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Profissional Moderno

Profissional Moderno

31
Mai20

Agile Mindset

Luís Rito

Muito se tem falado de Agile nos últimos anos. Equipas e estruturas organizacionais mais tradicionais têm estado sobre fogo, o mundo atual exige uma capacidade de trabalho completamente diferente da que existia no passado. Eu pessoalmente sou um adepto tanto de metodologias ágeis como de metodologias mais tradicionais. Falo desta forma porque independentemente da metodologia que escolhes, o que interessa é que a tua equipa tenha uma mentalidade ágil. Mas afinal, do que se trata isto? Bem, uma mentalidade ágil começa no tão conhecido manifesto ágil. O manifesto ágil foi criado em 2001 por um grupo de pessoas muito ligada ao desenvolvimento de software, daí os seus valores serem muito voltados para essa área. Pessoalmente prefiro o manifesto que foi mais tarde adaptado pela organização "Disciplined Agile".

 

We are uncovering better ways of working (WoW) by doing it and helping others to do it. Through this work we have come to value:

 

  • Individuals and iteractions over processes and tools
  • Consumable solutions over comprehensive documentation
  • Stakeholder collaboration over contract negociation
  • Responding to feedback over following a plan
  • Transparency over false predictability

 

That is, while there is value in the items on the right, disciplined agilists value the items on the left more.

 

O que significam então todos estes valores que te enumero acima? Segui-los vai transformar-te num profissional mais ágil? A resposta é sim, seguindo estes valores vais mudar o teu estilo de trabalhar. Se direcionares as decisões que tens que tomar no teu dia-a-dia de acordo com estes valores, ao longo do tempo vais perceber que coisas que fazias no passado e que tomavas como garantidas são na realidade bastante ineficientes e contraproducentes. Para que possas entender a profundidade que estas simples frases podem ter, explico uma por uma.

 

Individuals and iteractions over processes and tools

 

Os projetos são feitos por pessoas, e não por processos e ferramentas. É sempre uma mais valia interagir com as pessoas, se possível cara a cara ou por videochamada. Essas são as formas mais eficazes de comunicar e de resolver problemas. O email NÃO é uma ferramenta para fazer chat nem para resolver problemas. Para agravar tudo isto, a comunicação escrita é bastante fraca, já que entre duas pessoas não existe uma perceção se a mensagem enviada ou recebida vai ter o mesmo entendimento do lado da outra pessoa. O email tornou-se no que gosto de chamar o jogo da batata quente. Tenho um problema, está-me a queimar as mãos, portanto escrevo um email para outra pessoa e passo a batata quente. Se alguém me perguntar, a responsabilidade já não é minha, afinal já enviei um email para alguém, esse alguém é que não me respondeu, portanto, não é problema meu. Este tipo de pensamento dentro de uma equipa é meio caminho andado para a sua decadência. As pessoas ainda não entenderam que as ameaças não estão dentro da empresa, mas sim fora. Se enquanto equipa, e ultimamente enquanto organização não evoluirmos para modelos mais colaborativos, podemos estar todos condenados a assistir ao declínio da empresa. O mesmo vale para processos altamente burocráticos, cheios de aprovações, validações e possibilidades de andarem para trás e para a frente, incrementando o seu lead time e a frustração de todos os envolvidos. É por isso que para mudares para uma mentalidade mais ágil, te deves focar em interações mais ricas como conversas cara-a-cara. A tecnologia hoje permite-nos fazê-lo de forma bastante fácil através de videochamadas. O que muitos não entendem, é que uma videochamada de 10m pode poupar 1h de escrita de emails e muitas chatices e mal-entendidos. Fico doente quando vejo trocas de emails onde estão 10 pessoas em cópia e apenas 2 estão a "bater bolas" uma com a outra, originando um chorrilho de spam nas caixas de correio de todos os outros. Também não entendo bem os emails com respostas que parecem autênticos livros. Levam imenso tempo a escrever e imenso tempo a ler, é desperdício por todos os lados. É por isso que deves sempre procurar formas de comunicar mais eficazes, só dessa forma podes dar um primeiro passo para uma mentalidade ágil.

 

Consumable solutions over comprehensive documentation

 

Existe uma ideia generalizada que em metodologias ágeis não é necessário produzir documentação. Essa ideia está muito longe da realidade, documentação continua a ser algo muito importante, e este valor que te apresento acima não pretende tirar o protagonismo a atividades de documentação. Contudo, a principal medida de valor são soluções em funcionamento e não documentos. De nada adianta ter documentação perfeita se a equipa tarda em apresentar soluções aos principais stakeholders do projeto. É por isso que a documentação deve ser realizada just in time, ou seja, não adianta estar a detalhar todas as funcionalidades exaustivamente, porque existe uma forte possibilidade de durante a duração do projeto existirem bastantes alterações. Em projetos mais tradicionais, é no início que se executa toda a especificação do trabalho a ser executado, o que resulta na grande maioria dos casos em fases de análise muito extensas e carregadas de validações & aprovações. Esta demora acontece porque as equipas sabem que alterações não são bem-vindas em projetos tradicionais, e tentam ao máximo detalhar todo o trabalho a ser realizado. O ridículo da situação é que estas fases de análise são pesadas e demoradas, sendo que existe uma forte possibilidade de muitas funcionalidades terem de vir a ser alteradas no futuro. Uma abordagem mais prática é planear, especificar e desenvolver just in time, ou seja, detalhar muito bem o trabalho a realizar no curto prazo, e manter um detalhe Qb para o restante, e há medida que se vai avançando no projeto o detalhe vai sendo construído, possibilitando aos stakeholders irem introduzindo alterações se necessário.

 

Alta performance

 

Stakeholder collaboration over contract negociation

 

Em metodologias tradicionais, é comum definir todo o âmbito do projeto no início do projeto. Isto origina a que exista quase uma missão por parte do gestor de projeto em defender com unhas e dentes esse âmbito. O resultado é muita negociação ao longo do projeto e a uma deterioração da relação entre equipa de projeto e cliente. Equipas ágeis gostam de colaboração e gostam de construir em conjunto, mesmo que isso implique não seguir rigorosamente o plano de projeto. É a colaboração entre pessoas que transforma uma equipa mediana numa equipa de alto rendimento, e é uma cultura de partilha que permite a uma organização criar uma verdadeira vantagem competitiva sustentada. 

 

Responding to feedback over following a plan

 

Alterações em metodologias ágeis são bem-vindas. Uma empresa moderna entende que é normal existirem mudanças de rumo, seja porque o mercado assim o exige, seja porque internamente faz mais sentido ir por outro caminho. Entregar um projeto on-time mas que não disponibiliza as funcionalidades que a empresa necessita é um fracasso. Os gestores de projeto devem ter isto em mente, têm que deixar de ser escravos do prazo, do custo e do âmbito e passar a olhar para o que cria efetivamente valor para os stakeholders. É por isso que ser ágil significa ter elasticidade para se adaptar a mudanças durante o curso do projeto. Apesar de seguir um plano ser algo muito importante, o que não deve acontecer é existir inibição por parte do cliente em solicitar alterações que vão trazer mais valor ao output do projeto. Ou seja, seguir o plano de forma meticulosa e inflexível só vai fazer com que exista mais fricção entre as pessoas e fazer com que o projeto entregue não seja exatamente aquilo que o cliente pretende.

