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Profissional Moderno

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17
Nov19

Extreme Programming - O que é?

Luís Rito

Olá :)

 

Hoje abordamos o tema Extreme Programming, vou dar-vos a conhecer o que é, e quais os seus valores.

 

O que é?

 

O Extreme Programming (XP) é uma metodologia de desenvolvimento de software, que teve origem nos Estados Unidos da América durante a década de 90. O grande objetivo desta metodologia passa pela criação de sistemas de software com maior qualidade, numa timeframe mais reduzida e custando por acréscimo menos dinheiro.

Tudo isto é possível devido à forma com o XP foge à forma tradicional de realizar projetos, bem como à aplicação de uma série de valores, princípios e práticas.

O âmbito deste post passa por perceber quais os valores que estão envolvidos na prática desta metodologia, ficando os princípios e as práticas guardados para mais à frente.

 

Valores

 

Um dos maiores problemas que existe no desenvolvimento de software passa pelo facto das pessoas envolvidas neste processo se focarem muito em ações individuais. Uma equipa a funcionar em pleno sabe que o importante não são as ações individuais, mas a coesão que existe entre toda uma equipa.

Nesta metodologia dá-se especial atenção ao facto da equipa estar ou não concentrada no que realmente interessa, ou seja, se estão todos a “remar” para o mesmo sentido. Para que isso aconteça o XP baseia-se em cinco valores básicos:

 

  • Comunicação
  • Coragem
  • Feedback
  • Respeito
  • Simplicidade

 

Comunicação

 

Tipicamente um cliente que necessita de um sistema informático tem um conjunto de problemas que pretende resolver, tendo já inclusive algumas ideias sobre como o fazer. Por outro lado as equipas que desenvolvem o software têm o Know-How técnico que lhes permite construir um sistema tendo em conta as melhores práticas. Para que exista um entendimento entre o cliente que fala uma linguagem mais voltada para o négocio e os programadores que falam uma linguagem mais técnica é necessário que exista um bom canal de comunicação.

Quanto melhor for o canal de comunicação menos possibilidades existem de criação de problemas, ambiguidades e desentendimentos.

Por norma, os diálogos cara a cara são superiores a uma videoconferência, que é superior a um telefonema que por sua vez é mais expressivo que um email.

Uma das ferramentas que é utilizada no XP é o diálogo cara a cara, permitindo desta forma que o entendimento entre todas as partes seja o mais correto possível. Desta forma evitam-se problemas que possam surgir mais tarde, até porque quanto mais cedo os problemas forem detetados menos custos estarão envolvidos na sua resolução.

 

Coragem

 

Um projeto de software está constantemente sujeito à mudança. Os clientes mudam de ideias com alguma frequência, seja porque as prioridades mudam, seja porque percebem que existem formas mais eficazes de resolver os seus problemas. Qualquer mudança não planeada realizada a meio de um projeto acarreta riscos, pois por vezes é necessário alterar blocos do sistemas que já estavam fechados, existindo a possibilidade de provocar bugs (erros informáticos).

O XP não tem uma fórmula mágica para resolver este problema, mas utiliza uma série de mecanismos de proteção que permite enfrentar a mudança com uma coragem renovada.

Assim ao invés de bloquear a criatividade do cliente, uma equipa XP enfrenta com segurança e coragem o desconhecido.

Alguns dos mecanismos de proteção utilizados são o desenvolvimento orientado a testes, o pair programming e a integração contínua (falarei noutro dia do que são).

 

extremeProgramming.jpeg

 

Feedback

 

Os projetos de software são normalmente iniciativas muito dispendiosas, arriscadas e com um histórico de falhas muito alto. As equipas XP sabem isso melhor que ninguém, e encaram todos os projetos como uma eventual potencialidade de problemas e falhas que possam advir.

Todas estas falhas podem ser minimizadas se forem identificadas rapidamente e numa fase inicial. É por isso que no XP estabelecem-se ciclos de desenvolvimento curtos, onde são apresentados pequenos pacotes de funcionalidades ao cliente. Assim é possível deste logo alinhar as expectativas do cliente com as expetativas da equipa de desenvolvimento, favorecendo ambas as partes. O cliente sai beneficiado pois desempenha um papel mais ativo na construção do sistema (aumentando a probabilidade de sucesso do projeto), e a equipa de desenvolvimento beneficia de uma menor probabilidade de falhas e problemas futuros (que originam muito rework).

 

Respeito

 

Respeito é o valor mais importante de todos. Os membros de uma equipa só vão funcionar como “equipa” se existir respeito mútuo entre todos eles. Se não existir respeito mútuo no seio de uma equipa então não existe muito que se possa fazer para salvar um projeto de uma catástrofe.

Saber ouvir e saber compreender o ponto de vista de um colega é essencial para o sucesso de um projeto de software.

 

Simplicidade

 

Estudos recentes demonstram que uma grande percentagem de todas as funcionalidades desenvolvidas num sistema informático não chegam sequer a ser utilizadas.

O XP baseia-se no princípio de simplicidade, onde se dá prioridade a funcionalidades realmente necessárias ao bom funcionamento do sistema, evitando funcionalidades que podem vir a ser necessárias no futuro, mas que ainda não o provaram ser.

Por outras palavras, primeiro construímos um automóvel capaz de circular, depois preocupamo-nos com a marca do auto-rádio e se o volante tem ou não botões que o controlam.

 

Por hoje é tudo, num post mais à frente prometo aprofundar um pouco mais sobre este tema.

 

Até à próxima :)

 

 

 

20
Out19

12 formas de fornecer valor

Luís Rito

Olá !

 

No último post falámos sobre 5 procesos básicos na criação de uma startup (dá uma vista de olhos aqui). O primeiro processo que abordámos foi a criação de valor, e hoje quero falar-te um pouco das diferentes formas que existem para o fazer. Vamos abordar 12 possibilidades de criares valor, e quem sabe até consigas tirar alguma ideia para algo que estejas a pensar realizar. Sem mais demoras, vê abaixo quais são.

 

Produto

 

Uma das formas mais tradicionais de criar valor. Quase tudo o que temos nas nossas casas são produtos, a TV, a torradeira, o sofá, o computador, os livros, etc. Estes são muito vantajosos porque após construíres um produto, o esforço de o replicar é muito baixo. É por isso que nos produtos o efeito de escala se verifica. Por exemplo, um produto construído para ser vendido através da internet tem um esforço inicial grande, mas depois pode ser vendido milhares de vezes.

Do ponto de vista de uma empresa, para manter um produto necessitas de assegurar o seguinte:

 

1. Criar um artigo tangível que os outros desejem;

2. Produzir esse mesmo artigo da forma mais económica possível, mantendo sempre a qualidade desejada;

3. Vender o maior número de unidades desse mesmo artigo pelo máximo preço que o mercado esteja disposto a pagar;

4. Manter stock suficiente desse artigo que permita fazer face às encomendas que vão chegando.

 

Serviço

 

Tirando os produtos, os serviços são também das formas mais utilizadas de fornecimento de valor. Vemos serviços em todo o lado, desde consultoria, limpezas ou cortes de cabelo, até serviços mais recentes como passear cães.

Para que possas ter uma empresa baseada em serviços necessitas de assegurar o seguinte:

 

1. Dispor de pessoas que tenham uma competência ou capacidade que outros necessitem, seja por não o quererem fazer seja por não terem competência para o fazer. Quanto mais rara for essa competência mais vais conseguir cobrar pelo serviço;

2. Assegurar que o serviço é prestado com o máximo de qualidade;

3. Atrair e manter clientes pagantes.

 

Recurso Partilhado

 

Um recurso partilhado é um bem durável e utilizável por muitas pessoas. Bons exemplos são as passadeiras ou bicicletas que vês nos ginásios, ou as trotinetes que vês em todo o lado por Lisboa. Foram adquiridos uma única vez para serem utilizados múltiplas vezes, permitindo encaixar receita sempre que são usados. O desafio aqui passa por teres o número ideal de utilizadores, já que poucos utilizadores não te vão permitir manter e melhorar o recurso, e muitos utilizadores podem levar a uma queda de qualidade e posterior descontentamento de quem o utiliza.

