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Profissional Moderno

Profissional Moderno

28
Jun20

Desde quando nos tornámos tão superficiais?

Luís Rito

Liberdade, uma palavra que nas sociedades mais modernas e evoluídas fomos aprendendo a esquecer. Para a grande maioria de nós Portugueses, é algo que tomamos como garantido, como respirar ou como a nossa saúde, algo que só nos lembramos e valorizamos quando o perdemos. Hoje podemos falar e opinar sobre tudo aquilo que nos apetece, sentimo-nos no direito de poder fazer toda uma série de ações (certas ou erradas) e criticamos comportamentos que as massas consideram moralmente errados. Não pretendo mergulhar muito nesta palavra, mas a liberdade é algo que ao longo dos anos fomos conquistando, para agora estarmos reféns de toda uma nova variedade de comportamentos que não conseguimos controlar. Hoje em dia, a grande maioria das pessoas vive uma liberdade artificial, já que continua presa a uma sociedade que impõe certos tipos de comportamentos e certos tipos de ações. Continuamos a viver numa sociedade onde os mais novos aprendem nas escolas a pertencerem a um padrão, a serem mais uma bolacha que sai de uma forma pré-fabricada. O sistema de ensino não evoluiu, continuamos todos a ser avaliados de acordo com um padrão que consideramos ideal, é quase como se pedíssemos a um elefante, a um macaco, a uma baleia e a uma girafa que subam a uma árvore, e o primeiro a consegui-lo tem a nota mais alta. Somos encorajados a "não ser diferentes", sob pena de sermos criticados. Quando crescemos existe uma pressão imensurável para encontramos um bom emprego, casar, constituir família, comprar uma casa, um carro e trabalhar até estarmos velhos e cansados. Pessoas que seguem caminhos diferentes são muitas vezes olhadas como "agitadores", verdadeiros outliers. Também somos fortemente encorajados a consumir, afinal existe todo um mundo assente no capitalismo que tem que sobreviver. Assim, fazemos uso de fantásticos instrumentos chamados créditos para nos endividarmos, tendo que trabalhar cada vez mais para manter todo um estilo de vida utilizado para impressionar a sociedade. Onde está a liberdade? 

 

Passamos horas a assistir a vidas falsas nos Facebooks & Instagrams, e começamos a achar que a nossa vida é uma seca comparada com a vida de todos os outros que estão a publicar mil e uma fotografias, sempre felizes e de bem com a vida. Cada vez mais horas do dia são utilizadas a olhar para aquele pequeno ecrã que temos nos nossos telemóveis. Estes objetos tornaram-se já uma extensão de nós próprios, uma grande percentagem de pessoas deve interagir mais horas com o seu telemóvel do que com pessoas de carne e osso, como a sua família por exemplo. Quando vamos a um concerto, tendemos a gravar as melhores partes, e acabamos por ver os espetáculos por um ecrã quando estamos lá ao vivo e a cores. Famílias vão almoçar ou jantar fora apenas para estarem a publicar conteúdos, a ver o que se passa noutros sítios que não aquele em que se encontram e assim evitarem falar uns com os outros. Estamos tão presos à tecnologia que parece que deixámos de apreciar aqueles momentos simples e deliciosos, como observar uma paisagem, utilizar todos os nossos sentidos, observar as cores, sentir o cheiro da natureza ou o vento a bater na nossa cara. Gostamos que pensem que estamos sempre a mil à hora, sempre atarefados, sempre com algo para fazer, afinal, parar é morrer certo? Não existe tempo para estarmos aborrecidos, temos sempre uma infinidade de conteúdo na internet para consumir, e a beleza disto tudo é que nunca se esgota. Orgulhamo-nos de trabalhar muito, de dormir pouco, e de estar sempre em movimento. A vida passou a ser vivida a mil à hora, as crianças conseguem estar a consumir conteúdos digitais em dois ou três dispositivos em simultâneo. Atrás de um vídeo vem sempre outro, algo que nos obriga a estar focados 1 minuto é uma eternidade neste mundo de consumo rápido. A superficialidade é a nova doença das civilizações modernas. Somos como um rio que tem uma largura enorme, mas que não tem profundidade. Onde está a liberdade? 