 

Transparency over false predictability

 

Muitos projetos pelo mundo fora são autênticas melancias, verdes por fora e vermelhos por dentro. É comum os gestores de projeto esconderem informação do seu cliente final e passar uma imagem que está tudo controlado. O profissional moderno e ágil não deve ter medo de partilhar os obstáculos e deve promover a transparência o máximo possível. Durante muitas vezes vi profissionais apresentarem planos de projeto que nada têm que ver com a realidade, mas que junto dos executivos fazem um verdadeiro brilharete! Do que adianta investir horas num planeamento perfeito, se a realidade muda diariamente? A isto chama-se falsa previsibilidade, já que na realidade se está a passar uma imagem de controlo e planeamento que não corresponde de todo ao que acontece. A transparência é preferível, é sempre melhor levantar os problemas mais cedo do que mais tarde, e contar com a inteligência da nossa equipa para ultrapassar tudo o que aparecer no caminho. Se existe um problema, se vão existir atrasos, deves levantar a bandeira e fornecer cenários para ajudar a tomada de decisão dos decisores. Se necessário, corta âmbito e cinge-te a atividades que acrescentam realmente valor ao cliente final. Segue a regra dos 80-20, 20% das funcionalidades vão fornecer 80% do valor. A equipa deve ser ainda brutalmente transparente, nada de esconder informação, o feedback é algo de extrema importância para uma equipa de alto rendimento.

 

Como podes ver, ser ágil não é apenas utilizar a metodologia X ou Y, não é por fazeres uma versão adaptada de SCRUM que te vai transformar num agilista. Na realidade é um modo de encarar o trabalho e também uma cultura que se pratica todos os dias. Uma equipa que é transparente, que encara todas as oportunidades para se melhorar continuamente e que procura constantemente a excelência é uma equipa ágil. Temos todos de começar a pensar como uma equipa e não como indivíduos donos do nosso pequeno mundo. Só assim poderemos aspirar a ser verdadeiramente ágeis.

 

 

24
Mai20

O poder da rotina

Luís Rito

Rotina, uma das palavras mais temidas por grande parte das pessoas. Normalmente a palavra rotina tem uma conotação muito negativa, e é comum ser associada a alguém com pouca ambição ou alguém aborrecido e pouco espontâneo. Pessoas que gostam de fazer o mesmo todos os dias não podem esperar ser profissionais de excelência certo? Pessoalmente sou daqueles seres esquisitos que acha que a rotina pode ser algo muito benéfico para quem ambiciona ser melhor todos os dias. Ora, considero que a rotina apenas é prejudicial quando as atividades que fazem parte dessa rotina são vazias, ou seja, não te ajudam na perseguição dos teus objetivos. Normalmente, um objetivo grande não é algo que se consiga fazer num dia ou numa semana. Dou-te um exemplo, se sempre sonhaste em ser escritor e escrever o teu próprio livro, não podes esperar fazê-lo de um dia para o outro. Este tipo de objetivos tem que ser partido em pequenos pedaços que consigas ir concluindo, isto claro, sem nunca perder de vista o objetivo principal. Mas então, afinal, o que tem tudo isto a ver com rotina? Muitos argumentarão que apenas precisam de motivação para escrever um livro, mas sempre que alguém me diz isto, a minha primeira reação é avisar que é necessário muito cuidado com a motivação. Apesar de sentirmo-nos capazes de conquistar o mundo quando estamos motivados, existe um revés nesta estratégia, a motivação é sempre temporária. É impossível estar-se motivado dia após dia durante semanas ou meses, é perfeitamente normal a dada altura perdermos a energia e o foco, e é aqui que a maior percentagem das pessoas desiste. Não se pode estar apenas dependente de motivação para perseguir os nossos objetivos. É por isso que rotinas e sistemas são uma aposta muito mais segura.

 

Hábitos 1

 

Voltando ao exemplo de alguém que ambiciona escrever um livro, diria que durante alguns dias a motivação vai direcionar essa pessoa para esse objetivo. É provável que se levante um pouco mais cedo ou se deite um pouco mais tarde todos os dias para assim perseguir esse sonho. É nesta fase que se deve criar o nosso sistema ou a nossa rotina. Explico, muitos estudos afirmam que para termos um sono regular e de qualidade, devemos tentar que a hora de dormir seja sempre a mesma todos os dias, dessa forma o teu corpo já sabe que por volta daquela hora tem que ir descansar. O mesmo acontece com os teus hábitos e com a tua rotina, é muito mais fácil se deixares as atividades difíceis sempre para a mesma hora, para que a dada altura a execução dessas atividades seja algo automático, ou seja, nem vais tentar arranjar desculpas para não o fazer. Dou-te exemplos retirados de alguém que conheço muito bem, eu próprio :). A minha rotina matinal é sempre a mesma, acordo, tomo um pequeno-almoço, leio as notícias do dia no telemóvel, faço cerca de 30m de treino com pesos e mais 20m de bicicleta estática. É sempre igual, tirando 2 dias por semana em que descanso e apenas faço bicicleta estática. Este tipo de rotina faz com que o meu cérebro já nem tente combater o que aí vem. É automático. De igual forma, todos os dias antes de ir dormir leio cerca de 20/30m, ajuda-me a relaxar e a adormecer melhor. Como podem ver, rotinas, desde que úteis para o teu crescimento enquanto pessoa e enquanto profissional são uma grande mais valia. Fazendo contas rápidas, se somarmos 30m de leitura diária, e extrapolarmos para o ano inteiro, temos cerca de 10 950m de leitura anual, que se transforma em cerca de 182h. Se dividirmos estas horas por 8h/dia (como se fosse o teu trabalho), são quase 23 dias, ou seja, corresponderia ao mesmo que utilizares um mês de trabalho para ler sobre temas que te vão tornar continuamente mais sábio. Este é o poder de uma simples rotina aplicada na tua vida.

 

Hábitos 2

 

Podes claro utilizar este tipo de rotinas para tudo o que te interesse perseguir. Queres aprender uma língua nova? Queres aprender a tocar um instrumento musical? Queres manter-te em forma? Queres ser empreendedor e abrir uma empresa? Pratica & Trabalha pelo menos 30m, todos os dias! É esse o segredo, não falhar dias, transformar essas atividades em rotinas. Apenas isto te irá garantir que quando a motivação acabar, vais continuar a executá-las dia após dia. Vais habituar o teu cérebro a fazer tarefas difíceis. Vais passar de uma pessoa que consome (TV, YouTube, Netflix, Redes Sociais) a uma pessoa que constrói. No meu caso, algo que me ajudou muito foram as aplicações mobile onde ia registando as atividades que pretendia executar todos os dias. Aplicações como a Streaks, são excelentes ajudas, já que me ajudam a não esquecer de tudo o que tenho que fazer todos os dias. Não temas a rotina, pode ser algo bom, pode ser algo que te transforme numa pessoa que se melhora continuamente e evolui de forma consistente.

 

E tu? Tens algumas boas rotinas na tua vida?

 

 

17
Mai20

Poderá o futuro passar por equipas cada vez mais remotas?

Luís Rito

O mundo está a mudar. É algo que tem vindo a ser constante ao longo dos anos, mas especialmente desde há uns meses para cá. O estado atual de pandemia tem vindo a acelerar temas que antes se pensavam ser impossíveis ou muito difíceis. Hoje falamos de um em específico, o trabalho remoto. Em muitos países o trabalho remoto é já uma realidade há vários anos. Aqui em Portugal tem vindo a ganhar o seu terreno, mas ainda de uma forma muito tímida. A realidade é que a cultura do nosso país incentiva e premeia os profissionais que dão o "extra mile", ou seja, quem fica a trabalhar até tarde. Este ponto é tanto mais válido quanto as chefias exibam o mesmo comportamento. Com base nisto, será correto pensar que quem prefere realizar trabalho remoto, ainda que a empresa o permita, poderá ter menos possibilidades de obter progressos na sua carreira. Estando longe da visão da sua chefia, a probabilidade é que os que estão mais perto conseguirão construir laços de confiança de uma forma mais célere, e infelizmente na grande maioria das empresas não é o mérito que trará promoções. Em realidades onde a cultura é mais madura, existem muitas vezes objetivos muito claros e KPI´s definidos que representam o trabalho das equipas. Assim, são os colaboradores que obtém os melhores resultados que vão receber mais prémios e consequentemente mais promoções, estando ou não a trabalhar no escritório ou numa esplanada. Contudo, arrisco-me a dizer que a esmagadora maioria das empresas não está neste estágio, tornando até há pouco tempo o trabalho remoto um sonho inalcançável de muitos colaboradores.