Para teres um recursos partilhado eficaz necessitas do seguinte:

 

1. Criar ou adquirir um bem a que outros queiram ter acesso;

2. Servir o maior número de utilizadores possível, sem que isso afete a qualidade da experiência deles;

3. Cobrar um valor que permita manter e melhorar o recurso partilhado.

 

Subscrição

 

Muito em voga nos dias que correm, cada vez vemos mais criação de valor via subscrição. Exemplos como o Netflix ou Spotify são bons exemplos disso. Pressupõe-se então que o utilizador está disposto a pagar um valor de forma periódica a troco de benefícios que este valoriza. A subscrição é uma das formas de criação de valor mais atrativas, já que sabes com exatidão o rendimento mensal que vais auferir. Ao invés de teres de estar de forma constante a tentar vender aos teus clientes, podes concentrar-te em fidelizar e manter os atuais.

Para que consigas criar um modelo de subscrição bem sucedido necessitas de:

 

1. Fornecer valor a cada subscritor de forma regular;

2. Construir uma base de subscritores e atrair continuamente novos, já que neste tipo de criação de valor é normal existir a erosão de subscritores ao longo do tempo;

3. Cobrar de forma periódica aos clientes;

4. Manter os subscritores pagantes pelo período máximo de tempo possível.

 

Revenda

 

Neste caso, trata-se basicamente de comprar barato e vender caro. A revenda é a aquisição de um bem a um grossista (normalmente em grandes quantidades), seguida da sua venda, por um preço superior, permitindo encaixar a margem. Um bom exemplo é a Sonae, que compra produtos a produtores (frutas, legumes, etc), para os vender nos seus supermercados a preços mais elevados. A diferença entre o valor a que vende pelo valor a que compra é a sua margem. Os produtores acabam também por ganhar com isto porque não necessitam de se estar a preocupar com a venda de milhões de unidades dos seus produtos a diversos clientes. Ao vender a um único retalhista permite-lhes focar naquilo que fazem bem, produzir com qualidade.

Para teres sucesso com revenda, deves ter em atenção o seguinte:

 

1. Adquirir produtos de forma o menos dispendiosa possível (por exemplo em grandes quantidades);

2. Conservar o produto em boas condições até ao momento da venda, já que se não estiver não poderá ser vendido;

3. Encontrar compradores o mais rápido possível, já que ter muito produto em stock faz disparar os custos de armazenamento;

4. Vender o produto com uma margem de lucro o mais alta possível.

 

Criar valor

 

Aluguer

 

Um aluguer consiste na obtenção de um bem que posteriormente será cedido a alguém durante um período de tempo, em troca de uma renumeração. Voltando uns anos atrás, quando te dirigias a um vídeoclube e trazias um filme para ver em troca de dinheiro, estavas a fazer um aluguer. O mesmo acontece com casas e carros, podes pagar uma renda mensal em troca da utilização de determinado imóvel ou automóvel. O aluguer normalmente permite a pessoas usufruirem de algo que seria mais dispendioso tê-lo se o comprassem. Por exemplo, comprar um novo Mercedes é muito dispendioso, mas podes optar por fazer um leasing ou renting durante um ano e utilizar diariamente esse mesmo automóvel. Existe algo muito importante, deves sempre garantir que o que vais cobrar pelo aluguer permitirá cobrir na totalidade o custo do bem antes deste se deteriorizar ou perder (caso contrário ao invés de criar valor estás a destruir valor).

Um aluguer de sucesso depende do seguinte:

 

1. Adquirir um bem que outros estejam dispostos a utilizar;

2. Alugá-lo a clientes pagantes, sempre salvaguardando esse mesmo bem;

3. Proteger-se de ocorrências inesperadas, incluindo a perda ou deteriorização do bem alugado.

 

Agenciamento

 

O agenciamento passa pela realização de tarefas de marketing e comercialização de um bem que não se possui. Ao invés de seres tu a produzir valor, associas-te a alguém que tem valor para oferecer, trabalhando no sentido de encontrar um comprador. Em troca disso recebe-se uma comissão ou honorário. Um exemplo de agenciamento é o que acontece por exemplo com agentes imobiliários. Estes não possuem o bem (o imóvel), apenas atuam como uma ponte entre o vendedor e os compradores. Um bom agente permitirá a um vendedor aumentar em muito a sua taxa de sucesso numa venda, já que normalmente têm contactos e toda uma rede disponível que os apoia.

Para um agenciamento de sucesso necessitas:

 

1. Encontrar um vendedor que tenha um bem valioso;

2. Estabelecer contacto e confiança com potenciais compradores;

3. Negociar com compradores de forma a chegar a um acordo relativamente aos termos de venda;

4. Cobrar ao vendedor os honorários ou comissão previamente acordada.

 

Agregação de Grupo-Alvo

 

A agregação de grupo-alvo implica ter a capacidade de juntar um grupo de pessoas com interesses comuns, tentando depois vender a terceiros o acesso a esse grupo. Parece mais difícil do que é, mas vê o caso de um influencer do Instagram. Imagina alguém que adora desporto e partilha diariamente fotos e conselhos para seguir um estilo de vida saudável. O seu grande objetivo vai passar por ter um número grande de seguidores que se preocupam exatamente com um estilo de vida saudável. Depois de ter um número de seguidores alto, empresas que tenham produtos ou serviços relacionados com estilo de vida saudável poderão pagar ao influencer para ter acesso aos seus seguidores, expondo-os a publicidade que os leve a comprar os seus produtos.

Neste tipo de criação de valor deves assegurar o seguinte:

 

1. Identificar um grupo de pessoas com interesses comuns;

2. Criar e manter forma de atrair de modo consistente a atenção desse grupo;

3. Encontrar terceiros interessados em captar a atenção desse público;

4. Vender o acesso a esse público, tendo sempre o cuidado de não o alienar.

 

Empréstimo

 

Todos nós conhecemos os empréstimos. Muitos têm empréstimos que lhes permitem comprar casas ou um carros, que de outra forma não lhes seria possível possuir. Na prática um empréstimo é a capacidade de emprestar dinheiro a alguém, sendo este devolvido numa base regular, acrescido de uma taxa de juro. Todos os bancos o fazem, sendo uma das suas principais formas de gerar riqueza e lucro. O risco passa por desenvolver formas de se precaver para o caso de a pessoa a quem fez o empréstimo deixar de lhe pagar as mensalidades em dívida.

Para a realização de um empréstimo de sucesso vais necessitar:

 

1. Dispor de dinheiro para investir;

2. Encontrar alguém disposto a pedir esse dinheiro emprestado;

3. Cobrar uma taxa de juro que compense o empréstimo;

4. Proteger-se para a possibilidade do empréstimo não ser reembolsado. 

 

Opção

 

Uma opção implica realizar uma ação num período previamente estabelecido em troca de uma renumeração. Trocando isto por míudos, estás a pagar pelo direito de realizar algo no futuro, contudo tens sempre a escolha de não o fazer. Por exemplo, quando compras um bilhete para um festival de música, estás na realidade a comprar uma opção, ou seja, a comprar o direito de entrar no recindo do festival e ver o espetáculo. Podes sempre à última hora optar por não o fazer e perder o investimento realizado, daí ser uma opção. O mesmo acontece quando compras um bilhete para o cinema ou quando dás um sinal monetário sempre que tencionas arrendar um imóvel.

Quando pensares em opções, deves pensar no seguinte:

 

1. Identificar uma ação que algumas pessoas possam querer realizar no futuro;

2. Proporcionar aos potenciais compradores o direito a realizar essa ação antes de um determinado prazo (mediante pagamento);

3. Impor o limite do prazo para poder realizar a ação. 

 

Seguro

 

Um seguro permite transferir um risco do comprador para o vendedor. A grande maioria de nós tem um seguro automóvel, um seguro de saúde ou um seguro de vida. Na realidade, um seguro nada mais é que aceitar pagar um valor monetário para que o vendedor fique com o risco do lado dele. No caso de um seguro automóvel, se tiveres seguro contra todos os riscos e bateres com o teu carro, vais estar tranquilo porque já transferiste esse risco no passado. Será a seguradora a fazer face a todas as despesas. Por outro lado, a seguradora ao aceitar esse risco vai exigir da nossa parte pagamentos regulares.

