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Profissional Moderno

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04
Mar20

Fitness on budget

Luís Rito

Olá :)!

 

Não tenho escrito muito sobre fitness e bem-estar, portanto hoje vamos abordar um tema que espero que te ajude, falamos de fitness on budget! Existem milhares de artigos na internet sobre treinos especiais, dietas milagrosas, etc. O que te quero falar é sobre como te podes manter em forma mesmo sem ir ao ginásio. Vou contar-te tudo sobre a minha experiência em particular, e de como é possível manteres-te fit sem teres de pagar uma mensalidade em ginásios e personal trainers (apesar de acreditar que um bom PT vale o dinheiro que cobra).

 

Posso-te dizer que tudo o que aprendi sobre ginásio foi através de livros, internet e experiência acumulada. Já treino continuamente à mais de 15 anos, e não tenho vergonha em dizer que comecei em casa (no meu quarto), com garrafões de 5l cheios de água :). Na altura pouco sabia de treinos e muito menos sabia de nutrição. Para mim foi uma revolução quando percebi que era necessário comer mais para conseguir ganhar algum músculo! Este era o nível a que estava. Como te disse, comecei de forma simples, em casa com simples garrafões de água que mais tarde evoluíram para dois halteres de 10kg cada. Foi o primeiro investimento que fiz em material de ginásio, e posso-te dizer que ainda hoje treino com esses mesmos halteres. Esta é portanto a primeira lição a tirar. A maioria do material de ginásio não tem prazo de validade, logo dura-te muitos e muitos anos (principalmente se for material básico). Isto significa que se investires 100€ em material, mas o utilizares por exemplo por 10 anos, o custo anual desse material será de 10€. Se quiseres ir ao custo mensal, então será de 0,83€ ou 83 cêntimos. Quanto a ti não sei, mas para mim parece-me um excelente investimento.

 

Não vou mentir, após treinar durante algum tempo em casa senti-me tentado a ir para um ginásio. Durante vários anos saltitei de ginásio em ginásio, mas a logística de teres de andar sempre com roupa atrás para ir treinar cansou-me. Isso e também a dificuldade que por vezes é treinar num ginásio, seja porque todas as máquinas/bancos estão ocupados seja porque queres treinar mas as pessoas insistem em falar contigo. Eu sempre fui uma pessoa que tive como objetivo estar o mínimo de tempo no ginásio, basicamente era entrar, treinar e sair. Respeito quem utiliza o ginásio para descomprimir e falar um pouco sobre tudo e mais alguma coisa, mas eu nunca senti essa necessidade. Foi por isso que acabei por tomar a decisão de treinar sempre em casa. Já o faço à cerca de 5 anos, e até agora tenho conseguido ser bastante regular (treino 5x por semana). Atenção, treinar em casa não é para todos, e vai exigir de ti um foco muito grande. Não vais ter ninguém com quem falar, e muitas pessoas dizem que depois de estar em casa não têm a força de vontade para ir treinar (que o digam as milhentas bicicletas e elípticas que habitam em casa das pessoas e servem de cabide)!

 

Então, do que vais precisar se também tu quiseres treinar em casa? Bom, em primeiro lugar terás de ter espaço..no meu caso faço-o na garagem, mas se tiveres uma divisão livre podes aproveitá-la. Quanto a material, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, não vais precisar de máquinas, até porque as máquinas ocupam bastante espaço e são várias vezes mais caras que material básico de ginásio que te permite treinar todos os grupos musculares sem qualquer problema. Vou tomar como exemplo material da decathlon, já que muito do que tenho foi adquirido lá.

 

Rack de musculação: 150€

 

Barra de musculação 1m55: 25€

 

Discos - 2x20Kg: 60€, 2x10Kg: 30€, 4x5Kg: 30€, 4x2Kg: 12€

 

2 Halteres: 12€

 

Barra Z: 25€

 

Banco: 120€

 

4 Bloqueadores: 15,60€

 

Feitas as contas, todo o material fica em 479,6€. Não é barato, mas o valor que te apresento é o custo de uma passadeira de qualidade média! E uma coisa te garanto, com este material é possível treinar todos os grupos musculares sem qualquer problema, se bem que há medida que evoluis podes sentir necessidade de comprar por exemplo mais discos. Quando começas a treinar com alguma regularidade vais constatar que o teu corpo tem mais potencial que aquele que achas. Por exemplo, quando comecei a treinar achava que halteres de 20Kg seriam mais que suficientes para mim nos próximos anos, mas rapidamente percebi que num curto espaço de tempo esses mesmo halteres estavam a tornar-se já demasiado fáceis de levantar. Não coloques bloqueios mentais na tua cabeça e deixa-te ir.