 

Natureza

 

Acredito que é quando tentamos ir mais fundo, quando tentamos atingir uma determinada profundidade, que encontramos a nossa verdadeira essência e talvez a nossa felicidade. Quase tudo hoje em dia é superficial e descartável, até mesmo as relações entre as pessoas. Temos demasiado conhecimento sobre toda uma panóplia de coisas, mas poucos aprofundam um ou dois temas específicos, já que isso envolve um grande investimento a nível de tempo e esforço, e numa sociedade de constantes distrações e baixa concentração é muito mais fácil saltar de tema em tema, ficar na superfície, esquecemo-nos que é em águas profundas que se colhem os maiores benefícios.

Porque não ligamos mais aos pequenos momentos? Urge deixarmos de estar tão atarefados, pararmos para viver com mais calma. De certa forma, a pandemia que o mundo enfrenta em 2020 foi quase como um botão de reset para muitas pessoas. De um momento para o outro vemo-nos confinados em casa, muitos ficam em situações de layoff, e, portanto, com muito tempo livre para matar. De repente somos obrigados a abrandar e a abraçar a monotonia. Começamos a valorizar imensas coisas que tínhamos como garantidas, uma simples ida à rua para passear o animal de estimação ou levar o lixo passa a ser um dos momentos altos do dia.

Por outro lado, acredito que o confinamento tenha agravado a nossa dependência tecnológica. Chegámos ao ponto de precisar de tecnologia para nos protegermos dela própria, como cofres com temporizadores onde se guarda o telemóvel para evitar tocar-lhe, ou aplicações que nos incentivam a ser mais produtivos e a reduzir a dependência das redes sociais, YouTubes, Netflixes e afins. Pessoalmente, acredito que a tecnologia é fantástica, ajuda-nos de formas que os nossos antepassados nem podiam sonhar, ajuda-nos a estar em contacto com pessoas que nos são queridas mas que estão longe, dá-nos o poder de aprender sobre virtualmente qualquer tema que nos interesse, monitoriza a nossa saúde, traça-nos caminhos para nunca nos perdermos, permite-nos fazer pagamentos sem utilizar dinheiro físico e permite-nos fazer compras sem sair de casa. Os benefícios são enormes, eu próprio sou um entusiasta de tecnologia. Mas existe um grande elefante no meio da sala, todos nós somos humanos, e tendemos a ficar altamente viciados em atividades que nos deem prazer ou que façam com que o nosso cérebro gaste menos energia. Usar a cabeça de repente tornou-se cansativo, não existe necessidade de memorizar nada, afinal temos tudo à distância de um clique. Se temos uma dúvida, utilizamos o nosso smartphone e já está. Passamos agora uma percentagem muito alta do nosso dia a olhar para um ecrã, e isso é um grande problema.

Na minha modesta opinião (que vale tanto como qualquer outra), temos que reduzir o consumo de conteúdos virtuais, aproveitar mais o que a vida tem para nos oferecer. Sair para a natureza, fazer caminhadas, respirar ar puro, ir jantar com amigos, falar, discutir assuntos intelectualmente desafiantes, pousar os telemóveis e interagir com pessoas cara a cara. Ler um livro, daqueles com vários anos, onde conseguimos sentir o cheiro das páginas velhas e gastas, daqueles que nos põem a pensar e que são desafiantes. Fazer exercício físico, comer uma boa refeição sem comida processada, ir ao teatro ou ao cinema, assistir a um espetáculo de música ao vivo, fazer uma viagem, de preferência para um sítio onde não se tenha rede de telemóvel. No final do dia, tentar desacelerar e viver com menos stress. Cabe a cada um de nós lutar novamente pela nossa liberdade, deixarmos de ser reféns de aplicações onde se mede o sucesso pelo número de likes e viver cada momento com o máximo de intensidade, no mundo real.