Para conseguires criar valor com seguros deves assegurar o seguinte:

 

1. Criar um acordo legal que transfira o risco de determinada ocorrência negativa para ti;

2. Estimar o risco dessa ocorrência negativa ocorrer;

3. Cobrar a série de pagamentos acordada ao longo do tempo;

4. Pagar indemnizações legítimas caso o risco ocorra.

 

Capital

 

O capital representa a aquisição de uma quota de participação numa empresa. Se já ouviste falar dos Business Angels, sabes que são pessoas com muitos recursos que investem em negócios com potencial, recebendo em troca uma participação na empresa, esperando com isso que a empresa prospere e que o seu investimento seja totalmente reavido. Após atingir esse ponto, tudo o que vier é lucro. Se já viste o programa Shark Tank sabes bem do que se trata. Algumas pessoas levam uma ideia de negócio a grandes investidores e estes dizem se estão ou não interessados em investir em troca de uma participação na empresa.

A aquisição de ações de uma empresa também se pode considerar capital, já que se está a investir dinheiro em troca de uma pequena parte da empresa.

Para forneceres valor através de capital tens que:

 

1. Dispor de recursos para investir;

2. Encontrar um negócio promissor no qual estejas disposto a investir;

3. Realizar estimativa do valor atual da empresa, calcular o valor futuro, e avaliar possibilidade da empresa falir (resultando na perda total do investimento);

4. Negociar a quota de participação que vais receber em troca do capital que investires. 

 

Uff, é tudo, penso que com isto ficas com uma ideia geral de todas as formas que tens de criar valor. De todas estas, com quais te identificas mais?

 

Este foi inspirado no livro "O meu MBA" do Josh Kaufman.

 

Espero que tenhas gostado, até à próxima 

 

 

13
Out19

Os 5 processos básicos na criação de uma startup

Luís Rito

Olá !

 

Parece que nos dias de hoje todos anseiam por ser empreendedores. Ter o seu próprio negócio está mesmo na moda. Os motivos são vários, alguns procuram-no porque não se sentem realizados nos seus empregos atuais, outros acham que vão enriquecer, outros querem ter a liberdade de tomar as rédeas e ser responsáveis por todas as decisões e não terem que obedecer a hierarquias enquanto outros apenas anseiam por criar algo e deixar a sua marca na humanidade. Seja qual for o motivo, ao longo dos anos tenho falado com pessoas que querem muito criar um negócio, mas que não respeitam o mínimo dos mínimos que devem assegurar para colocar de pé uma empresa. Independentemente da empresa, seja ela grande ou pequena, deve seguir 5 processos básicos para assegurar a sua sobrevivência. Parece simplista mas na realidade creio que tudo se resume a 5 macroprocessos. Isto significa que se queres criar um negócio do zero, aconselho-te a olhar com muita atenção para os 5 processos que te descrevo abaixo.

 

Criação de valor

 

Este é o processo basilar. Apenas tens uma empresa se produzires algo de valor que o mercado queira comprar. Seja um produto ou um serviço, o teu objetivo deve ser encontrar uma necessidade e satisfazê-la. Podes optar por procurar uma necessidade nova ou tentar ganhar uma parcela num mercado já implantado. Sempre que exista concorrência, apenas vais conseguir vingar se o teu produto/serviço for melhor ou se cobrares um preço mais baixo. Muitas startups tecnológicas focam-se em nichos de mercado para construir o seu negócio. Temos ainda algumas empresas que conseguem criar novas necessidades, e sempre que isso acontece normalmente a empresa ganha uma boa vantagem competitiva inicial. Por exemplo a Tesla, optou por criar o seu carro eléctrico numa altura em que nenhuma empresa tinha essa tecnologia madura. Com isso conseguiu uma grande vantagem no que toca a tecnologia de baterias para automóvel. Se estás a dar os primeiros passos na criação de uma empresa, certifica-te que te encontras a produzir valor que o mercado procura.

 

Marketing

 

Pois é, não basta criar algo de valor, há que mostrar ao público-alvo que temos algo interessante que pode resolver os seus problemas. É aí que entra o processo número dois, o marketing. Já reparaste como um bom marketing faz toda a diferença? Como pode transformar um produto bom num produto excelente? Vê por exemplo o marketing que é feito pela Apple. Os seus produtos são verdadeiramente desejados por uma legião de pessoas, transformando-as em seguidoras fiéis que espalham a palavra acerca das maravilhas que é ter um produto da marca da maçã. Se estás portanto a construir uma startup, não descures o poder do marketing. Podes até ter algo de valor, mas se não chegas às pessoas a quem o queres vender não vais conseguir ter sucesso.

 

Vendas

 

Todas as empresas têm uma equipa comercial. São quem consegue transformar prospects em clientes pagantes, e a tua empresa não é exceção. Criaste um bom produto ou serviço, investiste em bom marketing, e agora necessitas de fazer os futuros clientes terem a certeza que se comprarem a ti vão ficar melhor servidos do que se comprarem ali ao concorrente vizinho. Uma boa equipa comercial aliada a bons processos pode fazer toda a diferença numa empresa. Estas pessoas têm que conhecer de trás para a frente o que a empresa vende, e têm que ter a capacidade de responder a todas e quaisquer questões que os potenciais clientes possam ter.

 

Startup

 

Fornecimento de valor

 

Se chegaste até este processo então parabéns, já te encontras a vender algo. Este processo visa detalhar a forma como vais entregar o teu produto ou serviço. Vais fazê-lo através da internet? Vais fornecer um serviço em que terás de estar presencialmente junto do cliente? Ou por outro lado vais utilizar um intermediário para fazeres as tuas vendas? A forma como vais entregar valor ao teu cliente deve ser detalhada para que não tenhas surpresas futuras. Para além disso, neste processo deves também pensar em serviço pós-venda. Vais ter algum? Como vais responder a questões dos teus clientes? Como vais lidar com as reclamações caso tenhas algumas? Não assumas que depois de fazeres a venda a tua relação com o cliente acaba por aí. Quanto mais satisfeito o mantiveres maior possibilidade existe dele falar bem da tua empresa a outros potenciais clientes. Já para não falar que se vendes mais que um produto ou serviço podes tentar fazer-lhe cross-selling ou up-selling. Não descures este ponto muito importante.

 

Finanças

 

Por último vem aquilo que mantém as empresas em funcionamento, o dinheiro. Uma empresa apenas se consegue manter em funcionamento enquanto o seu fluxo de caixa é positivo, ou seja, as receitas forem superiores aos custos. Se isso não acontecer mais tarde ou mais cedo vais ter que fechar portas e encerrar atividade. Deves portanto gerir as finanças da tua empresa com especial detalhe. Faz orçamentos, verifica continuamente se estás ou não a gastar mais que devias, e se estás, faz planos de ação para reduzir custos e manter a empresa com uma boa saúde financeira. Tenta não te endividares muito, principalmente se estás ainda a lançar-te na tua pequena startup. Considero que nesta fase de arranque há que ser um pouco cauteloso e jogar mais pelo seguro, senão corres o risco da tua empresa fechar e ainda te veres a braços com empréstimos de créditos que tens que assegurar.

 

Em jeito de conclusão, se estás a pensar abrir o teu próprio negócio, foca-te pelo menos nestes 5 grandes processos. Deves ter resposta para todos eles antes de te lançares. Lembra-te que não necessitas de processos perfeitos, já que com o tempo vais acabar por afiná-los. Contudo, tenta pelo menos pensar sobre o que te falei acima, já que te vai obrigar a uma reflexão que muito possivelmente te vai salvar a muitos dissabores futuros.

 

Este post foi inspirado no livro "O meu MBA" do Josh Kaufman.

 

Espero que tenhas gostado, até à próxima 

 

30
Set19

Hábitos do profissional de excelência

Luís Rito

Olá a todos 

 

Hoje vamos falar de hábitos! Quem tem vindo a acompanhar o meu blog sabe a importância que dou à criação de hábitos. Continuo a achar que são a melhor forma de atingirmos a nossa melhor forma enquanto profissionais. Os hábitos que te vou descrever abaixo podem ser adaptados a qualquer tipo de profissão. Com curiosidade? Dá uma vista de olhos.