 

Tudo isto até aparecer algo chamado Covid19 e virar do avesso a vida das pessoas e das empresas. O que era impossível tornou-se possível em poucos meses. Várias empresas em Portugal e no mundo que não sabiam o que era trabalhar remotamente encontram-se a trabalhar desta forma desde há uns meses. E a parte importante é que o estão a fazer muito bem. Falando por experiência própria, nunca como agora as reuniões começaram de forma tão pontual, tenho assistido a uma adaptação fantástica de todas as pessoas com quem tenho interagido, provando uma vez mais que as empresas são estruturas e sistemas complexos adaptativos. A capacidade de adaptação das empresas depende, claro está, das pessoas que fazem parte desta, e a mudança tem sido na minha opinião muito positiva. Após um período de 2-3 semanas, a produtividade das empresas voltou ao que era (ou diria mesmo que aumentou). Urge, portanto, fazer a questão, não será possível daqui para a frente oferecer aos colaboradores condições de trabalho mais flexíveis? Penso que falo por todos quando digo que o tempo que se demora de casa-trabalho e de trabalho-casa raramente é algo que nos torne felizes. Para certas pessoas é tempo que utilizam por exemplo para pensar, para ler ou para escrever, mas é algo que podem continuar a fazer no conforto do seu lar mesmo que trabalhem remotamente. Logicamente que apenas algumas atividades permitem a execução de trabalho remoto, mas considero que se conseguíssemos que uma grande percentagem de todas as pessoas que têm possibilidade de trabalhar a partir de casa o fizesse, iríamos todos beneficiar. Começando pela entidade empregadora, que não necessita de espaços físicos tão grandes, permitindo-lhe ainda ter poupanças energéticas e também de ajudas de custo com deslocações. Continuando para o colaborador que ganha horas por dia ao não ter que se deslocar para o trabalho, possibilitando passar mais tempo com a família, fazer mais desporto ou ter mais horas para os seus hobbies. Por fim, o principal ganhador será o nosso planeta, todos nós somos responsáveis por reduzir emissões de CO2, portanto imaginem se reduzíssemos drasticamente as deslocações em automóveis e aviões? Talvez o nosso planeta começasse novamente a respirar.

 

Trabalho remoto

 

Não estou a afirmar que devemos avançar a 100% para modelos de trabalho remotos, até porque continua a ser muito importante existir interação entre as pessoas. Tudo se torna mais fácil depois de estarmos presencialmente e comunicarmos cara a cara com alguém. As videochamadas são igualmente boas, mas não é a mesma coisa. É justamente por esse motivo que mesmo em projetos remotos, se recomenda que a equipa esteja presencialmente reunida, pelo menos no seu kick-off. Dessa forma todas as comunicações futuras serão menos difíceis. Podemos então concluir que o melhor de dois mundos seria mantermos uma abordagem híbrida ao teletrabalho, reservando alguns dias do mês para contactos cara a cara (sempre que seja justificável).

E no caso de equipas onde sejam utilizadas metodologias ágeis? Um dos princípios básicos é que a equipa esteja colocada no mesmo espaço físico de forma a aumentar a comunicação osmótica, ou seja, a comunicação que passamos a acompanhar apenas por partilhar o mesmo espaço com os restantes elementos da equipa. O segredo passa por continuar a comunicar numa base regular, com a diferença que ao invés de falar cara a cara, esta comunicação ocorrerá através de videochamada. É correto afirmar que não será o mesmo, por videochamada é muito difícil apercebermo-nos da linguagem não verbal sempre que falamos com outra pessoa, mas continua a ser a melhor alternativa. Por ordem de prioridade, sempre que comunicas de forma remota deverias preferir videochamadas, seguido de telefone e por último o email. Através de email a mensagem pode ser facilmente mal interpretada. O telefone acrescenta outra camada de compreensão, como por exemplo o tom de voz. Finalmente a videochamada já nos permite observar e interpretar expressões. Acima disso, apenas a comunicação presencial nos permite ter uma conversa onde podemos usar todos os nossos sentidos.

 

A existência de inúmeros softwares de acompanhamento de tarefas e de projetos também nos permite de uma forma muito célere entender que tarefas têm os restantes elementos da equipa. A gestão desse tipo de atividades está há vários anos mais simples que nunca. A banalização de cloud based applications permite-nos controlar o nosso fluxo de trabalho onde quer que estejamos, utilizando por exemplo um telemóvel. Nunca como agora foi tão fácil colaborar. Pode-se editar documentos e apresentações em simultâneo enquanto se comunica via videochamada, pode-se falar com pessoas do outro lado do mundo num piscar de olhos e pode-se trabalhar no conforto da nossa casa ou enquanto bebemos um refresco numa esplanada à beira-mar. Como podem constatar, as barreiras que impusemos relativamente ao trabalho remoto nada mais são que barreiras invisíveis que não existem em lado nenhum a não ser nas nossas cabeças. Estará o mundo preparado para mudar e para evoluir? O trabalho a partir de casa será uma nova realidade no nosso futuro ou rapidamente vamos voltar aos velhos hábitos? Não tenho a resposta, só o tempo o dirá, todos temos a ganhar com esta mudança de mentalidade.

 

Aguardaremos pelo que aí vem.

 

10
Mai20

O mundo por um ecrã

Luís Rito

Século XXI, a tecnologia abunda, para qualquer lado que olhemos lá está ela a espreitar. Temos computadores, cada vez mais portáteis e potentes, smartphones que têm um poder de processamento que faria os computadores de há uns anos se esconderem de vergonha, temos a internet cada vez mais presente na vida de todos, temos smartwatches que não deixam uma notificação nos escapar e temos acesso a toda a informação do mundo instantaneamente no ecrã do nosso telemóvel.

 

Toda esta informação nos transforma em pessoas mais informadas, sempre que temos uma dúvida basta-nos procurar pela resposta, está sempre à distância de poucos segundos. Temos acesso a formação que antigamente não teríamos, podemos comunicar e ver pessoas que gostamos e que estão fisicamente longe, podemos fazer compras sem sair de casa, podemos trabalhar, podemos ver filmes e séries e podemos enfrentar a pandemia que atualmente vivemos de uma forma menos monótona. Com tudo o que a tecnologia traz de bom, porque acho que cada vez mais estamos desligados do nosso mundo, o mundo real?

 

O ser humano não está preparado para a quantidade de estímulos a que é sujeito hoje em dia. A dopamina é uma hormona libertada pelo nosso organismo que nos leva a repetir comportamentos que nos dão prazer. É conhecida pela hormona da felicidade, portanto é normal veres os seus níveis aumentar sempre que acabas de fazer exercício físico ou sempre que comes um belo chocolate. A dopamina é o que faz a grande maioria das pessoas escolher comer um chocolate ao invés de brócolos. Se te dessem duas opções, uma barra de chocolate ou um prato cheio de brócolos, imediatamente o teu cérebro associaria o chocolate a prazer, e sempre que o comesses os teus níveis de dopamina iriam aumentar, resultando numa sensação de bem-estar temporária. Provavelmente após uma hora poderias sentir-te culpado por comer chocolate quando estás de dieta, mas no momento da decisão só conseguimos pensar no quanto vamos apreciar o chocolate.