 

Voltando ao valor, ainda que o arredondes para 500€, se assumires que o material te vai durar 10 anos (e garanto que te dura mais), o seu custo mensal andará a rondar os 4€. Fazendo a mesma conta para um ginásio, ainda que seja um dos mais baratos, se assumirmos 25€/mês (bastante baixo), ao fim de 10 anos dispendeste 3000€, ou seja, 2500€ a mais. E nem vou entrar em contas se tiveres um personal trainer :). Quanto a exercícios de cardio, se tiveres budget e espaço podes comprar uma bicicleta ou elíptica, mas não necessitas realmente disso. Apenas precisas de uns bons ténis e podes ir caminhar ou correr para o exterior, mais barato não há! Como vês não precisas de uma fortuna para começares o teu próprio ginásio, e é material que te vai durar muitos e muitos anos se tratares bem dele.

 

Por hoje é tudo, no próximo artigo falo-te de como podes dividir o teu treino durante a semana (de iniciado a veterano), e de exercícios que podes realizar com o material que te mostrei acima. 

 

Até lá boas leituras :)

 

25
Fev20

Passos para uma situação financeira controlada

Luís Rito

Olá!

 

Em linha com o que foi o meu último artigo (Sabes qual o teu património líquido?), e a pedido de algumas pessoas, trago-te hoje alguns passos que deves assegurar antes de começares a investir o teu dinheiro. Vivemos num mundo onde todos queremos resultados rápidos e eficazes, e calculo que seja por isso que me abordam algumas vezes sobre onde se deve investir o dinheiro, preferencialmente em algo que seja "praticamente certo" e com o mínimo risco possível. No artigo de hoje vou responder a algumas dessas dúvidas (espero eu!) e o meu maior objetivo é que te consiga transmitir a minha mensagem. Vamos por partes, antes de avançarmos para o tema investimentos, existem algum pré-requisitos que deves assegurar:

 

1. Realizar um ficheiro de ganhos & custos, e saber exatamente onde estás a gastar o teu dinheiro

 

Ponto fundamental, deves saber exatamente todos os teus ganhos & custos, só dessa forma serás capaz de definir objetivos de poupança realistas e que consigas cumprir na íntegra. Deves ter um ficheiro de excel onde registes todos os teus ganhos e gastos. Se fores como a maioria das pessoas, tens uma ou duas linhas de ganhos e dezenas de gastos. Deves registar todos os gastos que fazes, se for muito difícil para ti fazê-lo diariamente ao final do dia, podes tentar apenas uma vez por semana (eu pessoalmente faço-o uma vez por semana). O grande objetivo é que consigas responder exatamente quando gastas habitualmente em despesas com a tua casa, em restaurantes, em cinema, em créditos, com o teu carro, etc. Eu já o faço à vários anos, e consigo saber com grande exatidão quando gasto anualmente em cada uma destas rubricas. Só desta forma te vais aperceber em quantidades enormes de dinheiro que gastas anualmente em coisas com muito pouco valor acrescentado. Nesses casos podes optar por cortá-las da tua rotina e ao final do ano ter mais umas belas centenas de euros na tua conta. O teu grande objetivo deve ser aumentar a poupança e reduzir os gastos. Deves reservar uma percentagem dos teus ganhos para poupança e investimento.