 

1. Obter certificação específica e relevante para a tua área de atuação. No caso de um gestor de projetos deves focar-te por exemplo nas certificações do PMI (Project Management Institute), já que continuam a ser das mais reconhecidas no mercado. Tenta obter uma certificação nova pelo menos a cada dois anos. Quando falo em certificação, podes pensar também em mestrados, MBA, etc. Não te concentres apenas em gestão de projetos, existe uma panóplia de temas que enquanto gestor de projeto podes melhorar, como por exemplo liderança, negociação, gestão de equipas de alto rendimento, six sigma, lean, etc etc. As possibilidades são mais que muitas.

 

2. Lê as propostas de emprego que existem na tua área e percebe se os teus skills ainda estão adequados ao mercado. É muito importante perceberes se ainda és relevante no mercado atual de trabalho. Caso existam muitos pontos que sentes que não dominas, é hora de embarcar em cursos presenciais, online, livros, YouTube, etc. Procura sempre a melhoria contínua.

 

3. Lê artigos ou publicações específicas da tua indústria de atuação. Procura estar por dentro das novas tendências, por vezes vais perceber que poderão ser modas passageiras, mas na grande maioria o teu tempo será muito bem investido. Não fiques cristalizado. Se achas que após saíres de uma faculdade já não vais precisar de aprender ou estudar materiais novos então vais ficar muito atrás da tua concorrência.

 

4. Escreve artigos ou ensina materiais que dominas. Para mim não existe melhor forma de te tornares especialista num tema que tentares ensiná-lo a outras pessoas. Essa partilha para além de ter um grande benefício para quem recebe a informação, acaba por ser também fantástica para ti, porque vais acabar por dominar os temas. Outro ponto positivo é que quando partilhas informação, quem a recebe pode também incluir novas ideias, o que vai resultar em conceitos mais robustos. Construir e partilhar é sempre melhor que esconder ou destruir.

 

5. Não queimes pontes. O teu trabalho deve ser sempre na perspetiva de construir pontes e nunca de as queimar. Deves trabalhar a tua capacidade de empatia e de negociação, já que a primeira te vai permitir perceber e entender quem está do outro lado, e a segunda vai-te permitir chegar a um consenso que resulte em situações de win-win. Entrares em guerra com as outras pessoas só vai tornar o teu trabalho mais difícil.

 

6. Faz exercício físico, alimenta-te bem e dorme aquilo que necessitas. O exercício físico liberta endorfinas (hormona da felicidade), faz-te parecer mais novo e dá-te mais energia no dia a dia. Quanto a mim parecem-me demasiadas vantagens para não as aproveitares, a única coisa que tens de prescindir é de 30m por dia para o realizar. Uma excelente alimentação também te torna mais saudável, transforma o teu cérebro num orgão mais "oleado" e faz-te sentir mais leve. Come muitos vegetais, gorduras ricas em ómega 3 como o azeite ou peixes gordos como salmão ou sardinha e bebe água continuamente ao longo do dia. Tenta ainda comer mais carnes brancas e menos vermelhas. Finalmente, nunca facilites na hora de descansar. O teu cérebro não funciona bem quando não dormes o suficiente, portanto dorme a quantidade de horas que necessitas. No meu caso fico bem com 7h a 7h30, portanto tento não dormir nem mais nem menos.

 

Exercício Físico

 

7. Junta algum dinheiro que te permita fazer face às tuas despesas mensais por um período de 6 a 12 meses. Podes pensar que este hábito está um pouco desenquadrado com os que te apresento acima, mas não subestimes o poder que teres esta almofada financeira te dá. Em primeiro lugar, cultivar um hábito de poupança é uma excelente forma de te preparares para o teu futuro e para a tua reforma. Em segundo lugar, teres este dinheiro de lado permite concentrares-te unicamente nas tuas funções do dia a dia, e não em dinheiro. Profissionais que se preocupam demasiado com contas que têm para pagar não são tão produtivos. Tens muitas empresas que pagam muito bem a alguns dos seus colaboradores para que eles não tenham que dispender massa cinzenta a pensar em dinheiro. Assim, quando algum imprevisto te acontece como um arranjo no carro, já não vais andar em sofrimento a pensar onde vais buscar o dinheiro, podes viver uma vida mais tranquila. Outra vantagem é que ter dinheiro te pode abrir oportunidades que estão vedadas quando não o tens. Por exemplo, se quiseres ir tirar um MBA podes ir fazê-lo sem estar a depender de empresas de crédito ou bancos, é tudo mais tranquilo e rápido. Também te permite encarar o dia a dia com outra atitude, já que vais deixar de ter tanto medo de vir a ser despedido. Em algumas pessoas isso transforma-se em mais garra e vontade de arriscar (algumas pessoas têm demasiado medo de errar e de vir a ser despedidas), o que na maioria das vezes origina bons resultados.

 

Agora é a tua vez. Dos hábitos que te apresento acima, és fã de algum? Quantos praticas no teu dia a dia?

 

Por hoje é tudo, até à próixma 

 

 

16
Set19

E se tivesses um cérebro extra?

Luís Rito

Olá a todos, espero que se encontrem bem.

 

Recentemente li um livro que achei muito interessante. Fala sobretudo de como podes aumentar a tua produtividade para níveis que nunca pensaste ser possível. Muitos dos pontos que o livro aborda são senso comum, mas é assustador como nunca pensámos neles antes. Hoje quero partilhar convosco um modelo descrito no livro e como com uma simples técnica podes ter um cérebro extra . O livro que te falo é o "Productivity Ninja" do autor Graham Allcott. Podes dar uma vista de olhos na Amazon através deste link.

 

Bom, vamos por partes. O autor refere muitas vezes o poder de teres um mecanismo para guardares tudo o que pretendes realizar, sempre fora do teu cérebro. A ideia é libertares a tua mente e fazeres este registo numa aplicação, folha, caderno, etc. O sítio onde vais efetuar o registo de todas as tuas tarefas vai funcionar como um segundo cérebro, permitindo-te navegar por ele de uma forma simples e eficaz, possibilitando escolheres as tarefas mais adequadas para a tua semana e consequentemente para o teu dia. Tens que ter algum rigor na forma como mantêns o teu segundo cérebro atualizado, já que é a única forma de vires a confiar a 100% nele.

 

Na minha opinião, a melhor forma de fazeres este registo é através de aplicações na cloud, já que te permitem ter acesso às tuas tarefas no teu telemóvel, tablet ou computador. Ferramentas como o Microsoft To Do, Onenote, Evernote ou o Todoist permitem ainda que possas movimentar tarefas entre grupos de uma forma muito rápida. O bom velho caderno também é ótimo para registar tarefas, contudo torna mais difícil a movimentação de tarefas entre grupos e também a sua prioritização.

Por esta altura deves estar a perguntar-te do porquê de investires mais tempo a manter uma outra aplicação viva. Falo-te por experiência própria quando digo que vale muito a pena. O facto de tirares todas as atividades da tua cabeça dá-te uma claridade e foco incríveis. Mais, permite-te definir prioridades para todas essas tarefas e manteres olho nos teus objetivos de médio e longo prazo. Outra vantagem é que te permite ao longo dos teus dias ir recolhendo novas ideias & tarefas e registando-as rapidamente no teu segundo cérebro, evitando que fiquem esquecidas.

 

Deves escolher uma ferramenta que te permita criar grupos e listas de uma forma simples, já que te vão ajudar a agrupar a informaçao de forma lógica. Abaixo coloco-te exemplos de listas e grupos que podes criar (segundo o livro que te falei no início deste post). Podes utilizar como inspiração para a tua própria estrutura.

 

Referência - Como o nome indica, deves registar aqui informação que consideres importante guardar para futuro. Aqui é mais normal que os registos não sejam propriamente tarefas mas sim registos de informação útil e relevante. Encara como algo onde não tens que fazer nada no momento, mas parece demasiado importante para deitar fora (como a roupa ou as panelas que as nossas mães acumulam ao longo dos anos ).