 

Onde quero chegar com tudo isto? Atualmente tens disponível uma fonte infinita de gratificação instantânea! São as notificações do facebook, do instagram, são as notícias que teimam em cair no teu ecrã a cada 5 minutos, são as mensagens de WhatsApp, são os milhentos jogos disponíveis...uff...o potencial de interrupções a que és sujeito todos os dias é interminável. Para muitas pessoas a primeira e última coisa que veem todos os dias é o ecrã do telemóvel. Já presenciei famílias inteiras a jantar, e onde não existe qualquer tipo de comunicação verbal, cada um dos elementos está no seu tablet ou telemóvel. Já vi um neto a almoçar com uma avó, onde durante todo o almoço o neto não descolou os olhos do ecrã do tablet, deixando a sua avó praticamente a comer sozinha. Já observei nos transportes públicos que antes se conversava e agora olha-se para o telemóvel. Já vivi concertos onde centenas de pessoas ao invés de aproveitarem o momento com todos os seus sentidos, estão a filmar, e portanto, a ver o espetáculo através do telemóvel.

 

O Pensador

 

As crianças hoje em dia já não sabem o que significa a palavra aborrecimento. Desde o momento em que acordam até ao momento em que se deitam são bombardeadas com estímulos que fazem os seus níveis de dopamina serem cada vez mais altos. E a dopamina é altamente viciante, quase como uma droga. É por isso que se lhes damos a escolher ler um livro ou jogar no telemóvel a escolha é óbvia. É semelhante ao caso do chocolate e dos brócolos. É por isso que algumas crianças já não sabem pensar pela sua cabeça, sempre que lhes surge um problema pode acontecer uma de duas coisas, ou desistem porque é algo difícil, ou tentam obter a resposta na internet. Existe pouco espaço para utilizar uma coisa fantástica que temos e que se chama cérebro. Até nós adultos. Antes existia espaço para argumentação sobre determinado tema, as pessoas falavam e explicavam o seu ponto de vista. Agora vamos ao Google, encontramos a resposta e...fim da argumentação. Tudo é instantâneo, estamos habituados a ter resposta para todas as nossas perguntas, um filme de 2m passou a ser uma eternidade, conseguimos estar horas a ver vídeos aleatórios no YouTube, consumimos informação em larga escala.

 

É por isso que apaguei as aplicações do facebook e instagram do meu telemóvel, e é por isso que tento não gastar demasiado tempo agarrado a ele. Acredito que a chave para fazermos coisas difíceis é deixarmos de consumir tanta informação todos os dias e fazer uma limpeza, quase uma desintoxicação de estímulos. Temos que abraçar o mundo real, viver com todos os nossos sentidos bem ativos. Sempre que olhas para uma paisagem, olha realmente, sente o vento, o cheiro, observa a 100%, desacelera, relaxa e fica só com os teus pensamentos. Esquece a selfie, a fotografia panorâmica, o post no facebook, apenas vive o momento com todos os teus sentidos. Desativa as notificações do teu telemóvel, como é que esperas ser produtivo se recebes uma mensagem de 2m em 2m? É impossível, o teu cérebro sabe que tem algo novo para ver e vai desfocar a tua atenção das atividades importantes que queres realmente realizar.

 

Se te desligares de todas essas atividades altamente viciantes, aos poucos os teus níveis de dopamina vão baixar, vais-te sentir aborrecido, mas garanto que vais apreciar fazer as tarefas difíceis que teimam em não ser concluídas. É muito provável que a tua capacidade de foco e de concentração também aumente. Se não tiveres a tentação de pegar no teu telemóvel, ou de ver coisas que não te levam a lado nenhum, tens mais possibilidade de conseguires perseguir os teus objetivos e teres mais sucesso. Ler livros vai passar a ser bem mais interessante, e ler livros é uma garantia para te tornares mais sábio e aumentares os teus níveis de concentração. Abraça o aborrecimento, as atividades que agora achas enfadonhas vão passar a ser as que te dão dopamina, porque entre não fazer nada e ler um livro ou escrever, vamos sempre preferir fazer algo de útil. Faz uma desintoxicação de informação irrelevante, e por um dia desliga a TV, o telemóvel e o computador, depois observa os resultados.

 

Acima de tudo reserva tempo para pensar. Vive!

 

 

01
Mai20

Definition of Done, porque é tão importante em projetos agile?

Luís Rito

Definition of Done (DoD) é uma expressão que muitos que já estiveram envolvidos em projetos Agile reconhecem. Mas afinal o que é e para que serve?

DoD é na realidade uma checklist definida pela equipa de projeto, onde são descritas todas as tarefas necessárias para que uma story (desenvolvimento) seja concluído. Em metodologias Agile obtém-se progresso através de iterações, também chamadas de sprints se estivermos a falar de scrum. Em cada iteração a equipa executa blocos de trabalho ou stories que vão contribuir para a conclusão do projeto (caso se trate de um projeto). Dependendo da metodologia que a equipa estiver a utilizar, poderá estar a registar as atividades num quadro Kanban para que todo o fluxo de trabalho seja mais visual. O Kanban tanto pode ser virtual como físico, ambos funcionam, mas o virtual torna a partilha de informação entre várias equipas mais simples, principalmente se estiverem colocadas em localizações físicas diferentes. Os quadros kanban estão sempre divididos em fluxos de trabalho, que representam todos os estágios que um desenvolvimento tem que ultrapassar até ser dado como concluído. Uma divisão muito simples que normalmente se vê muito é: Por Realizar, Em Curso e Concluído. Esta é a divisão mais simples, sendo que na maioria das empresas acabará por ser um pouco mais complexo, como por exemplo: Backlog, Em Análise, Pronto para desenvolvimento, Em Desenvolvimento, Pronto para testes, Em testes e Concluído.

É justamente na passagem de um desenvolvimento para concluído que uma DoD deverá entrar. Algo que normalmente acontece nas empresas é dar-se uma story como concluída após o seu desenvolvimento ter terminado. Acontece que após o desenvolvimento ter terminado, existem ainda um conjunto de atividades que devem ser asseguradas para que a story se considere bem feita. Dou vários exemplos, a story foi documentada? A story foi testada de uma forma integrada e não apenas unitariamente? Foi realizada uma análise ao código por um colega? Como podem ver, existem muitas atividades que à primeira vista são invisíveis, mas que têm que ser realizadas, o que resulta claro em menos tempo da equipa para a execução de outras tarefas.

 

Definition of Done

 

Uma DoD correta permite ainda aumentar a qualidade do trabalho entregue, já que cada desenvolvimento deve passar por todas as fases descritas pela equipa até que seja considerada concluída. Para além da qualidade, dá também consistência a todo o trabalho e reduz em muito o rework. Pegando nos exemplos que te dei acima, deixo-te abaixo o que poderia ser uma DoD definida pela equipa:

 

  • Peer review ao código realizada?
  • Código testado unitariamente?
  • Código testado de forma integrada em ambiente de desenvolvimento?
  • Documentação técnica realizada?
  • UX (user interface & experience) consistente com solução global?