 

2. Pagar antecipadamente tudo o que são créditos pessoais, créditos automóveis, créditos para estudos e similares

 

Assim que comeces a conseguir poupar algum dinheiro, deves utilizá-lo para pagar créditos de juros elevados que tenhas, como por exemplo créditos pessoais, créditos automóveis e similares. Este tipo de crédito custa-te muito dinheiro, para teres ideia, se fizeres um crédito pessoal de 5000€ a 36 meses, irás pagar aproximadamente 6000€ a quem te faz o empréstimo. Significa que compensa muito antecipares os pagamentos destes créditos, já que vais poupar imenso em juros. O teu objetivo deve ser pagar todos estes créditos e acima de tudo evitar contrair mais. Nunca utilizes o teu cartão de crédito se achas que não vais conseguir saldar o pagamento sem juros. O crédito deve ser utilizado como último recurso, nunca o uses para férias e afins. Se não tens dinheiro então também não podes ter vícios. Prefere sempre modalidades sem juros, elas existem, principalmente em lojas que vendem tecnologia. O único crédito que não entra nestas contas é o crédito habitação. Também compensa amortizar créditos à habitação, mas por agora foca-te no outro tipo de créditos que te falei acima antes de avançares para o próximo ponto.

 

Pagar créditos

 

3. Poupa o suficiente para 6 meses de despesas e aplica-os de forma segura

 

Assim que acabes de pagar os teus créditos (exceção ao crédito habitação), todo o dinheiro que consigas poupar deve ser colocado em aplicações seguras (como por exemplo depósitos a prazo com duração baixa e liquidez alta) até que tenhas o suficiente para 6 meses de despesas. Este dinheiro tem vários objetivos, o primeiro é fazer face a uma situação de desemprego e o segundo para fazer face a situações imprevistas. Este dinheiro vai acima de tudo trazer-te tranquilidade, vais deixar de viver preocupado com o facto do teu frigorífico avariar e teres de comprar outro ou o teu carro parar e precisares de o levar à oficina. Teres esta almofada financeira é fundamental, e só quando a tenhas deves partir para o investimento do teu dinheiro. Quanto a poupança propriamente dita, fixa uma percentagem mensal que pretendes poupar e paga a ti em primeiro lugar. É muito importante que o faças, deves apenas gastar o que te sobra e não poupar os restos ao final do mês.

 

4. Investir apenas o que não te faz falta no curto prazo

 

Se conseguiste cumprir todos os pré-requisitos acima então parabéns! Aposto que já estás financeiramente melhor que a grande maioria dos Portugueses. Está na hora de começares a pôr o dinheiro a trabalhar para ti. Tenho apenas que desmistificar uma coisa. Não me perguntem por coisas seguras e sem risco, isso não existe no mundo dos investimentos. Normalmente quanto maior o risco maior a recompensa, portanto se querem coisas seguras subscrevam depósitos a prazo ou outros produtos financeiros de capital garantido (com a agravante que pagam juros ridiculamente baixos). Os investimentos têm risco, motivo pela qual aconselho que apenas invistas o dinheiro que não vais necessitar no curto prazo. Investimentos como por exemplo a bolsa funcionam bem no médio/longo prazo, portanto tens que ter alguma paciência, esquece o ficares ric@ da noite para o dia, isso raramente acontece. Efetivamente podem acontecer situações onde consegues obter bons frutos dos teus investimentos de forma rápida (por exemplo compra & venda imóveis), mas na grande maioria dos casos investir é um maratona e não um sprint. O objetivo deste artigo não é falarmos sobre que investimentos podes realizar, pelo que apenas espero conseguir passar a mensagem que apenas deves investir dinheiro que não precisas no imediato, isto é muito muito importante. 

 

Espero ter ajudado, e lembra-te que antes de poderes começar a investir garante que cumpres todos os pré-requisitos que te falo acima, já que te vão colocar numa situação financeira muito sólida. Como em tudo, há que construir boas raízes para que a árvore possa crescer de forma segura e sustentada. Num artigo futuro falo-te de algumas alternativas onde podes começar a investir o teu dinheiro.

 

Até à próxima :)

 

16
Fev20

Sabes qual o teu património líquido?

Luís Rito

Olá!