 

Lista de boas ideias - Lista onde deves registar ideias que consideras serem boas, e que aches que vale a pena olhar para elas mais uma vez. O que fica registado nesta lista terá prioridade baixa, ou seja, não te sintas obrigado a realizar tudo o que lá tens. Encara-a como uma lista de coisas que achas boa ideia vir a realizar no futuro. Deves colocar o máximo de ideias nesta lista, sem que te sintas culpado por não as realizar.

 

Lista de espera - Nesta lista caem todas as tarefas que já não dependem de ti, ou seja, aguardam ação de uma outra pessoa. É ideal para não te esqueceres de tarefas em que dependes da resposta de alguém, como por exempo, quando delegas uma atividade. Isso torna-a perfeita para que de tempos em tempos a consultes e faças disparar uns quantos emails ou chamadas de follow-up.

 

Grupo de projetos - O grupo de projetos deve conter uma lista para cada um dos projetos em que estejas envolvido, permitindo-te uma mais fácil navegação.

 

Lista Mestre - Nesta lista deves colocar todas as tarefas que não cabem em nenhuma das listas acima. Será a tua maior lista, e aquela que mudará com mais frequência. Se preferires, podes optar por criar um grupo ao invés de uma lista, e dentro desse grupo mestre podes ir acrescentando listas para te ser mais fácil navegar. Podes por exemplo dividir a tua lista mestre em "Pessoal", "Profissional", "Chamadas a realizar", "Pensar/Decidir" entre outros. A lista mestre será diferente de pessoa para pessoa.

 

Hoje - Lista que deve conter todas as tarefas que planeias realizar no dia atual. Basicamente algumas das tarefas que vivem em todas as listas acima, são colocadas na lista hoje para entrarem no teu pipeline de tarefas a realizar no dia em que te encontras.

 

Agora que conheces as listas, vou-te falar do fluxo (CORD) que deves seguir para fazeres uma boa gestão do teu segundo cérebro. Primeiro, dá uma vista de olhos na imagem abaixo.

 

Ninja CORD diagram

Imagem obtida através do site https://thinkproductive.co.uk/

 

Tudo começa com a captura de informação, seja através de ideias que possas ter, telemóvel, conversas de café, reuniões, emails, etc. A pergunta que deves colocar desde logo é, "Existe uma ação que deve ser realizada?". Em caso negativo, deves colocar esse registo num de três sítios, o lixo, a tua lista de referência ou a tua lista de boas ideias. 

Caso exista uma ação que deva ser realizada, deves verificar se a ação é ou não para ti. Em caso negativo deves colocá-la na tua lista de espera. Se por outro lado a ação é para ti, utiliza o teu grupo mestre ou o teu grupo de projetos para a registares. Finalmente, caso a tua ação tenha um deadline, regista-o na tua tarefa ou no teu gestor de email como por exemplo o Outlook para que não te esqueças.

 

Idealmente deverias ter sempre momentos de revisão de toda a lista, como por exemplo um momento semanal onde defines o que pretendes fazer durante a semana, e outro diário onde defines o que deves fazer diariamente (com base no que planeaste para a semana). Nao vou mentir, isto é algo que envolve algum trabalho e muita consistência, mas garanto-te que vai elevar a tua produtividade para níveis onde nunca estiveste. Se te sentires pronto, começa já amanhã, um passo de cada vez. Começa por criar a tua estrutura e vai alimentando-a de tudo o que te for chegando. O importante é consistência até criares o hábito .

 

Por hoje é tudo, espero que tenhas gostado, até à próxima!

 

04
Set19

Gere a tua carreira , ninguém o vai fazer por ti

Luís Rito

Olá a todos , espero que se encontrem bem.

 

Hoje escrevo-vos num ambiente mais informal, na varanda do hotel onde estou hospedado a gozar as minhas merecidas férias . Antes que comecem a chamar-me nomes, deixem-me explicar o porquê de estar a partilhar esta informação. As férias são sempre momentos ótimos para desligar da loucura do dia-a-dia e pensar onde estamos e para onde queremos ir. É também um excelente momento para pensares na tua carreira. Muitas vezes tenho falado com excelentes profissionais que põem toda esta tarefa nas mãos da empresa onde trabalham, o que para mim é um grande erro. Não digo que não seja importante ter em mente o que a empresa espera que faças, mas é só um primeiro passo. Noutras situações, vejo pessoas que facilmente ficam desmotivadas porque as suas empresas não têm planos de desenvolvimento bem definidos, e portanto optam por assumir uma atitude passiva (não fazer nada e somente criticar).

 

Do meu ponto de vista, a tarefa de definição de um plano de desenvolvimento deve ser algo que deves levar muito a sério! E caso a tua empresa não te dê nenhum, deves fazê-lo tu mesmo. Aliás, deves fazê-lo ainda que a tua empresa te dê de bandeja um plano de carreira e formação. Ninguém melhor que tu sabe as lacunas que tens, quais as tuas forças e onde te vês daqui a 5 anos. Este tipo de trabalho deve ser executado quando te encontres num período de atenção máxima, ou seja, com grande foco na tarefa que tens em mãos. Para leres mais sobre momentos de atenção máxima, dá uma vista de olhos no post "Como geres a tua atenção?".

 

Normalmente opto por dividir o meu plano de desenvolvimento em rubricas maiores, como por exemplo, formação, certificações, experiência, rede de contactos, ferramentas e projetos que quero realizar. Tudo isto deve sempre ser preenchido com um olhar atento no teu futuro próximo, ou seja, onde te vês daqui a uns anos (normalmente 5). O plano não passa de um conjunto de ações que te permitem pouco a pouco chegar ao teu objetivo. É como um projeto, podes acrescentar milestones ao longo do caminho, e não te inibas de ter momentos de celebração quando os conseguires atingir.

 

Crescimento

 

Para que possas ter uma ideia mais clara de como fazer um plano de desenvolvimento, coloco-te abaixo um exemplo para alguém que ambiciona um dia ser gestor de projetos.

 

Formação

 

Que formação necessitas de ter para vir a ser um gestor de projetos? Caso pretendas tirar uma certificação do PMI (Project Management Institute), como por exemplo o PMP (Project Management Professional), necessitas obrigatoriamente de uma formação em gestão de projetos. Deves criar tarefas que te permitam chegar lá. Por exemplo, fazer pesquisa sobre que formações são aceites para te candidatares ao PMP, investigar a que tem melhor relação preço/benefício, garantir que tens recursos financeiros para a realizar e avançar para a sua concretização. 

Para além da formação em gestão de projetos, gostavas de investir em algo mais? Por exemplo, formações em liderança e negociação são sempre algo muito importante para um gestor de projetos. Repara que quando falo em formação não tem que ser sempre em sala. Existem várias formas de te formares, como por exemplo leres livros, assistires a formações através da internet ou simplesmente ver palestras de pessoas com experiência no tema através do YouTube. Na era da internet só não aprende quem não tem vontade de o fazer.

 

Certificações

 

Para além da formação, queres investir em certificações? As certificações acabam por ter um maior reconhecimento no mercado de trabalho, já que certificações têm sempre um exame associado que atesta as capacidades do formando. Dito isto, no exemplo que te dei, creio que algumas boas certificações seriam o PMP para gestão de projetos tradicional ou a PMI-ACP para gestão de projetos Agile. Podes também concluir que preferes investir em Six Sigma, Lean, Scrum, etc...as possibilidades são enormes.

 

Experiência

 

Que experiência necessitas para ser um gestor de projetos? Aqui depende muito de onde estás enquadrado. Diria que é sempre uma grande mais valia perceber do negócio onde te encontras. Se por exemplo estás na banca certifica-te que sabes bem todos os seus truques & dicas e que conheces a grande maioria dos termos técnicos. Depois da experiência no negócio, deves focar-te em experiência técnica. No nosso exemplo, se não tens qualquer experiência em gestão de projetos, tenta primeiro ser parte integrante de uma equipa de projeto. Dessa forma podes observar diretamente como age o gestor do projeto, como lida com os problemas e como gere a equipa. Se tiveres possibilidade oferece-te para voluntariado relacionado com gestão de projetos. Finalmente, tenta adotar a gestão de projetos ao teu trabalho atual, pensa nas tuas tarefas de forma estruturada, por exemplo se têm dependências entre elas, qual o seu esforço e quando é expectável concluires cada uma delas. Aproveita todas as oportunidades para aprenderes as bases.