 

Quero só deixar a nota que uma DoD nada tem que ver com critérios de aceitação. Muitas vezes existe esta confusão, mas a grande diferença reside no facto dos critérios de aceitação se focarem mais na funcionalidade em si e não na qualidade do processo. Se olharem com atenção para os items que vos mostrei acima, estão mais relacionados com o facto de estarmos ou não a seguir um bom processo de desenvolvimento, testes e documentação, o que se vai refletir claro em aumento de qualidade. Já os critérios de aceitação visam definir se a funcionalidade que foi realizada faz aquilo que é suposto fazer e que foi solicitado pelo cliente. 

 

Uma DoD deve estar bem visível para todos os membros da equipa, para que quando chegue a altura de dar uma story como concluída se faça uma revisão se todos os pontos são cumpridos. Deixo apenas o alerta para não teres demasiados pontos, é suposto uma metodologia ágil ser...ágil, portanto nada de adicionar demasiada burocracia ao processo. Recomendo que sempre que a equipa faça retrospetivas (analisar a forma como trabalha para melhorar), que se foque também na dimensão da DoD. Devem analisar se todos os items fazem ou não sentido e se é ou não necessário remover ou adicionar novos.

 

Por hoje é tudo, tens dúvidas sobre algo que escrevi? Fala comigo sem problemas, podes responder a este artigo ou contactar-me diretamente via email.

 

Até à próxima!

 

22
Abr20

Scrum em projetos de grande dimensão

Luís Rito

Olá!

 

Ao longo do tempo, tenho-vos escrito alguns artigos sobre como pode uma empresa reinventar-se e começar a trabalhar de uma forma menos tradicional e mais ágil. A agilidade organizacional é hoje uma característica quase obrigatória em qualquer empresa que se queira destacar no século XXI. Claro que não se aplica a todo e qualquer tipo de projetos. Existem projetos onde a agilidade compensa largamente, enquanto noutros uma gestão de projetos mais tradicional continua a ser uma mais valia. Metodologias mais tradicionais favorecem muito a previsibilidade, enquanto metodologias mais ágeis favorecem a velocidade. Quanto a vocês não sei, mas na construção de um edifício ou de uma ponte prefiro sempre previsibilidade a velocidade. É por isso que neste tipo de projetos ainda se utiliza muito metodologias tradicionais de gestão de projetos (também conhecidas como waterfall). Contudo, diria que na esmagadora maioria dos projetos que hoje se iniciam, a velocidade é um fator determinante e obrigatório, seja porque o contexto muda constantemente, seja porque se quer ser mais rápido que um concorrente, seja porque os clientes assim o exigem. É por isso que nos últimos anos, metodologias ágeis como o Scrum têm florescido e prosperado junto dos gestores de projeto e organizações.

 

Uma das críticas que o Scrum é normalmente alvo, é que funciona muito bem em equipas e projetos pequenos, mas para aplicar em projetos de grande dimensão torna-se insuficiente. Esta afirmação revela algum desconhecimento, já que hoje em dia existem várias formas de utilizar metodologias ágeis mesmo em grandes projetos. Existem frameworks específicas para quem quer utilizar metodologias ágeis em organizações de grande dimensão ou em projetos/programas que envolvam centenas de pessoas. Algumas delas são:

 

 

Pela sua simplicidade e facilidade de implementação, hoje quero focar-me especificamente no scrum of scrums. Na realidade, trata-se de fazer algo muito semelhante ao que já acontece numa iteração normal de scrum. Para aprenderes mais sobre scrum, dá uma vista de olhos neste artigo.

De forma resumida, o trabalho é realizado por iterações (sprints), normalmente de 2 ou 3 semanas. Antes de cada sprint a equipa compromete-se com uma quantidade de trabalho que é retirado de um backlog (trabalho em falta) de acordo com as prioridades definidas pelo product owner (ponto de contacto com o cliente). Diariamente acontecem as daily scrums, que são reuniões de 15m com o objetivo da equipa partilhar o que fez, o que vai fazer e que impedimentos está a ter. No fim do sprint deve ser apresentado o seu output ao cliente, permitindo também obter feedback de uma forma constante e regular. Finalmente a equipa evolui na sua forma de trabalhar através das retrospetivas, onde se analisa o que correu bem, o que correu menos bem e coisas que a equipa pode melhorar na próxima iteração.

 

Scrum of Scrums

 

Se deres uma vista de olhos na imagem acima, encontras 4 equipas, equipa A, B, C e D. Cada uma dessas equipas tem um backlog específico que representa o trabalho que tem para executar (via sprints), e tem também um product owner e um scrum master. Já falámos que um Product Owner é o ponto de contacto com o cliente, efetuando ainda a gestão das prioridades de execução, enquanto o scrum master é a pessoa responsável por garantir as boas práticas do scrum e agir como um servant leader para a equipa, desbloqueando todo o tipo de problemas. Vamos assumir que todas as equipas da imagem têm responsabilidade sobre uma área específica do projeto, trabalhando cada uma delas dentro da sua própria bolha. Por se encontrarem de certa forma isoladas, as equipas selecionam uma pessoa que servirá como embaixador (normalmente o product owner ou o scrum master), que fará parte de outra equipa de scrum um nível acima. Essa equipa terá igualmente um backlog e uma daily scrum (que pode por exemplo ser semanal ao invés de diária) onde é partilhado o que foi feito, quais os próximos passos e quais os impedimentos com que a equipa se está a deparar. Normalmente nos níveis mais acima, os impedimentos são mais focados em temas relacionados com problemas de coordenação entre as equipas.

A ideia é que essas equipas mais acima tenham uma pessoa de cada equipa individual de scrum, para que com isso consigam ter uma ideia mais global do projeto como um todo. Isso ajudará com questões como dependências entre equipas ou desbloqueio de problemas. Caso necessário, ainda é possível ir mais níveis acima (uma espécie de pirâmide como podes ver na imagem acima), tudo depende da complexidade do projeto. Assumindo uma estrutura como a da imagem, e com reuniões diárias de 15m, seria possível comunicar com todas as partes em apenas 45m (15m por cada nível).

Reforço que em todos os níveis deve existir um backlog de trabalho a realizar. A grande diferença é que mais acima fala-se de features ou epics (grandes blocos de trabalho), e há medida que se vai descendo o trabalho é partido em blocos mais pequenos até chegar ao nível das equipas que o estão a executar.

 

Caso o número de pessoas que compõem o projeto seja muito elevado, deve-se aumentar o número de equipas de scrum, já que o tamanho ideal das equipas ronda as 6-8 pessoas. Assumindo que cada uma das equipas tem no máximo 7 pessoas, caso estejamos a falar de 10 equipas, teríamos 70 pessoas, o que já é um número considerável. Nestas estruturas começa a fazer sentido ter um chief product owner e um chief scrum master a quem reportam todos os outros product owners e scrum masters das equipas individuais. Dependendo da dimensão, pode também fazer sentido aplicar umas das metodologias que te falei acima (SAFe, DAD ou LeSS).

 

Em outros artigos espero vir a poder-te falar um pouco mais sobre todo este mundo.

 

Até à próxima :)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

05
Abr20

Nova forma de viver?

Luís Rito

Olá a tod@s,

 

Desde há umas semanas para cá, todos nós vimos o nosso dia-a-dia ser virado do avesso. Enfrentar uma pantemia a nível mundial é algo que muitos nunca viveram, e desde que tenho memória, nunca antes aconteceu este confinamento em casa pelo qual estamos a passar. Como sou um otimista por natureza, acredito a 100% que toda esta situação nos vai tornar mais fortes e mais preparados para o futuro. No livro Antifrágil, o autor Nassim Nicholas Taleb refere a diferença entre sistemas frágeis e antifrágeis. Basicamente e de uma forma simplificada, se um sistema tem a capacidade de beneficiar do caos e da imprevisibilidade é antifrágil, enquanto o contrário será claro, frágil. O autor fala ainda de eventos cisne negro (verdadeiros outliers), que são eventos imprevistos e que se assemelham a crises ou eventos de extrema raridade. Creio que esta pandemia encaixa perfeitamente no conceito de cisne negro, já que foi algo completamente imprevisto e que atacou numa altura em que existia elevado otimismo relativamente ao estado da economia.