 

14
Jun20

Porque é que muito WIP vai matar o teu departamento de IT?

Luís Rito

WIP é um acrónimo que significa "Work in Progress" ou "Work in Process", e basicamente representa trabalho que se encontra a ser executado dentro de um determinado sistema. Este acrónimo é bastante conhecido junto da comunidade Lean, sendo muito utilizado em processos de produção fabril, como por exemplo na montagem de um automóvel, desde o momento em que entra na linha de montagem até ao momento em que sai. Apesar do sucesso que as práticas Lean têm tido nesse tipo de ambientes, junto de processos onde o trabalho é considerado mais invisível, como por exemplo, num departamento de IT, a sua utilização não tem sido adotada. Os argumentos variam, alguns afirmam que não se pode comparar trabalho altamente especializado e complexo como por exemplo desenvolvimento de software com a montagem de um automóvel. Contudo, quanto mais leio e investigo sobre o assunto mais similaridades encontro. Na linha de montagem de um automóvel, existem várias estações de trabalho, por exemplo, montagem de motor, montagem de componentes elétricos, pintura, etc. O automóvel, o qual vou passar a chamar unidade de trabalho, desloca-se desde o início do processo até ao seu final, saltando de estação de trabalho em estação de trabalho, até chegar finalmente ao final do processo e ser considerado pronto. Cada estação de trabalho tem um número máximo de unidades de trabalho que pode aceitar, e durante por exemplo 8h, passam pelo processo várias unidades de trabalho (automóveis). Isto significa que a data altura, se parássemos o sistema, teríamos x automóveis dentro do sistema, chegando assim ao nosso WIP. Todo o sistema é continuamente otimizado, e atividades que permitam melhorá-lo são rapidamente implementadas pelos seus trabalhadores. Em sistemas deste género, é também fácil perceber que não podemos aumentar o WIP sem antes realizarmos otimizações ao nosso processo. Por exemplo, se apenas temos uma câmara de pintura, então não podemos pintar dois automóveis ao mesmo tempo, estando o WIP nessa estação de trabalho limitado a 1 unidade.

 

Ora, se olharmos com atenção para um departamento de IT, mais concretamente uma equipa de desenvolvimento, encontramos muitas similaridades. De forma análoga ao que acontece com a linha de montagem, no desenvolvimento de determinada funcionalidade de software (para facilitar, chamada também unidade de trabalho), também se devem seguir determinados passos até que esta seja considerada concluída. Em organizações com hierarquias mais tradicionais, não existe o conceito de equipas multidisciplinares, logo uma unidade de trabalho tem que saltar de estação de trabalho em estação de trabalho, tal como acontece na linha de montagem. Estas estações de trabalho podem ser por exemplo, análise funcional, desenvolvimento da solução, testes de integração e de utilizador, deployment, acompanhamento ou service desk, entre outras que não coloco para não tornar o exemplo demasiado complexo. Em determinada altura, cada uma destas estações de trabalho tem um WIP específico, muitas vezes a tender para infinito, já que não existe qualquer bloqueio ao nível de trabalho em curso. Como o tipo de trabalho acaba por ser mais invisível, é possível cada estação de trabalho ter um número incrivelmente alto de temas em curso, e outro tanto em espera para ser iniciado. Ou seja, seria o equivalente a termos uma câmara de pintura e 10 automóveis em espera para serem pintados, não faz sentido.