 

Rede de contactos

 

Existem contactos que podes realizar que te permitam atingir mais facilmente o teu objetivo? Se sim, deves listá-los a todos e definir qual a estratégia de abordagem para cada um deles. Imagina que a tua empresa já tem um grupo de gestores de projeto. Diria que um dos teus maiores interesses deve ser interagir o máximo possível com eles. Normalmente as pessoas gostam de ajudar, basta que peças. Pede ajuda, tenta perceber quais as suas tarefas no dia-a-dia, tenta obter orientação/coaching da parte deles, a sua experiência vai ser para ti de um valor enorme. Podes também fazer uso do LinkedIn para te ligares a pessoas da mesma área/indústria, utiliza o poder da internet.

 

Ferramentas

 

Que ferramentas tens que dominar para atingires o teu objetivo? No nosso exemplo poderia por exemplo ser o Microsoft Project, Excel (avançado), Visio, Jira, Sharepoint, etc. Dedica algum do teu tempo a aprender mais sobre todas essas ferramentas, e acima de tudo pratica muito...é a única forma real de aprender algo. 

 

Projetos a realizar

 

Queres realizar um ou mais projetos pessoais nos próximos tempos? Deves listar aqui todos os pontos onde queres investir o teu tempo. Podes por exemplo querer escrever um artigo por mês sobre gestão de projetos, escrever um livro, desenvolver uma app ou criar um blog. As opções são infinitas. Escolhe sempre algo que te motive.

 

Após identificares que pontos queres desenvolver em cada uma das rubricas que te enumerei acima, deves organizá-las como se de um projeto se tratasse. Este é o ponto mais importante, a tua capacidade de execução é bem mais relevante que a de planeamento. Podes ser o melhor planeador do mundo, mas se não pões em prática o teu plano não te vai servir de muito.

Assim, todas as tarefas que definiste no teu plano devem ter uma data limite, se não tiverem vais acabar por perpetuá-las no tempo e não vais conseguir realizar a grande maioria delas. Tens que ser implacável na concretização do teu plano de desenvolvimento, garanto-te que é um exercício que vale a pena. Também te garanto que quando olhares para trás e visualizares tudo aquilo que já concretizaste vais perceber a evolução que tiveste ao longo dos anos. Este exercício dá-te uma clareza e foco total, o que te permite também descartar tarefas que não estejam alinhadas com a tua visão futura. Lembra-te que nos dias de hoje menos é mais!

 

E tu, já investiste na realização do teu plano de desenvolvimento?

 

Espero que tenhas gostado, até à próxima 

 

 

28
Ago19

Como geres a tua atenção?

Luís Rito

Olá a todos 

 

Hoje quero falar-vos de um dos recursos mais escassos que temos nas nossas vidas. Se tens vindo a acompanhar o meu blog, sabes que te falo sempre de um recurso muito importante, o tempo. Contudo, hoje vamos falar de algo que quanto a mim é tão ou mais importante que o tempo, a nossa atenção. Antes que te comeces a interrogar o que quero dizer com atenção, pensa um pouco comigo. Já reparaste que algumas pessoas têm picos de produtividade enormes pela manhã, enquanto outras o têm pela noite? Decerto sabes em qual te inseres, normalmente pessoas mais madrugadoras têm uma energia superior pela manhã, enquanto que pessoas mais noctívagas abominam acordar cedo, e muitas vezes fazem noitadas a estudar ou a trabalhar.

 

Esses picos de energia que te falei não são mais que reservas de atenção de que dispões diariamente para fazeres as tuas tarefas do dia a dia. Pois é, a tua atenção diária é finita, e apesar de acharmos que somos muito eficientes, na realidade o teu pico de atenção máxima é bastante curto. Somos seres humanos e não máquinas, motivo pelo qual é fisicamente impossível alguém apresentar níveis de atenção máxima durante horas a fio (pelo menos de forma natural). Os nossos níveis de atenção oscilam durante o dia, entre atenção máxima, atenção média e atenção baixa.

 

stay-focused.jpg

 

Dou-te abaixo um exemplo do que pode acontecer com uma pessoa madrugadora que tem muita energia pela manhã:

 

9h - 11h: Atenção máxima

11h-13h: Atenção média

14h-15h00: Atenção baixa

15h00-17h00: Atenção média

17h00-18h: Atenção baixa

 

Se analisares bem o teu dia, vais perceber que o teu período de atenção máxima é normalmente baixo, 2 ou 3 horas no máximo. O restante divide-se entre atenção média e atenção baixa. Quero só clarificar que atenção baixa não significa que deves relaxar e não fazer nada, mas sim que deves executar tarefas onde não necessites de muito "poder de processamento". Importa agora definir o que se entende por atenção máxima, média e baixa, e que tipo de trabalho deverias estar a realizar em cada uma dessas fases.

 

Atenção máxima - Período onde te encontras com um foco total e com vontade de conquistar o mundo. Este período é o ideal para executares tarefas que exigem de ti decisões difíceis, planeamentos complexos, pensamento criativo, produção de novos conteúdos ou materiais, ter conversas difíceis, reuniões vitais, etc.

 

Atenção média - Período onde te encontras "ligado", mas onde te distrais com alguma facilidade, onde o teu pensamento foge regularmente para outros pontos e onde por vezes tendes a fazer as coisas bem mas noutras acabas por facilitar. Este período é ideal para tomares as decisões do dia-a-dia, fazeres pesquisa na internet sobre algum tema importante, responderes aos teus emails, ires a reuniões recorrentes, etc. Aqui cabem a grande maioria das tarefas do dia-a-dia.

 

Atenção baixa - Durante este período estás completamente fora. Estás sem força de vontade para fazer o que quer que seja e a tua atenção está nos mínimos. Fazer tarefas complexas e difíceis torna-se algo quase impossível, já que vais sentir imensa dificuldade. Este período é ideal para fazeres tarefas rotineiras onde não necessitas de pensar muito, como por exemplo submeter despesas, arquivar/organizar email ou secretária, ir a reuniões que não são do teu interesse mas que não consegues evitar, beber café , etc. Tenta fazer tarefas em que podes estar em piloto automático (como quando conduzes o teu carro).

 

Já deves ter percebido que deves proteger a tua atenção máxima como se de ouro se tratasse. Tens que identificar em que parte do dia é que estás completamente no teu melhor, e deixar o trabalho pesado para essas alturas. O maior erro que podes fazer é gastar esse período em tarefas que deverias por exemplo estar a fazer quando os teus níveis de atenção são médios ou baixos. É como matar uma mosca com um canhão! Sê muito protetor com essas poucas horas de atenção máxima de que dispões. Tenta já amanhã identificar esse período, e no dia seguinte deixa uma tarefa difícil para executares no teu período de atenção máxima. Aposto que a vais executar sem qualquer tipo de problema e com uma qualidade superior.

 

Lembra-te de uma coisa, enquanto trabalhadores pensantes (knowledge workers), pagam-nos acima de tudo para pensar em melhores formas de fazer o nosso trabalho e ser criativos. O teu maior foco deve ser em pensar a melhor forma de realizar uma tarefa (utiliza o período de atenção máxima), já que depois quando chegar a parte da execução, poderás utilizar períodos de atenção média ou baixa. Se pensares bem antes de realizar uma tarefa, vais perceber que efetivamente executá-la é fácil, basta aplicares a estratégia que definiste. Não caias no erro de começar algo sem que penses bem na melhor forma de o realizar, é muito provável que venhas a perder tempo no futuro.

 

E tu, qual o teu período de atenção máxima, média e mínima?

 

Por hoje é tudo, até à próxima 

 

04
Ago19

Como combater o hábito da preguiça?

Luís Rito

Olá a todos,

 

Antes de mais, estamos em pleno Agosto, e como tal, para quem se encontra de férias, aproveitem ao máximo as tão merecidas férias .