 

Se te perguntasse ao dia de hoje qual o teu património líquido conseguirias dizer-me? Diria que a grande maioria das pessoas não o conseguiria fazer, seja porque nunca fizeram esse cálculo seja porque não o controlam de forma ativa. Se não sabes o que é, não te preocupes, explico-te já como se calcula. Na realidade, trata-se de uma conta muito simples, basicamente deves subtrair a tudo o que possuis tudo aquilo que deves:

 

Património = Tudo o que tens - Tudo o que deves

 

Parece muito fácil, mas em alguns casos pode ser complexo de calcular, principalmente para pessoas que têm múltiplos ativos e passivos. Diria que para a grande maioria das famílias é algo muito simples de calcular, mas já lá vamos. A questão que estou à espera da tua parte é, mas afinal porque tenho que saber o meu património? Na minha opinião é algo que todos nós deveríamos ter presente, já que expõe situações de sobreendividamento e ajuda a perceber se ano após ano estás ou não a aumentá-lo (e deverias). Sim, o teu património líquido deveria crescer todos os anos e não o contrário. Isto consegue-se com investimento em ativos que valorizam ao invés de desvalorizar. Dou-te um exemplo muito prático, se compras um carro novo hoje por 50k€ (pago a pronto), e após o final do primeiro ano já só vale 40k€ então o teu património caiu 10k€ só com esse negócio. Acontece exatamente o mesmo com ativos que desvalorizam muito rápido como tecnologia. Se ao invés disso investires em ativos que te pagam juros ou dividendos, e que também te oferecem a possibilidade de valorização com o tempo então o teu património irá crescer na mesma proporção.

 

 Como se calcula então este indicador? Bom, em primeiro lugar deves realizar um inventário de tudo o que tens que tenha um valor considerável, como por exemplo um imóvel, ativos financeiros, dinheiro em depósitos a prazo, um automóvel, etc. Esses são os teus ativos, que representam o que tens a dado momento. Repara que para ativos como imóveis ou automóveis deves assumir o valor de mercado e não aquilo que gostarias que valesse! Ao valor de todos os teus ativos deves subtrair o valor de todos os teus passivos como empréstimos ao banco, dívidas do cartão de crédito, e basicamente toda e qualquer dívida que tenhas. O património será então igual ao valor que obténs quando subtrais os teus passivos aos teus ativos. Este valor é tanto melhor quanto mais alto, o que significa que se tens um património negativo ou demasiadamente baixo tens que inverter rapidamente a tua situação. O mais engraçado é que por vezes tens pessoas que pensas que têm um estilo de vida muito bom, mas têm tantas dívidas que o património é extremamente baixo ou mesmo negativo. Dou-te um exemplo:

 

Ativos

 

Dinheiro em conta a ordem: 2000€

Apartamento no centro da cidade: 500 000€

Automóvel de gama alta: 65 000€

 

Passivos

 

Crédito habitação: 480 000€

Crédito automóvel: 65 000€

Múltiplos créditos em cartões crédito: 4500€

 

No caso acima simplifiquei, e coloquei poucas rubricas para que se entenda melhor. Repara que o património que te exemplifiquei é de alguém com um salário acima da média, já que conseguiu assegurar crédito para um apartamento de meio milhão e também para comprar um carro de gama alta. Vamos assumir que o carro foi adquirido novo (0 Km) com um valor muito elevado mas que após 1 ano já desvalorizou consideravelmente (como quase todos os carros de gama alta). O património neste caso é igual a:

 

Património = (2000+500 000+65 000) - (480 000+65 000+4500) = 17 500€

 

Ou seja, apesar de parecer que é alguém com um património muito elevado, na realidade o seu património líquido é de apenas 17 500€. Nestes casos costumo dizer que este tipo de pessoas está a 2 ou 3 meses da falência se perder o seu emprego, porque não vai conseguir fazer face ao elevado custo de vida que tem.

 

Fazer crescer o dinheiro

 

Por outro lado, vou agora mostrar-te o património de alguém que poupa todos os meses e tem a sua situação financeira em ordem.