Em IT, existirem inúmeras unidades em curso em cada uma das estações de trabalho leva a atrasos cada vez maiores. Está mais que provado que o multitasking não funciona, ter inúmeros temas em curso significa que nenhum deles será realizado com velocidade, e pior, fará com que unidades que venham de outras estações de trabalho fiquem muito tempo em espera até serem realmente realizadas. O segredo para que isto não aconteça é não incluir trabalho no sistema até ele rebentar. Uma linha de montagem de automóveis tem um limite, e de forma similar, as equipas de IT têm igualmente um limite de pedidos que conseguem realizar. Se assim é, porque continuam as empresas a inserir mais unidades de trabalho num sistema que já está a rebentar pelas costuras? Cada estação de trabalho tem um número de pessoas, com uma capacidade finita para realizar pedidos. Por exemplo, se tens uma equipa de 4 pessoas numa estação de trabalho, e se definires que cada uma delas pode laborar em simultâneo em 2 temas, então a tua capacidade de unidades máxima que deves aceitar nessa estação de trabalho é de 8 e não mais que isso. Ou seja, para adicionar mais 1 unidade, esta estação deve retirar do seu WIP igualmente 1 unidade.

 

Kanban Board

Nota: E como podes controlar o WIP no teu processo? Os quadros Kanban são ótimos aliados, através deles é possível saber a dada altura qual o WIP em cada estação de trabalho e consequentemente qual o WIP total do processo. Noutro artigo prometo falar-te mais dos quadros Kanban.

 

Todos sabemos o quão difícil é gerir um departamento de IT, existe constantemente trabalho "urgente" e não planeado que aparece no caminho. O maior desafio passa por escolher muito bem o trabalho que é realizado, distinguir o que são urgências verdadeiras de urgências sem fundamento. É que muitas vezes essas urgências servem apenas para beneficiar uma área, ou pior, uma pessoa específica (portanto para essa pessoa é a atividade mais urgente que a empresa tem para fazer). O trabalho não planeado é o verdadeiro cancro de um departamento de IT. Quando uma equipa passa todo o tempo a combater incêndios, sobra muito pouco tempo e energia para planear e para pensar. Ao estar constantemente a reagir não existe energia para fazer o trabalho mental difícil de escolher muito bem o que se deve ou não aceitar. A consequência disto é que mais trabalho entra no sistema, o que significa mais multitasking, mais trabalho "feito à pressa", mais atalhos e mais débito técnico. É uma bola de neve e uma espiral descendente. Fazendo a analogia com uma autoestrada, se a sua capacidade estiver perto dos 100%, existe um engarrafamento gigante, e consequentemente, ninguém anda 1 metro que seja. Se a capacidade estiver um pouco mais baixa, o trânsito fluirá com maior facilidade. Se a capacidade das equipas está perto dos 100%, todo o sistema terminará unidades de trabalho a um ritmo quase nulo.

A melhor forma de exemplificar este conceito é com uma fórmula bastante simples:

 

Wait Time = % Busy / % Idle

 

O que esta fórmula significa? Se a % de tempo de ocupação de determinada estação de trabalho é igual a 50%, então a % de tempo disponível é igualmente de 50%. Dividindo uma pela outra obtemos 1, por motivos de exercício poderemos considerar 1 hora de tempo de espera.

Se a % de tempo de ocupação de uma estação de trabalho é igual a 90%, então a % de tempo disponível é de 10%, logo o tempo de espera é igual a 9 (9 vezes mais tempo que no exemplo que dei acima).

Agora vem a parte interessante, se a ocupação de uma estação de trabalho é igual a 99%, significa que a % de tempo disponível é de 1%, logo o tempo de espera é igual a 99 (99 vezes mais que o primeiro exemplo que te dei).

 