 

Hoje vamos falar de preguiça. Não sei se também vos aconteceu o mesmo, mas quando era adolescente e sabia que tinha que ir estudar para um teste, subitamente dava-me vontade de ir arrumar o quarto (e arranjava motivos para dizer a mim próprio que arrumar o quarto era fundamental naquela hora). Todos nós, temos de uma forma ou de outra alguma preguiça para fazer algo que é difícil ou que não nos apetece.

Tudo isto tem um motivo, o nosso cérebro está otimizado para fazer sempre algo que já conhecemos e com o qual estamos confortáveis (para poupar energia), e procura sempre também o descanso e o conforto. É por isso que custa tanto ir ao ginásio, ou ir estudar para um teste. O nosso cérebro vai tentar "enganar-nos" de várias formas, para que não o façamos. Começamos a pensar, hoje tive um dia difícil, mereço ir descansar, que se lixe o treino, ou dizemos..."um dia não são dias", e lá te baldas ao que deverias estar a fazer. O problema é que depois existe uma forte probabilidade de te sentires culpado por não teres feito aquilo que devias ao invés de estares no teu sofá a contar carneiros .

 

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Pois bem, eu acredito que existem momentos para tudo, momentos para relaxar, para descansar, para não fazer nada (e acreditem que consigo mesmo estar sem fazer nada!!) e outros onde tens que trabalhar e perseguir os teus objetivos. Deixo-te abaixo algumas dicas que podes começar a aplicar já a partir de hoje.

 

Encontra a tua motivação

 

Sem motivação não vais conseguir chegar onde pretendes. Quer acredites quer não, o teu maior inimigo és tu próprio. Vão existir momentos em que vais duvidar de ti próprio e onde te vai apetecer desistir e mandar tudo às urtigas. É por isso que deves começar sempre por visualizar os benefícios de fazer essa tal tarefa que não te apetece. Se não o fizeres, existe uma grande probabilidade de a começares a procrastrinar. Por exemplo, no meu caso, quando me levanto todos os dias para ir fazer exercício físico o meu cérebro reage de imediato. Começo a pensar em como estou cansado, ou em como está frio ou a chover. O que me move é que penso sempre no porquê de o estar a fazer e no quão bem me vou sentir depois.

De forma semelhante, quando todas as semanas escrevo uma artigo para este blog penso em como posso estar a ajudar alguém (nem que seja só um pouco). Gosto muito de partilhar informação e coisas que fui aprendendo ao longo do tempo. Tal como adoro ler outros blogs ou ver filmes do Youtube onde aprendo algo novo, a minha ambição é também ensinar a quem lê este blog algo novo que possam utilizar no seu dia-a-dia, é esse o meu grande objetivo. Com uma missão bem definida, fica bem mais fácil fazermos aquilo que tem que ser feito.

 

Começa com algo simples

 

Simplesmente começa. O primeiro passo é sempre o mais difícil, vencer aquela inércia inicial é duro. Diria que a grande maioria das pessoas leva algum tempo até ficar "in the zone", ou seja, até vencer aquela resistência inicial e ficar totalmente focada naquilo que está a realizar. Tal como um automóvel que quando arranca necessita de aquecer o óleo antes de começar a acelerar, nós somos iguais. É por isso que uma boa estratégia passa por começares por realizar uma tarefa mais simples, até entrares em velocidade de cruzeiro e poderes abordar temas mais complexos. Na realidade, a tarefa simples apenas tem o propósito de vencer a resistência inicial. Se começas por algo complicado existe uma forte probabilidade de não o conseguires realizar de imediato, o que te pode levar a desistir. Portanto, escolhe algo simples, que saibas que és capaz de realizar sem problemas. Quando acabares essa tarefa vais ganhar um boost de motivação, e acabar por ficar mais "ligado", permitindo-te fazer tarefas mais complexas e difíceis.

 

Não comas o elefante inteiro

 

Dá um passo de cada vez. Se tentares pensar em tudo o que tens que fazer para uma grande tarefa, vais ficar submerso em dúvidas e com vontade de desistir. Tens de tentar ao máximo partir essa grande tarefa em bocados mais pequenos. O segredo é fazer um plano ou uma lista de tarefas a realizar e ir fazendo-as de forma constante e regular. De cada vez que terminares uma delas vais estar mais perto do teu objetivo e isso vai-te dar motivação extra para continuar. Por exemplo, um empreendedor que começa a fundar uma empresa, pode facilmente pensar em tudo o que tem para fazer, criar algo de valor (criar & investigar), perceber como o vai comunicar ao seu potencial cliente (marketing), como o vai vender (vendas), de que forma o vai entregar e como vai dar suporte aos seus futuros clientes (operações) e o que vai cobrar (finanças). Cada um destes pontos tem inúmeros sub-pontos em que temos que nos focar, mas se cairmos no erro de tentar definir logo tudo no momento zero existe uma forte possibilidade de nunca arrancarmos, já que vai sempre faltar qualquer coisa. Acredito que neste tipo de exemplos, devemos ter a capacidade de partir esta grande tarefa em tarefas mais pequenas e mais fáceis de atingir, e começar! Começar, é o maior conselho que posso dar. 

 

Elimina as distrações

 

Penso que não há muito a dizer neste caso. Elimina ao máximo as distrações, esquece as redes sociais ou a TV, esquece as notificações no teu telemóvel e foca-te totalmente na tarefa que tens em mãos. Sempre que és interrompido, existem alguns estudos que defendem que podes levar até 23 minutos até estares novamente a trabalhar a todo o gás, portanto tenta ao máximo aproveitar quando estás a trabalhar a 200%. Diria que existe uma exceção que é a música. No meu caso ajuda-me a motivar, e se for a música certa, pode até dar-me energia em momentos em que me sinto mais cansado.

 

Dá a ti próprio recompensas

 

Por último mas não menos importante, dá recompensas a ti próprio sempre que terminas uma tarefa. Por exemplo, diz a ti próprio que quando acabes uma tarefa podes ir ver um episódio daquela série que adoras, ou que após uma semana de treino podes no fim de semana comer o tal gelado ou bolo que te dá tanto prazer. Apenas tens que ter em atenção uma coisa, a recompensa deve estar associado à dimensão da tarefa. Por exemplo, não adianta ires comer um gelado sempre que fazes um treino, ou ir ver uma série de 50 minutos após fazeres uma tarefa que te levou 20m. Quando maior e mais complexa a tarefa maior o benefício, não te enganes a ti mesmo.

 

Por hoje é tudo, espero que tenhas gostado, até à próxima 

 

 

28
Jul19

Pensa bem quando dizes que não tens tempo

Luís Rito

Olá a todos ,

 

Hoje pensei escrever-vos sobre algo que afeta a grande maioria das pessoas nos dias que correm, a suposta falta de tempo! Não sei se é moda, mas todos agora adoram dizer que estão sempre mega ocupados e sempre "sem tempo para nada". Como se o simples facto de andarem a correr de um lado para o outro representasse o quão bons profissionais são. Não sei se já sentiste esta espécie de epidemia dos tempos modernos, mas acredito que concordas que principalmente nas grandes cidades as pessoas têm um pouco esta mentalidade.

 

Sendo isto um blog, e portanto um sítio onde posso partilhar a minha opinião sem problemas, acredito que esta moda do profissional super ocupado não é o caminho a seguir. Aliás, no futuro a humanidade tem que batalhar para conquistar algo que foi perdendo ao longo dos anos, a sua criatividade. Numa era de inteligências artificiais que executam tarefas de forma bem melhor que nós, temos que ser cada vez mais inteligentes e criativos, pois é aí que as máquinas começam a ter dificuldades. Com toda esta introdução já me estou a desviar um pouco do assunto original, mas tenta entender que o futuro não é sermos máquinas, pois para isso já existem computadores bem mais rápidos que nós.

