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Profissional Moderno

Profissional Moderno

31
Jan21

Estou sem emprego, e agora?

Luís Rito

Muitas pessoas já passaram pela angústia de precisar de um emprego e não ter. Ficar desempregado pode acontecer por múltiplas razões, e não apenas por mau desempenho. Motivos como um mau ciclo económico, uma empresa com uma situação financeira débil, uma pandemia, ou simplesmente a extinção de um posto de trabalho, podem transformar a vida de uma pessoa de um dia para o outro. Sejamos realistas, a grande maioria de nós precisa de trabalhar para sustentar o estilo de vida que leva, e ficar sem rendimentos é um murro no estômago para qualquer um. A somar a tudo isto, a sensação de rejeição e o número de horas que de repente passas a ter disponível (muito tempo livre para pensar no que não se deve) pode vir a agravar o problema. De facto, dispor de muito tempo pode originar uma de duas coisas, ou entramos em modo preguiça ou entramos em modo produtivo. No modo preguiça, assume-se uma atitude mais passiva, e fica-se à espera que um emprego nos caia do céu, pouco mais se faz que enviar alguns currículos e culpar o mundo pela nossa falta de sorte. No modo produtivo, assume-se uma atitude ativa, assume-se a procura de emprego como a nossa atividade a full-time. Se com uma atitude passiva os resultados são medíocres, com uma atitude ativa aumenta-se drasticamente a possibilidade de ter sucesso. Hoje não vamos falar do modo passivo, afinal somos profissionais modernos, e sabemos que as dificuldades são temporárias. Hoje falamos de como podemos ativamente agir quando nos vemos a braços com uma situação de desemprego.

 

Como está o teu CV?

 

Primeiro passo, tens o teu currículo atualizado? Um currículo é como se fosse uma folha onde te apresentas e onde vendes os teus serviços. Uma empresa pode ter pouco interesse em ler uma longa lista de tecnologias que conheces ou formações que fizeste nos últimos 20 anos. Do meu ponto de vista, uma empresa procura-te porque quer obter resultados, e é bem mais interessante descreveres em que tipo de projetos estiveste envolvido, que responsabilidades tinhas, o que implementaste, como resolveste problemas complicados, se lideraste alguma equipa, etc. Deves colocar-te nos sapatos de um recrutador e pensar se a informação que estás a partilhar é ou não relevante.

Outro ponto muito importante é a dimensão, uma página é ótimo, duas páginas é aceitável, mais que isso esquece. Um recrutador pode receber dezenas de currículos, se o teu é muito longo, provavelmente não se vai dar ao trabalho de o ler. Mantém apenas o essencial. Interessa mesmo o trabalho que tinhas à 25 anos para a vaga ao qual te estás a candidatar? Provavelmente não. Recomendo teres sempre uma versão em Português e outra em Inglês, e não enviares o mesmo currículo para todas as vagas ao qual te candidatas. Provavelmente o melhor será ter algo mais genérico, e dar uns retoques para que o CV se adapte mais ao que é requerido em cada anúncio de emprego. Não facilites, põe esforço nesta atividade, é a primeira impressão que uma empresa tem de ti. Ah...e por favor...nada de erros ortográficos, isso é quase imperdoável :).  

 

Analisar o mercado

 

Quais os teus skills? Qual tua área de atuação? Por exemplo, eu enquanto PMO/Gestor de projetos, posso-me perguntar o que é que o mercado está a pedir para a minha profissão. Será que preciso de aprender mais metodologias ágeis? Este tipo de questões deve ser respondido para que consigas posicionar-te o melhor possível. Hoje em dia é relativamente fácil perceber por onde deves incidir os teus esforços. Basta uma pesquisa diária no LinkedIn ou em sites de emprego, para entender (no meu caso) que o mercado valoriza conhecimentos de metodologias ágeis, valoriza certificações PMP (Project Management Professional) e em 75% dos cargos exigem conhecimentos avançados de Inglês. Supondo que não tenho o PMP e que o Inglês estaria fraco, seria aqui que deveria focar os meus esforços. Estando desempregado tens tempo para o fazer. O ideal seria fazer um plano de curto prazo para a certificação. Que requisitos necessito, que materiais de estudo existem, onde me inscrevo, como vou estudar, em que dia o vou fazer, etc. Quanto ao Inglês, nada melhor que pôr em prática com aplicações que te permitem aprender & praticar. Aqui a consistência é a palavra certa, deves praticar todos os dias. 

Ao analisar o mercado, por muito duro que possa ser, podes chegar à conclusão que a tua profissão tem muito pouca procura. Se precisas mesmo de um emprego, sugiro que tentes criar um plano B, ou seja, escolher algo que gostes e que te apaixona, e começar a adquirir competências nessa área. Enquanto o fazes podes continuar a procurar emprego na tua área principal de atuação, mas caso não o consigas, podes partir para o plano B. Quem sabe, podes vir a perceber que o plano B te dá mais realização pessoal que o plano A.

 

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Estabelece ligações

 

Utiliza o poder que tem o LinkedIn. Hoje em dia é muito fácil entrar em contacto com pessoas que antes te estavam vedadas. Por exemplo, se sempre sonhaste trabalhar na empresa X, porque não tentar estabelecer ligações com pessoas que trabalham nessa mesma empresa? Por vezes as melhores oportunidades não chegam aos sites de procura de emprego, muito pelo contrário. Construir boas relações pode ajudar-te a obter uma oportunidade que de forma normal não conseguirias. Grande parte de estabelecer relações vem da palavra "partilha". Sim, caso tenhas algum conhecimento técnico sobre algo, partilha com a comunidade, envolve-te em discussões e grupos sobre esse tema, sê uma pessoa reconhecida na tua área de atuação. Porque não criar um blog ou escrever artigos no LinkedIn? Este tipo de ações são úteis, não apenas para quem está temporariamente desempregado, mas para todos os profissionais. A vantagem de alguém que está desempregado é ter tempo para construir uma presença online bem mais forte, pois pode aplicar mais esforço diário que alguém que tenha um emprego full-time. Estabelece pontes, ajuda as pessoas, partilha conhecimento. Uma vela não perde nada ao iluminar outra vela.

 

Investir no principal, em nós próprios

 

Deixo para o fim um dos mais importantes. O melhor investimento que podemos fazer é sempre em nós próprios. Todos os dias devemos procurar ser melhores do que éramos no dia anterior. Deves assumir sempre um growth mindset (mais sobre isso aqui). Utiliza grande parte do tempo que dispões para te melhorar e para "afiar o machado". Tira cursos online, aprende uma nova língua, lê um livro por semana, escreve, aprende a tocar aquele instrumento musical, faz muito desporto, aprende a cozinhar, as possibilidades são infinitas. Rodeia-te de bons hábitos diários e abandona os maus, como não fazer nada o dia todo e vegetar em frente a uma TV, tablet ou smartphone.

 

Ficar desempregado pode acontecer a qualquer pessoa, basta estar no lugar errado à hora errada. Contudo, a forma como encaramos isso é controlada por nós a 100%. A forma como nos levantamos, como olhamos para a frente com olhar determinado e como repetimos baixinho para nós próprios "Ninguém me vai parar", depende somente de nós. Se estás nessa situação não desistas, segue em frente, um passo de cada vez, tenho a certeza que se te melhorares continuamente é uma questão de tempo até conseguires o teu emprego ideal.

 

Até à próxima!