 

Ativos

 

Dinheiro em conta a ordem: 1500€

Ativos financeiros (ex: ações, depósitos a prazo, etc): 30 000€

Apartamento na periferia da cidade: 150 000€

Automóvel comprado em segunda mão: 10 000€

 

Passivos

 

Crédito habitação: 125 000€

Crédito automóvel: 4000€

Dívidas em cartão de crédito: 0€

 

Património = (1500+30 000+150 000+10 000) - (125 000+4000) = 62 500€

 

Neste caso temos alguém com um vencimento mais modesto, mas que administra bem o seu dinheiro, sempre que consegue põe dinheiro de parte e continua a construir os seus ativos financeiros. Por outro lado, comprou um automóvel em segunda mão e deu um valor alto de entrada, pelo que o valor do automóvel já é superior ao crédito que tem que pagar. O mesmo acontece com o apartamento, foi utilizado algum do dinheiro poupado para dar como entrada, sendo o valor do imóvel já superior ao valor que deve ao banco. Por ter hábitos de poupança, esta pessoa também não recorre a crédito (sempre que necessita utiliza o seu próprio dinheiro), sendo portanto o valor da rubrica créditos igual a zero. Repara como o património líquido desta pessoa com vencimentos mais humildes é bastante superior ao outro exemplo que te dei acima. Repara também que ao ires investindo em ativos (rubrica ativos financeiros) o teu património continuará a aumentar ano após ano, e essa é a situação ideal. É muito importante nunca perder o foco na poupança e na aplicação em ativos, já que vão facilitar e muito a tua vida. Viver sem ter medo constante de não ter dinheiro para o que quer que seja não é sustentável. Muitas pessoas ficam em pânico quando o carro avaria e acabam por recorrer a crédito porque não fazem esta gestão diária e constante das suas finanças. Se os teus vencimentos são baixos não vivas como se fossem altos, mais tarde ou mais cedo vais ficar numa situação difícil.

 

Dito isto, baixa os teus custos de manutenção, poupa mais e sê inteligente na hora de investir teu dinheiro. Se te custa tanto a ganhá-lo, porquê livrar-se dele assim tão facilmente?

 

Por hoje é tudo, alguma dúvida que tenhas relativamente a este tema fala comigo, estou disponível para ajudar.

 

Até à próxima :)

 

 

04
Jan20

Porque temos tanto medo de investir?

Luís Rito

Porque será que temos tanto medo de investir o nosso dinheiro?

Não sei se tens a mesma ideia que eu, mas sempre que falo de investimentos as pessoas ficam sempre um pouco pé atrás. Aqui em Portugal ainda vigora a velha máxima que se investirmos o nosso dinheiro o mais provável é ficarmos sem uma grande parte dele (ou mesmo todo). Acho que somos um povo com uma grande aversão ao risco, o que nos faz perder todo um conjunto de oportunidades que existem pelo mundo fora.

A grande maioria dos Portugueses continua a colocar as suas poupanças em depósitos a prazo, o que aos dias de hoje significa que se está a perder dinheiro. Confuso? Passo a explicar. Se olharmos para os juros existentes hoje em dia nos depósitos a prazo, podemos ver coisas como:

 

Caixa Geral Depósitos: Depósito a prazo a 3 anos - TANB de 0,037%

Novo Banco: Depósito a prazo a 3 anos - TANB de 0,10%

Millenium: Depósito a prazo a 1 ano - TANB até 0,025%

BPI: Depósito a prazo a 3 anos - TANB de 0,10%

 

Para quem não sabe, a TANB é a taxa anual nominal bruta, o que significa que na realidade será bem mais baixa após pagares impostos ao estado por mais valias (28%). Pensa comigo, se as taxas de juro já são tão baixas, e se ainda tens que pagar 28%, o que te sobra? Isto para não falar das comissões que os bancos te cobram apenas para teres dinheiro lá guardado. Conclusão, na realidade estás a pagar ao teu banco e não o contrário. 

 

Existe ainda outro ponto muito importante chamado inflação. Em 2018 a inflação foi de 1%, enquanto que em 2017 chegou mesmo aos 1,4%. Ora, se a inflação cresce aproximadamente 1%/ano, e os teus depósitos a prazo apenas 0,10%, então cada ano que passa estás mais pobre, o teu dinheiro está a perder valor. Apesar de tudo isto, os Portugueses ainda acham que estão a ir na direção certa ao colocar o seu dinheiro em depósitos a prazo, porque está "seguro". Esquecem-se que todos os anos existe um pedaço desse mesmo dinheiro que desaparece. Para além de não estarem a produzir valor, estão ainda a destruí-lo. Não te esqueças que 1000€ agora valerão muito menos daqui a 10 ou 20 anos, portanto é urgente fazê-los crescer a um ritmo sustentado.