 

Ora, considero que a humanidade se encaixa num sistema antifrágil, pois normalmente tem a capacidade para se melhorar continuamente quando enfrenta situações desconhecidas e situações limite. Vejam por exemplo o 11 de Setembro. Tenho a certeza que muitos processos foram revistos após a tragédia que se abateu sobre os americanos. Certamente todos os processos de segurança foram revistos e melhorados de forma a mitigar um novo ataque. Ou vejamos por exemplo acidentes relacionados com quedas de aviões. Por cada queda existiu também uma quantidade de dados que foram fornecidos a equipas responsáveis por tornar os aviões cada vez mais seguros. Cada evento cisne negro permite-nos dar saltos que normalmente não daríamos em situações normais e de conforto. Reparem que este tipo de eventos não tem que ser necessariamente mau. Por exemplo, o aparecimento do Google ou o aparecimento do iPhone foram claramente eventos que mudaram o mundo e fizeram toda uma legião de pessoas & empresas ter que se adaptar e melhorar. Felizmente, acredito que enquanto humanidade vamos estar sempre no lado antifrágil, o que significa que este tipo de eventos nos vai permitir ficar mais fortes e preparados para o futuro.

 

Black Swan

 

Parece-me que esta pandemia vai alterar muitos processos pelo mundo fora. Será que os países não poderão vir a ter protocolos ainda mais robustos em caso de futuras pandemias? Quero acreditar que sim, que tudo isto nos vai preparar para a eventualidade de um dia termos de lidar com um vírus ainda pior que o Covid-19. Até ao nível das nossas humildes vidas existiu uma grande disrupção relativamente ao que estávamos habituados. De um momento para o outro apercebemo-nos que afinal não é tão difícil fazer exercício físico em casa, aliás, só precisas de 30m por dia e força de vontade. De um momento para o outro chegámos a outra conclusão, fazer reuniões virtuais não é assim tão mau, trabalhar remotamente não é impossível, e o trabalho não pára nem somos menos produtivos por estar em casa. Acredito que nas primeira duas semanas pode ter existido uma perca de produtividade, afinal as pessoas não são máquinas, necessitam de tempo para se adapatarem a novas rotinas. Contudo, após esse período de adaptação a verdade é que a maioria acaba por ser bem mais produtiva. Agora pergunto, se as reuniões virtuais começassem a ser mais utilizadas, será que necessitaríamos de estar constantemente a fazer viagens de avião de um lado para o outro? Uma redução de viagens por exemplo na ordem dos 5% permitiria uma redução enorme da poluição. O principal combustível dos aviões é por norma querosene, o que dá origem a diversos gases que contribuem para o aquecimento global, como o monóxido e dióxido de carbono. Não poderíamos aproveitar toda esta situação para aprendermos a trabalhar de forma diferente? Hoje em dia pode não fazer sentido termos de viajar tanto quando existe uma coisa chamada internet que funciona tão bem! É bom para o planeta e é bom para as empresas que vão ver os custos com deslocações reduzidos.

 

E os hábitos de consumo? Não estarão já em franca alteração? O eCommerce tem continuado em alta, e quer queiramos quer não esta situação vai contribuir para um aumento futuro deste tipo de transações. O seu crescimento vai significar que algumas empresas vão ter que se adaptar, algumas vão prosperar muitíssimo enquanto outras vão morrer por não terem conseguido dar o salto. Outro exemplo, aqui em Portugal os pagamentos via multibanco continuavam a ser realizados com recurso a inserção de código (apesar de não perceber bem porquê). Desde que esta pandemia chegou a todas as nossas vidas, parece que de repente o contactless é uma solução perfeitamente válida (finalmente!). Acredito que já não vamos voltar ao velhinho código para valores de compra baixos.

E quanto à transformação digital? Muitas empresas e governos apercebem-se agora do quão atrás se encontram neste campo, e estão a redirecionar investimento para se melhorar. Investimento que nunca chegaria numa altura normal da nossa economia onde a maior preocupação é sempre o crescimento trimestral ou anual dos lucros (afinal há que manter os acionistas satisfeitos). Quer queiramos quer não o avanço vai ser acelerado durante este período. 

 

Como podem ver, existe muito a acontecer neste momento. Os otimistas vão ver como uma oportunidade enquanto os pessimistas vão deixar passar tudo isto sem nada fazer para se melhorarem. Do lado menos positivo, é inevitável que muitas empresas vão acabar por falir e a taxa de desemprego vai disparar. Não se avizinham tempos fáceis, mas até hoje a economia sempre recuperou de todas as adversidades que foi enfrentando, e penso que desta vez não será exceção. Vamos acabar por recuperar, mais fortes e mais bem preparados. 

Enquando indivíduos, devemos aproveitar da melhor forma, usa o tempo extra que tens para ler mais, para fazer cursos online, aprender deve ser sempre um dos maiores investimentos que podes realizar. Ainda que te sintas sem motivação e sem energia, tentar fazer algum exercício físico, vai-te fazer sentir melhor. Para quem gosta, faz alguma meditação, usa o tempo para te conheceres melhor, para descobrires o que queres fazer da tua vida, pensa sobre as tuas prioridades, onde te vês daqui a 5 ou 10 anos? Estás no caminho certo para lá chegar? Se não estás, o que deverias estar a fazer para tornar esse sonho numa realidade? Usa o teu tempo de forma sábia.

 

Por hoje é tudo, espero que tenhas gostado.

 

Até à próxima!

 

26
Mar20

Vive mais com menos

Luís Rito

Olá!

 

Antes de avançarmos mais, quero deixar o meu agradecimento a todas as pessoas da nossa sociedade que apesar dos riscos de contrairem o COVID-19, vão trabalhar todos os dias para que tudo continue dentro da maior normalidade possível. A realidade é que apesar de muitos estarem confinados há vários dias ao seu lar, outros tantos trabalham diariamente para que não nos falte nada. E não são apenas os médicos, falo também de farmacêuticos, de todo o pessoal necessário para manter um hospital aberto, motoristas de entregas de mercadorias & encomendas, toda a supply chain do retalho, limpezas, recolha de lixo, transportes públicos e todos aqueles que não referi e que continuam a fazer-nos chegar os serviços essenciais para o nosso dia-a-dia.

 

Dito isto, eu tenho a sorte de poder exercer as minhas funções através do conforto da minha casa, sendo que tirei voluntariamente alguns dias de férias durante este período de estado de emergência nacional. Muitos diriam que um período de férias numa altura em que não podes sair de casa é um autêntico desperdício de dias em que poderias estar de papo para o ar numa praia lá mais para o Verão. Eu vejo de outra forma, apesar de ter em casa um míudo de 10 anos, consigo utilizar este tempo para inúmeras coisas que não consigo no dia-a-dia normal. Uma das atividades ao qual me dediquei foi a tentar pensar e agir de uma forma mais minimalista. O minimalismo é uma forma de estar na vida, que favorece as pequenas coisas em detrimento de uma vida de consumos desenfreados e perseguição de um modelo de sucesso que foi crescendo na nossa sociedade. O objetivo é livrares-te de tudo o que está a mais na tua vida e focares-te apenas no que interessa. Existe um documentário muito bom sobre o tema no Netflix. Este documentário tem como principais protagonistas Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, fundadores deste movimento. Podes dar uma vista de olhos no documentário aqui, e também ver o site deles para teres uma ideia do que se trata.

