trabalho, muda o teu mindset para o modo familiar, e não trabalhes em alturas em que estás de fim-de-semana ou de férias. O descanso é muito importante!

 

4. Decora o sítio com algo que te inspire

Apesar de tudo o que já falei atrás acerca do minimalismo, este tópico acaba por ter um âmbito mais inspiracional. Deves rodear-te de coisas que te dêem energia. Para uns pode ser uma folha de papel colada na parede com frases que inspirem, para outros pode ser um objeto que os faça ser mais criativos, enquanto que para outros pode ser uma planta ou uma árvore bonsai. Depende muito de cada pessoa. Eu pessoalmente gosto de dar uma vista de olhos nos meus objetivos, isso faz-me ficar focado e faz-me lembrar todos os dias daquilo que ambiciono para o meu futuro. 

 

5. Cria um ambiente que te agrade

Finalmente, quero falar-te de ambiente. Aqui refiro-me a cheiros e sons. Acho que ninguém gosta de estar fechado num sítio que faz lembrar umas catacumbas ou que tenha um cheiro esquisito. A verdade, é que estando fechado largas horas numa divisão todos os dias, pode fazer com que o ambiente fique um pouco pesado. Quando com boas temperaturas deves tentar arejar a área de trabalho ou recorrer a velas ou incensos. São coisas que transformam de imediato o ambiente. Outro ponto fundamental são os sons. Muitas pessoas não gostam do silêncio, e estando em teletrabalho tendem a sentir-se muito isoladas. Felizmente, hoje em dia podes encontrar de tudo no YouTube, desde ruído ambiente de uma café ou de um restaurante, sons da natureza como chuva, vento, fogo, ou apenas ouvires a tua rádio preferida. A música tem uma influência muito grande na nossa produtividade! Em momentos de maior foco, podes por exemplo optar por música clássica, piano ou sons da natureza, enquanto em momentos onde tens de ser mais ágil e rápido, podes optar por algo mais "mexido". Tudo depende do gosto pessoal de cada um.

 

Espero que estas pequenas dicas te possam ajudar a melhorar um pouco o teu dia-a-dia. Um bom local de trabalho, com coisas que te permitam ser mais produtivo e mais criativo vão com toda a certeza ajudar-te. Experimenta!

 

Vê os Life & Productivity Hacks anteriores:

Vê todos os Life & Productivity Hacks de 1 a 10

Life & Productivity Hack 11: Define objetivos mensais, semanais e diários

Life & Productivity Hack 12: Lê

Life & Productivity Hack 13: Quanto sob stress, foca-te apenas na próxima tarefa

Life & Productivity Hack 14: Vive um estilo de vida simples

Life & Productivity Hack 15: Poupa uma boa percentagem do teu ordenado

Life & Productivity Hack 16: Afinal, quando compensa fazer multitasking?

Life & Productivity Hack 17: Uma boa nutrição também ajuda o cérebro

Life & Productivity Hack 18: O foco e a atenção são limitados, aproveita-os

 

09
Jan21

Life & Productivity Hack 18: O foco e a atenção são limitados, aproveita-os

Luís Rito

Nunca te sentiste esgotado depois de um dia difícil de trabalho? Comigo costuma acontecer-me depois de um dia cheio de reuniões ou depois de um dia em que tenho que tomar muitas decisões. Inicialmente, não percebia bem o porquê, mas conforme me fui conhecendo cada vez melhor, percebi que a atenção e o foco são um recurso muito escasso no nosso dia-a-dia. É típico pensarmos num dia de trabalho em horas, fala-se das 40h semanais ou 8h/dia. Em Portugal é ainda mais normal chamar-se produtivo a alguém que trabalha 10h, 12h ou ainda mais horas diariamente. Não podia estar mais em desacordo com esta forma de pensar. Todos nós acordamos com uma reserva de energia, atenção e foco diárias. Conforme o dia vai avançando, essa reserva vai baixando, seja em reuniões, seja na resolução de problemas, seja na tomada de decisões importantes. É por isso que a grande maioria de nós é ultra-produtiva de manhã, a hora em que supostamente o nosso cérebro está mais "fresco", e ao final do dia a nossa capacidade de fazer bom trabalho cai drasticamente.

 

Existem claro exceções, algumas pessoas trabalham de forma excecional pela noite dentro, mas tudo se resume ao ciclo da própria pessoa. Dito isto, é normal que procuremos em alguns momentos do dia carregar um pouco a nossa bateria, mas concluí que comigo é muito difícil. Acredito que depois de esgotar a energia diária que temos, o melhor é mesmo parar e ir fazer outra coisa qualquer, afinal, não somos máquinas mas sim pessoas. É por isso que acredito que o formato de 8h/dia e 5 dias de trabalho não é o ideal nem está adaptado aos trabalhos mais "cerebrais". Empregos onde impere a criatividade ou a forte tomada de decisão deveriam ser menos intensivos a nível de tempo, já que a possibilidade de vir a fazer um mau trabalho por motivo de cansaço é enorme. Acredito que nunca como na realidade em que vivemos agora tantas pessoas peçam baixa por problemas do foro psicológico. Depressões, ansiedade, stress crónico são só algumas das doenças que nos assolam. Na minha opinião isto não aconteceria com cargas horárias mais leves, e também não aconteceria se as pessoas se compreendessem a elas próprias e conhecessem bem os seus limites.

 

A tua energia diária é limitada, utiliza-a como se de ouro se tratasse. Se sabes que é de manhã que trabalhas melhor e com mais criatividade, e é nessa altura que os problemas parecem todos mais fáceis, então não desperdices essas horas a fazer trabalho fácil ou trabalho de rotina. Deves escolher as tarefas difíceis, aquelas que criam valor e que te permitem atingir os teus objetivos. Só depois deves tratar do resto. É por isso que a definição de prioridades é tão importante, deves saber exatamente onde focar os teus esforços. Quando te sentires com a energia mais em baixo, aproveita para fazer tarefas rotineiras ou mesmo para dar o dia por encerrado. Se já te sentes em baixo, não tentes forçar-te a trabalhar só porque tens muita coisa para fazer. Lembra-te, 80% dos teus resultados estão em 20% das tarefas, é nessas que deves apontar. O dia não precisa de ter 8h, 10h ou 12h todos os dias. Existirão situações em que terás de trabalhar essas horas, mas não faças disso uma rotina. Apenas vais conseguir esgotar-te e produzir trabalho mediano ou mesmo fraco. Aproveita muito bem a tua energia, aprende a conhecer-te melhor e combate as longas horas de trabalho diárias, o descanso é um trunfo, aproveita-o bem.

 

Vê os Life & Productivity Hacks anteriores:

Vê todos os Life & Productivity Hacks de 1 a 10

Life & Productivity Hack 11: Define objetivos mensais, semanais e diários

Life & Productivity Hack 12: Lê

Life & Productivity Hack 13: Quanto sob stress, foca-te apenas na próxima tarefa

Life & Productivity Hack 14: Vive um estilo de vida simples

Life & Productivity Hack 15: Poupa uma boa percentagem do teu ordenado

Life & Productivity Hack 16: Afinal, quando compensa fazer multitasking?

Life & Productivity Hack 17: Uma boa nutrição também ajuda o cérebro