 

Inflação em Portugal

 

Existem muitas alternativas para fazer crescer o teu dinheiro, que apesar de terem risco, considero-as bem mais seguras que ter o dinheiro a desaparecer no banco. Opções como a bolsa ou como crowdfunding (financiamento coletivo) são excelentes alternativas nos dias que correm. Se não sabes do que isto se trata é normal que te sintas confuso(a). Por exemplo a bolsa amedronta muitas pessoas, que cresceram a ouvir histórias que leva muitas pessoas à ruína. É certo que muitas pessoas ficaram sem nada na bolsa, mas isto porque assumem perfis de risco muito elevados, o que não deve ser o caso de um investidor particular comum.

Um investidor particular comum ganha ao investir em produtos que tragam por si só bastante diferenciação, e que representem todo um mercado e não empresas individuais. No meu caso, gosto de investir em índices, mais concretamente o S&P 500 (principais 500 empresas norte-americanas). Ao investires num índice, basicamente estás a investir na economia, enquanto que ao investires em ações de uma empresa estás a investir apenas nessa empresa. Qual achas que tem mais risco? A empresa falir ou toda a economia colapsar? Na bolsa quanto maior o risco maior o potencial de benefício, portanto o desafio é tentar não ser demasiado ganancioso e investir em produtos estáveis e de baixo risco, que a longo prazo te vão trazer retornos consistentes. Para ajudar, estes produtos ainda de pagam dividendos mensais ou trimestrais, na grande maioria sempre superiores a 1%/ano, pelo que só em dividendos vais retirar bem mais que em depósitos a prazo.

 

Poderia escrever várias horas sobre este tema, contudo o objetivo deste artigo é entenderes que existem outras opções para o teu dinheiro. Não te acomodes e não deixes todo o teu dinheiro parado em depósitos a prazo. A longo prazo é uma aposta perdedora.

 

Caso tenhas mais curiosidade sobre como podes construir boas fundações financeiras e sobre como podes investir o teu dinheiro, podes ler o meu livro "Liberdade Financeira". Dá uma vista de olhos aqui.

 

Livro Liberdade Financeira

 

Por hoje é tudo, até à próxima!

 

10
Nov19

Ativos vs Passivos

Luís Rito

Olá :)!

 

Antes de mais, espero que se encontrem bem. Hoje vamos voltar ao tema finanças pessoais, mais concretamente, diferenças entre ativos e passivos.

Muita confusão existe sobre o que é um verdadeiro ativo, e acabo por reparar que muitos de nós tomamos decisões, por vezes erradas, ao pensar que estamos a fazer um investimento ao invés de estarmos a incorrer num custo. Deixem-me clarificar.

 

Ativo é algo que possuis e que te põe dinheiro na conta. Passivo é algo que possuis e que te tira dinheiro da conta.

 

Portanto, quando dizes que vais investir num automóvel novo ou numa casa nova para residir, não te enganes, estás a comprar passivos. Em ambos os casos vais gastar o teu dinheiro (ou o dinheiro de um banco ou financeira) para os comprar. No caso de teres de solicitar empréstimo, ainda terás de suportar juros, normalmente elevados. Para ajudar, ambos os casos que te falei têm custos de manutenção elevados. Um automóvel necessita de combustível, paga IUC, seguro, tem que trocar de pneus, óleo, etc. Já um imóvel, tem custos de manutenção, paga IMI, entre outras coisas. Se olhares com atenção, tudo o que te falei acima apenas te tira dinheiro do bolso e não o contrário. Tratam-se portanto de passivos e não de ativos. 

 

Sabes como poderias transformar ambos em ativos? Por exemplo, se comprares o imóvel com o objetivo de o arrendar a outras pessoas, então trata-se de um investimento, já que estás a dispender dinheiro com o objetivo de no futuro vir a obter rendimentos desse mesmo investimento. De igual forma, se comprares um imóvel, e investires algum dinheiro na sua remodelação para depois o venderes com um lucro interessante também estás a comprar um ativo. No caso do automóvel, imagina que o conseguirias alugar, obtendo dinheiro que te permitisse fazer face aos gastos e também compensar o risco de empréstimo. Estarias então a acrescentar um ativo ao teu portfólio. Com automóveis também existe um mercado de compra de clássicos a preço baixo, restauro dos mesmos, e venda a um preço que compense os gastos realizados na sua reconstrução.