 

Dito isto, deixo algumas questões no ar. Porque temos que consumir tanto? Porque queremos sempre a casa enorme, o carro potente e topo de gama, o telemóvel que acabou de sair ou 30 pares de sapatos e 100 peças de roupa? Existe uma pressão enorme na nossa sociedade para consumir. Somos bombardeados com publicidade a toda a hora, fazem-nos acreditar que necessitamos de certos produtos para pertencermos a uma certa classe social. Desde pequenos que nos dizem que ter sucesso é ter um emprego com um salário milionário, mesmo que isso signifique trabalhar 12h a 16h dia, mesmo que isso signifique não darmos atenção à nossa família e mesmo que isso signifique abdicar da nossa felicidade. O sucesso na nossa vida deveria ser medido em felicidade e não em euros! Contudo ser minimalista não é viver apenas com uma t-shirt e morar numa casa vazia sem móveis. Ser minimalista é ser muito exigente com aquilo que trazemos para a nossa vida, e restringirmo-nos ao que consideramos fundamental e que acrescenta valor. Todos os objetos que possuis e que não tenham um objetivo e um propósito claro devem ser eliminados, é essa a lógica de tudo isto. Tudo o que é supérfluo vai embora.

 

Minimalismo

 

Munido desta forma de ver as coisas, livrei-me de tudo o que tinha que estava a mais. Tudo aquilo que considero que não acrescenta valor nem iria acrescentar no futuro foi removido. Ter menos coisas é libertador. Pessoalmente não gosto de ver casas com amontoados de "tralha", portanto livrar-me de uma série de coisas permitiu-me ter mais espaço dentro da minha própria casa. É uma loucura as pessoas quererem casas maiores para arrumarem cada vez mais coisas. Alguns desses mesmos objetos não são utilizados há anos, e ainda assim teimamos em querer guardá-los. Sugiro que os ofereçam a quem precisa, nomeadamente casas de apoio a crianças desfavorecidas. O ter pouco também significa que vais gastar menos dinheiro em coisas que não precisas, o que por arrasto te vai fazer poupar mais e aumentar o teu pé de meia. Esse mesmo pé de meia pode ser a tua salvação em situações como a que vivemos agora, e onde existe uma real hipótese da economia se vir a ressentir.

 

No meu caso, sempre adorei livros, portanto considero fundamental rodear-me de livros que sei que vou tornar a ler no futuro, nem que seja para ir procurar uma referência ou uma frase. Apesar de gostar tanto de livros, livrei-me de uma grande quantidade deles que sabia que nunca mais iria tornar a tocar. A lógica é esta, para mim são livros que me trazem valor, mas para ti podem ser CD´s de música ou coleções de bonecos da matutano. Mantêm aquilo que te faz feliz e que adoras, ou que tenha uma função que consideres útil (por exemplo uma máquina de café) e desfaz-te do resto. Por último, consumir menos também nos torna mais sustentáveis. Todos nós temos que ajudar nesta luta, o nosso planeta não vai aguentar este ritmo de consumo desenfreado para sempre. Existe sempre um preço que vamos ter que pagar no futuro. É por isso que te aconselho a fazer o mesmo, livra-te do que não precisas, livra-te de tudo o que não está a acrescentar valor à tua vida. Sê muito rigoroso com aquilo que compras e que trazes para dentro da tua casa, e acima de tudo escolhe a felicidade acima dos bens materiais, que apenas te trazem felicidade no momento em que os compras. 

 

Por hoje é tudo, espero que tenhas gostado. Até à próxima :)

 

 

13
Mar20

Ficar de quarentena não significa parar

Luís Rito

Olá!

 

Encontramo-nos a braços com uma situação delicada, não há como negá-lo. Desde há umas semanas que o corona vírus virou o mundo de muitos de nós completamente do avesso. Eventos estão a ser cancelados em quase toda a sua totalidade, empresas mandam os seus colaboradores trabalhar a partir de casa e tem ocorrido uma corrida aos supermercados de forma louca. Antes de abordar o tema de como podemos ver a quarentena com outros olhos, gostava de deixar a minha opinião sobre os eventos que têm ocorrido nos últimos dias.

 

Por favor, mentalizem-se que o corona vírus não é o fim do mundo. Não estou com isto a dizer que não é grave, mas não há necessidade de correr para os supermercados e levar todos os enlatados ou rolos de papel higiénico. Esses bens têm que chegar para todos, e se a grande maioria levar comida que lhes dá para 6 meses não vai chegar para as necessidades de toda a população. Reparem que a situação na China começa a estabilizar, o que me leva a acreditar que em Portugal vamos ter uma fase em que a propagação do vírus poderá piorar mas que tenderá a estabilizar também. Se todos cumprirmos com as nossas obrigações o impacto poderá ser baixo, e quando falo em obrigações falo em cumprir com as normas básicas de higiene e quarentena. É estúpido na situação em que estamos organizarem-se festas a celebrar o corona vírus! Lembrem-se que podemos não estar no grupo de risco, mas todos somos potenciais transmissores da doença, e podemos infetar os nossos entes mais queridos. Portanto, quando as escolas fecharem na próxima semana tentem não deixar as crianças com os avós, já que esses apresentam um risco muito maior de não resistir ao vírus.

 


Agora que já desabafei um pouco, vamos falar de um tema bem mais interessante. Se estás a ver o copo meio vazio, digo-te já que podes encarar a quarentena como uma oportunidade. Sim, nem tudo é mau, ao trabalhares de casa vais ter mais tempo disponível (assumindo que gastas diariamente algum tempo em deslocações) no teu dia para cultivares bons hábitos. O não deveres sair de casa a toda a hora também te vai trazer mais tempo, tenta apenas não o utilizar todo a ver TV ou Netflix.

 

quarentine


1. Trabalha na tua criatividade
Uma excelente técnica passa pela escrita de 10 ideias sobre um determinado tema todos os dias. Podem ser coisas tão simples como "10 ideias de sítios onde gostaria de passar férias" ou "10 ideias de como posso ganhar tempo no meu dia-a-dia". Aproveita que estás em casa e que tens mais tempo disponível pela manhã para fazer atividades como meditação ou trabalhar a tua veia criativa. Se tens curiosidade sobre como podes utilizar a técnica de escrever 10 ideias por dia para melhorar a tua criatividade dá uma vista de olhos neste artigo.

 

2. Aproveita para pensares na tua carreira
Define um plano de desenvolvimento para ti mesmo! Onde te vês em 3 ou 5 anos? O que deves realizar para lá chegar? Pensa muito bem em formações ou certificações que necessitas, que experiência precisas de aquirir, a rede de contactos que vais necessitar e que projetos tens que completar. Utiliza o tempo extra para pensar, é normal no nosso dia-a-dia tendermos a andar sempre a 1000% e não o fazermos. Para mais detalhe sobre este tema vê este artigo.

 

3. Lê aquele livro que teima em ficar na mesa de cabeceira há vários meses
Aproveita para pôr a leitura em dia, ler vai manter a tua mente ocupada e criativa :). Se já esgotaste o stock de livros para ler compra através da Amazon para teres acesso instantâneo a muito material de leitura.

 

4. Combate a preguiça
Ficar fechado em casa é meio caminho andado para entrares em modo "Garfield" (comer e dormir). Deves combater a preguiça com todas as armas que tens! Para isso, sempre que queiras ser produtivo começa com tarefas fáceis e pequenas para combateres a inércia, elimina tudo o que são distrações, como a TV ou o telemóvel e dá pequenas recompensas a ti mesmo quando consigas atingir um objetivo. Por exemplo, por cada 50m de trabalho faz uma pausa de 10m. Para saberes mais, vê este artigo.