 

O tema que quero aprofundar mais é a característica que temos para dizer vezes sem conta a frase "não tive tempo para...". Não consigo ler porque não tenho tempo, não consigo ir ao ginásio porque não tenho tempo, não consigo trabalhar num projeto pessoal porque trabalho a full-time, e portanto, não tenho tempo. Contudo existe algo que me deixa muitas vezes pasmado quando oiço comentários deste género, já que muitas dessas pessoas vêem por exemplo séries atrás de séries no Netflix ou fazem 10 posts no Facebook por dia. Não critico quem o faz, mas então deixem de dizer que não têm tempo, digam antes que, não leem mais, nem vão ao ginásio, nem avançam com os vossos projetos pessoais, porque preferem ver séries a fazer esse tipo de atividades. Essa sim é a forma de dizer as coisas como elas são. Dizer que se está muito ocupado e sem tempo e ao mesmo tempo saber de cor e salteado 10 séries diferentes não está correto.

 

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Se por outro lado és como eu e estás sempre a tentar otimizar o teu tempo, sabes melhor de ninguém como está dividido o teu dia. Esta é a forma de melhorares e tentares extrair mais dele. Por exemplo, se vais de comboio ou autocarro para o trabalho e demoras 30m para cada lado, ao invés de ires a jogar jogos ou nas redes sociais, leva um livro e começa a ler. No final da semana isso representa 5h de leitura, o que te torna um ser humano bem mais informado que a pessoa que vai ao teu lado a jogar Candy Crush. Se tiveres possibilidade, aloca blocos de tempo durante o teu dia, e tenta ser fiel a eles. Desta forma sempre que quiseres introduzir algo novo, sabes que tarefas podes prescindir a favor de outras.

 

Dou-te um exemplo muito simples, para mim, um dia típico de semana é assim:

 

6h45 - 7h: Acordar e tomar o pequeno-almoço

7h - 7h30: Treino da manhã (treino de força)

7h30 - 8h: Tomar duche e preparar-me para sair

8h - 8h20: Deslocação para o trabalho

8h20 - 18h30: Horário de trabalho

18h30 - 18h50: Deslocação para casa

18h50 - 20h: Treino 2 (cardio)

20h - 22h: Jantar e estar com a família

22h - 23h00: Ler & Trabalhar projetos pessoais

23h00 - 23h15: Preparar para dormir

23h15 - 6h45: Dormir

 

Olhando para a minha rotina diária, por exemplo, se quiser incorporar algo novo como por exemplo estudar temporariamente para um exame, já sei que o posso fazer por exemplo no bloco de tempo do treino 2 ou no bloco de tempo das 22h às 23h30. Como sei que sou uma pessoa bem mais produtiva de manhã, provavelmente não será boa ideia estudar das 22h às 23h30, pelo que poderei alterar o estudo para logo de manhã, fazendo então os ajustes necessários ao que resta do meu dia. Acredito que com algum planeamento, torna-se injusto dizermos constantemente que não temos tempo, já que afinal de contas trata-se apenas de fazermos escolhas. Estamos limitados a 24h (e ainda por cima temos de dormir ), portanto o que acontece é que vais ter que definir prioridades e escolher aquilo que queres mesmo fazer. Uma das próximas alterações que vou fazer à minha rotina é realizar todos os treinos de manhã (treino de força e cardio), deixando o meu final de dia para ler mais e para trabalhar nos meus projetos pessoais. Claro que se quero fazer mais pela manhã, vou acordar 45m mais cedo, ou seja, pelas 6h. É este tipo de tradeoffs que tens que fazer no teu dia a dia para ganhares tempo.

 

Por exemplo, se queres mesmo ir ao ginásio, tenta fazê-lo logo pela manhã, já que apenas depende de ti levantares-te e ires treinar. De tarde podes não ter a mesma oportunidade, já que em muitos empregos surgem imprevistos que por vezes temos de resolver. Para conseguires fazer o treino de manhã tenta deitar-te mais cedo e também levantar-te mais cedo. Um estudo realizado à uns anos pela ACNielson revelou que os Portugueses são o povo mais noctívago do planeta! Apenas 25% da população se deita antes da meia-noite, e dos outros 75%, cerca de 30% deita-se depois da 1h da manhã! A questão que coloco é...o que é que ficamos realmente a fazer para nos deitarmos tão tarde? Arrisco-me a dizer que ou a ver televisão ou em frente ao computador/telemóvel/tablet a "matar o tempo".

 

Tenta não ser só mais um, utiliza o teu tempo de forma racional e vais conseguir o que quer que te proponhas a atingir. Lembra-te de uma coisa, todos nós temos 24h por dia, ninguém tem mais, ninguém tem menos. A forma como valorizas o teu tempo é que faz toda a diferença. É por isso que grandes empresários conseguem erguer impérios. Exemplos como Elon Musk, Bill Gates, Steve Jobs são a prova que em 24h consegues fazer aquilo que quiseres. Trata o teu tempo como o teu bem mais precioso, e não o desperdices.

 

Por hoje é tudo, espero que tenhas gostado. Até à próxima 

 

 

10
Jun19

Como ser uma pessoa mais criativa?

Luís Rito

Olá a todos 

 

Hoje quero falar-vos um pouco sobre criatividade. Apesar de existir uma grande crença que uma pessoa ou nasce com a veia da criatividade afinada ou nunca vai ser criativo, acredito que esta pode ser treinada (como quase tudo). Hoje, quero falar-vos de uma técnica utilizada pelo James Altucher. Para quem não o conhece, é um gestor de fundos, empresário, autor de vários livros e também um podcaster.

 

É portanto uma pessoa de muito sucesso, que atribui parte desse sucesso a uma pequena técnica que executa todos os dias. Esta técnica consiste em escrever 10 ideias todos os dias. Se tiveres curiosidade, dá uma vista de olhos no artigo original aqui.

 

Basicamente, deves escolher um tema, qualquer um, e escrever 10 ideias sobre esse mesmo tema (esquece o computador, faz em papel e caneta). Por exemplo, 10 coisas que aprendi ontem, ou 10 negócios que poderia abrir. A chave aqui é escreveres pelo menos 10 ideias (se conseguires mais força). Diria que as primeira 5 ou 6 ideias vão ser fáceis, mas a partir daí as coisas começam a ficar mais interessantes, porque vais ter que ser mais criativo. O segredo é fazeres este exercício todos os dias, incluindo os fins de semana! Tens que tornar desta prática um hábito, só assim vai funcionar.

 

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Se tiveres dificuldade em chegar às 10 ideias, tenta não te levares demasiado a sério. Tal como nos brainstormings que eventualmente fazes na tua empresa, não existem ideias ridículas. Deves registar todas aquelas que te recordes, já que o que interessa é vencer a inércia e pôr a tua cabeça em modo criativo.

 

Dou-te abaixo 10 exemplos para te poderes inspirar:

 

  • 10 ideias de como me posso melhorar enquanto pessoa
  • 10 ideias de sítios onde gostaria de passar férias
  • 10 ideias de atividades que posso fazer com a namorada ou filhos
  • 10 ideias de como o meu projeto poderá falhar
  • 10 ideias de como o meu projeto poderá ser bem sucedido
  • 10 ideias de livros que poderia escrever
  • 10 ideias de negócios que poderia iniciar
  • 10 ideias de como posso ganhar tempo no meu dia a dia
  • 10 ideias de como posso poupar mais dinheiro todos os meses
  • 10 ideias de temas para encontrar ideias todos os dias

 

Pessoalmente gosto de fazer este exercício pela manhã, enquanto tomo o pequeno-almoço, mas se fores uma pessoa mais enérgica ao final do dia então força, faz o exercício pela tarde ou noite. Lembra-te, para que funcione deves ser muito consistente e fazê-lo todos os dias. Deves também garantir que escreves sempre 10 ideias. Não te vou mentir, o teu rácio de boas ideias vs más ideias vai ser mau. É perfeitamente normal que tenhas mais más ideias que boas, mas não é esse o propósito do exercício. O James Altucher afirma que o rácio dele é de 1000:1, ou seja, tem talvez uma boa ideia em 1000. A beleza disso é que se fizeres este exercício todos os dias, por ano vais ter cerca de 3650 novas ideias, portanto é provável que chegues a 3 boas ideias por ano, já para não falar do treino com que ficas na geração de ideias. Vais-te tornar numa pessoa mais criativa.

 

Finalmente, sempre que chegares à conclusão que tiveste uma boa ideia, tenta pô-la em ação. Acredito que a tua vida pode mudar com este simples hábito.

 

Até à próxima 

 

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