 

Como podes ver, isto que te falei aplica-se a praticamente tudo. Outro exemplo, se compras um computador caro, mas o vais utilizar para produzir conteúdos que te permitam fazer dinheiro então é um ativo. Se apenas o utilizas para jogar ou navegar na internet já se torna um passivo. O teu objetivo deve ser a compra de cada vez mais ativos. É assim que os ricos ficam mais ricos. Nunca ouviste a expressão de que dinheiro gera dinheiro? É exatamente por isso, as pessoas que percebem isto dedicam-se fielmente a comprar ativos ao longo dos anos, reduzindo os seus passivos a um mínimo aceitável (por exemplo, todos temos que ter uma casa onde morar).

 

Dinheiro a crescer

 

Hoje em dia, até os depósitos a prazo que os bancos te oferecem são passivos, já que o que te pagam em juros normalmente não é suficiente para fazer face às despesas de manutenção. Para agravar, se não chega para pagar as despesas de manutenção, ainda menos chega para fazer face à inflação, que em 2018 foi de 1%. Na prática, ao invés de estares a criar valor estás a destruir valor, ou seja, estás a ficar mais pobre ao longo do tempo. É por isso que deves investir em verdadeiros ativos, ainda que isso signifique que vais estar exposto a um nível de risco maior. Em próximos posts vou falar-te um pouco de verdadeiros ativos que podes adquirir, mas para já falo-te de alguns dos mais famosos:

 

- Compra de ações, obrigações, fundos de investimento, ETF´s, etc;

- Compra de imóveis para arrendamento ou venda a preço superior;

- Investimento em plataformas de crowdfunding, como por exemplo a Raize ou Housers.

 

Todos estes ativos têm potencial para te colocar mais dinheiro no bolso. Os melhores ativos são aqueles que para além de poderem ser vendidos no futuro a preços superiores, ainda te geram rendas periódicas constantes, como o caso de imóveis arrendados ou ações, obrigações, fundos ou ETF´s através dos dividendos.

 

Por hoje é tudo, espero que tenhas gostado. Até à próxima :)!

 

 

06
Out19

Poupar para libertar

Luís Rito

Olá a todos 

 

Hoje vamos abordar um tema diferente do que tem sido a norma neste blog. No meu último post, falei-vos sobre hábitos de um profissional de excelência, se tiveres curiosidade podes lê-lo aqui. Um dos hábitos que abordámos de forma muito leve foi o de ter dinheiro disponível para fazer face às despesas de pelo menos 12 meses. Na teoria parece fácil, mas todos sabemos que por vezes o dinheiro mal chega para o comprimento gigante que têm os meses do ano não é 

 

O hábito da poupança é como qualquer outro hábito, necessita de consistência para que funcione. Não adianta poupares num mês para depois gastares no outro, no final o teu saldo vai ser sempre zero! É a consistência e a capacidade de repetir bons comportamentos ao longo do tempo que te vai trazer resultados. Tal como na gestão de qualquer empresa, a tua grande meta é fazer entrar mais dinheiro do que sai. Tal como um consultor executa um estudo antes de realizar qualquer tipo de recomendação a uma empresa, também tu deves fazer uma consulta à tua situação financeira atual.

 

1. Onde e quanto estou a gastar ao dia de hoje?

 

Primeira questão que tens que responder com alguma urgência, onde e quanto estou a gastar do meu dinheiro? Deves saber exatamente onde gastas o dinheiro, bem como qual o montante dispendido em cada um desses sítios. Por exemplo, sabes exatamente quanto gastas em cafés por mês? E em bolos? Qual a tua fatura média mensal em supermercado ou em jantares fora? Tens que conseguir responder a todas estas questões para conseguires chegar a algum lado. Se não souberes onde gastas então não vais ter forma de saber onde podes ou não reduzir custos, nem vais poder definir um budget para certo tipo de gastos. Pessoalmente utilizo um ficheiro de excel que mantenho atualizado numa base semanal. Todas as semanas entro no ficheiro e actualizo-o com todos os meus gastos (apenas uma vez por semana). É algo que me consome 5m no máximo. Isso permite-me ter uma ideia bem clara de onde ando a gastar o meu dinheiro, e de quanto consumi num determinado mês. Caso o budget que defini for ultrapassado, então já sei que vou ter que me conter até tornar a receber. Um truque que pode ajudar é, logo após receberes o teu ordenado, transferires uma determinada soma para outra conta (de poupança ou investimentos). Desta forma, se não tiveres dinheiro na tua conta à ordem não o vais gastar de certeza . Como bónus, para além de não gastares, estás também a poupar!