 

5. Aproveita para criar bons hábitos
Boa alimentação e muito descanso é sempre uma excelente aposta. Tenta comer alimentos saudáveis, ricos em vitaminas, minerais e fibras. Esquece alimentos processados e carregados de açucar, investe em muitos vegetais e frutas,  já que são ricos em antioxidantes e vitaminas. Não te esqueças de te manter hidratado, continua a beber regularmente água ou chá. Aproveita também para pores o descanso em dia. No nosso local de trabalho por vezes não é fácil fazer uma pequena sesta a meio do dia, mas em casa é perfeitamente possível. Almoça em 30m e depois fecha os olhos por 20m, vais-te sentir como novo. Tenta também manter uma rotina de horas de levantar e deitar.

 

6. Treina em casa
Lá por estares em casa não significa que fiques com o rabo sentado todo o dia. Tenta fazer algum exercício. Se tens uma garagem ou uma divisão extra então aproveita-a para te poderes mexer. Se tiveres uma passadeira ou bicicleta ainda melhor. Uma boa técnica é ligares o YouTube e pesquisares por aulas de fitness como por exemplo "Tabata". Depois é tentares seguir o ritmo dos instrutores! Se gostas de musculação e tens espaço então podes montar um mini ginásio. Vê este artigo onde te falo de como montar um mini ginásio sem que isso te leve à falência :).

 

E é tudo, uma quarentena não tem que ser o fim do mundo, aproveita-a da melhor maneira e lembra-te que as situações menos boas servem para nos ir tornando cada vez mais fortes.

 

Até à próxima

 

09
Mar20

A melhor defesa para o corona vírus

Luís Rito

Olá :)

 

Se não tens estado debaixo de uma rocha nos últimos meses, já sabes que o mundo atravessa uma fase de grande preocupação devido ao corona vírus (covid-19). Tudo isto começou na China mas rapidamente alastrou por todo o mundo. Apesar de estar obviamente preocupado com o tema, considero que as pessoas se encontram num estado de alerta demasiado elevado, principalmente as que são saudáveis e que têm um sistema imunitário forte. Passo a explicar, o corona vírus propaga-se de forma muito semelhante a uma gripe comum, e os sintomas são inclusive muito parecidos. Claro que ao dia de hoje o vírus já matou muitas pessoas, mas até nisso a gripe leva vantagem porque mata anualmente em números muito superiores. Repara, quando apanhas uma gripe não existe nenhum medicamento que a cure, o que existem são fármacos que ajudam com os seus sintomas. Na realidade, o que mata uma gripe é o teu sistema imunitário, e é por isso que em pessoas mais debilitadas este vírus pode mesmo ser fatal. Todo este alarmismo com o corona vírus vai ajudar um grupo restrito de empresas a fazer biliões com b! As grandes farmacêuticas vão ganhar muito muito dinheiro, bem como qualquer tipo de empresas com produtos ligados a desinfeção ou máscaras de proteção.

 

Claro que agora podes argumentar e dizer, ah mas o vírus propagou-se tanto pelo mundo fora. Certo, se pensares bem todos nós estamos infetados com algum tipo de vírus, uns mais prejudiciais que outros, mas é algo que ninguém escapa (a menos que viva 24h dentro de uma sala esterilizada). Se fizéssemos neste momento um mapa da propagação da gripe pelo mundo iríamos assustar-nos com o resultado. Todos os anos milhões de pessoas apanham gripe e até agora ninguém andava na rua com máscaras. Neste momento o tema mais preocupante é mesmo o covid-19 ser um vírus novo para a humanidade, como tal ainda não temos defesas no nosso organismo. Mas se olhares para as estatísticas, o número de pessoas que recuperam é largamente superior ao número de mortes (que está abaixo dos 3%). Não sou médico nem nada que se pareça, mas neste momento parece-me que o mais lógico é mesmo tentarmos fortalecer o nosso sistema imunitário, parece-me algo mais útil e sustentado que andar de máscara pela rua.

 

covid-19

 

Abaixo deixo-te algumas dicas do que deves fazer para fortalecer o teu sistema imunitário. Investe na tua saúde, se tiveres um sistema imunitário forte não tens que temer o corona vírus, já que certamente vais recuperar dele. Curioso para saber o que podes fazer? Confere abaixo.

 

1. Comer vegetais diariamente

 

Os vegetais estão cheios de coisas boas como vitamina C que vão ajudar o teu sistema imunitário a ficar à prova de bala. Deves sempre tentar que as tuas refeições tenham vegetais. Por exemplo bróculos são extremamente ricos em vitamina C, vitamina E, magnésio, cálcio, fósforo e todo um conjunto de minerais e fibras. E como se não bastasse, têm um nível calórico muito baixo, portanto podes comê-los em grande quantidade. Para obteres o melhor dos bróculos deves cozinhá-los muito pouco ou mesmo comê-los crus.

 

2. Obter vitamina D

 

Existem estudos que defendem que um nível baixo de vitamina D faz enfraquecer o teu sistema imunitário. Deves portanto ter especial atenção a esta vitamina. Para a obteres, deves tentar estar exposto a luz solar durante 15 a 20m por dia e comer alimentos ricos nesta vitamina como ovos, cogumelos, salmão, atum, sardinhas entre outros. Ainda que comas muitos alimentos ricos em vitamina D, é recomendada exposição solar, já que apenas com alimentos terás dificuldade em chegar aos níveis recomendados. Podes ainda utilizar suplementos de vitamina D.

 

3. Fazer exercício físico

 

O exercício físico (desde que não seja em excesso), irá ajudar-te a fortalecer o teu sistema imunitário. Muitos estudos defendem que ajuda a reduzir inflamações no corpo e tem ainda o bónus de reduzir o stress, que é um dos grandes fatores para não andares bem fisicamente (explico melhor à frente).

 

4. Dormir e descansar bem

 

Decerto já reparaste que quando descansas pouco o teu sistema imunitário anda mais fraco e contrais mais facilmente gripes ou constipações. É por isso que não deves facilitar neste ponto. O descanso é de extrema importância, seja na prevenção seja na cura de uma doença. Teres bons hábitos de sono como por exemplo ires dormir sempre à mesma hora e descansares pelo menos 7h-8h vão ajudar-te a resistir a este tipo de vírus.

 

5. Relaxa e não stresses

 

Sempre que estás com muito stress, o teu corpo liberta uma hormona chamada cortisol. Esta hormona é utilizada pelo nosso organismo para combater inflamações e doenças, contudo ao estares sempre em stress, o teu organismo vai libertar constantemente cortisol, pelo que quando tiveres de facto uma doença a sua ação será bem mais fraca, já que o organismo está habituado a recebê-la de forma constante. Isso vai resultar num sistema imunitário mais débil.

 

6. Bebe chá verde

 

Desde sempre que o chá verde é associado a boa saúde. Isso deve-se ao facto de ser extremamente rico em antioxidantes e ajudar a retardar o envelhecimento celular, evitar doenças cardiovasculares, combater o colesterol, etc. Por ser rico em vitamina C, K, B1, B2, potássio e ácido fólico, torna-o excelente para o fortalecimento do sistema imunitário.

 

E é tudo, manteres hábitos saudáveis é um investimento que fazes em ti, e vai-te ajudar para toda a vida. Para além de estares mais em forma também te vai ajudar a resistir a vírus como o covid-19.

 

Até à próxima :)

 

 

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