 

Liberdade Financeira

 

2. Onde e como posso reduzir o meu custo de manutenção?

 

Depois de teres uma ideia bem clara de onde gastas o teu dinheiro, estás preparado para passar para a próxima fase. Se queres levar a sério o hábito de poupança, deves reduzir todas as "gorduras" dos teus gastos. É nesta fase que deves ser pragmático e cortar aquilo que não acrescenta valor à tua vida. Nota que não estou a dizer para cortares em tudo, mas sim naquilo que consegues prescindir. Por exemplo, se dás valor a ir jantar fora todos os fins de semana, e se tens possibilidade para o fazer, então força nisso! O desafio é colocares tudo em causa, desde os cafés que bebes todos os dias até às mensalidades que pagas todos os meses. Quanto menos gastos tiveres menor será o teu custo de manutenção, o que resultará numa poupança superior (mesmo mantendo o mesmo ordenado). Se pensares bem, para conseguires poupar mais, das duas uma, ou ganhas mais, ou gastas menos, e a curto prazo a última é bem mais rápida e fácil de realizar. A beleza disto é que mesmo que aumentes o teu vencimento, se mantiveres o teu custo de manutenção baixo, significa que consegues poupar ainda mais. Quanto mais tiveres disponível mais livre te vais sentir, já para não falar que vais começar a viver a vida com mais tranquilidade.

Dou-te exemplos de sítios onde podes eventualmente cortar. Presta especial atenção às tuas despesas com mensalidades (Netflix, Spotify, Revistas, SportTV, etc etc), e decide se necessitas mesmo de todas elas. Faz sempre as contas ao ano, por exemplo, se o Spotify te custa 7€/mês, então são 84€/ano. Outro ponto, muitas pessoas pagam mensalidades de ginásio, piscinas e afins, mas nunca lá chegam a pôr os pés. Não te enganes a ti próprio, se não vais, então não pagues e cancela, podes sempre ir fazer umas caminhadas ou corridas para compensar. Presta atenção a todo o dinheiro que gastas também em calorias vazias como gelados, bolos, álcool, etc. Para além de não te fazerem bem à saúde também não te fazem bem à carteira. Se tens créditos ao consumo ou com cartão de crédito, faz um plano para os pagares rapidamente, cada mês que passa tens que suportar juros que te vão deixando sistematicamente mais pobre. As dicas são mais que muitas, não conseguiria colocar tudo neste post. Caso tenhas mais curiosidade sobre este tema, dá uma vista de olhos no meu livro "Liberdade Financeira".

 

3. Estou no caminho certo?

 

Finalmente o último passo é verificares se as ações que estás a tomar estão a trazer resultados. Se fizeres bem o passo 2, então inevitavelmente vais conseguir poupar mais dinheiro. Claro que se quiseres ir mais além, podes definir objetivos mensais e confirmar se os estás ou não a cumprir. Recomendo que definas um objetivo anual de poupança, e que o dividas pelos 12 meses do ano, permitindo-te chegar assim ao objetivo mensal. Dessa forma, caso atinjas o teu objetivo em determinado mês, não te deves sentir mal por gastar o excedente em coisas que realmente te dêem prazer e que adoras. Só temos uma vida, portanto aproveita-a!

 

Espero que tenhas gostado deste post, é um pouco diferente do que é habitual, mas pretendo de vez em quando tocar no tema finanças pessoais, acho que literacia financeira é um tema que deveria ser ensinado desde que somos crianças, talvez assim não existissem tantas famílias com sérios problemas de sobreendividamento.

 

Até à próxima 

 

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