Na prática, isto significa que quando menos % de capacidade disponível a estação de trabalho tiver, mais tempo as unidades de trabalho ficam em espera até serem realizadas. Isto é tão mais grave quanto maior a quantidade de estações de trabalho que uma unidade deve percorrer até ser dada como concluída. A título de exemplo, se o sistema fosse composto por 3 estações de trabalho, todas elas a trabalhar a uma capacidade de 99%, cada unidade de trabalho teria de esperar 99h em cada uma delas até ser concluída, ou seja, 297h! Não admira que digam que o departamento de IT leva 6 meses a entregar um desenvolvimento. Deve ser reservada capacidade das equipas para trabalho não planeado e para pensarem em melhores formas de otimizar o processo. Trabalho com a finalidade de melhorar o processo como um todo é tão ou mais importante que o trabalho atual. A capacidade de as equipas introduzirem melhoria contínua nos seus processos e nas suas formas de trabalhar permitirá reduzir muitas dores de cabeça no futuro. Por exemplo, se em 75% das vezes obtemos bugs em desenvolvimentos de determinada funcionalidade porque o código está complexo e não estruturado, então deve ser reservado tempo para o melhorar, esperando com esta ação reduzir a percentagem de bugs, permitindo que a equipa ganhe ainda mais tempo no futuro. Isto não é teoria, é a realidade, equipas com esta capacidade de se melhorar têm maiores hipóteses de se tornar numa equipa de alto rendimento. No espectro contrário, equipas em que não exista melhoria, rapidamente vão tornar-se obsoletas por efeito da entropia. Dou um exemplo muito simples, um cubo de gelo num copo com água. Com o tempo a entropia aumenta, e o calor faz com que o gelo fique mais desordenado e consequentemente líquido. Para que o gelo possa manter-se no estado sólido será necessário fornecer mais energia para que ele mantenha a sua temperatura, caso contrário e devido à entropia este irá ser transformado em água. O mesmo acontece nas organizações e nas equipas. Deve ser aplicada mais energia ao sistema para que este se mantenha em pleno funcionamento, caso contrário a entropia encarregar-se-á de o transformar em algo caótico e desordenado. É aí que entra a melhoria contínua, é a energia que uma organização/equipa necessita para se manter forte.

Em jeito de conclusão, é fundamental que os departamentos de IT saibam escolher muito bem o trabalho que têm que realizar, sempre alinhado com o que são para a empresa os seus objetivos estratégicos. É fundamental que reduzam o seu WIP, deixando margem para outras atividades como melhoria contínua e otimização de todo o sistema, e é fundamental que se deixe de pensar em ter os recursos o mais ocupados possível, pois isso irá diminuir o fluxo de todo o processo.

 

Qual a tua opinião?

 

 

07
Jun20

Trabalhar para viver ou viver para trabalhar?

Luís Rito

Tira um curso, encontra uma boa empresa, trabalha com esforço e dedicação e vais subir na sua hierarquia, se possível mantêm-te lá até te reformares. Para quem como eu nasceu na década de 80 (ou menos) este era um conselho de muito valor oferecido a custo zero pelos nossos pais. O Santo Graal era entrar numa empresa o mais estável e sólida possível, uma empresa que conseguisse assegurar aos seus colaboradores uma segurança que muitas das pequenas empresas não conseguiam. Após entrar, basicamente tudo se resumia a trabalhar muito, não levantar muitas ondas, e esperar as tão aguardadas promoções. O sucesso na vida, e consequentemente a nossa felicidade era medido pelo trabalho que se tinha e pela progressão que se alcançara. Hoje em pleno século XXI, arrisco dizer que as coisas mudaram radicalmente.

 

Decerto já repararam que as pessoas mais jovens ambicionam um estilo de vida bem diferente dos seus pais. No exemplo que te dei acima, o emprego para a vida permite que as pessoas tenham um estilo de vida mais consumista, ou seja, existe um salário que entra todos os meses e que permite que se tenha dinheiro para uma casa ou um carro (bem como para todo um conjunto de coisas). Quer se queira quer não, quem se considera seguro no seu trabalho acaba por adaptar o seu estilo de vida ao seu salário, ativando toda uma veia consumista bem presente em vários milhões de pessoas. Acredito que as coisas estão a mudar, as pessoas mais novas não ambicionam a casa grande ou o carro brilhante e bonito. Diria que os objetos mais desejados pelas novas gerações são um excelente smartphone ou um excelente laptop ou tablet que lhes permita estar ligados ao mundo. A felicidade já não se mede pelos bens materiais, mas sim pelas experiências que se vivem. O automóvel passou a ser encarado como um custo e como um bem não essencial. Na geração do uber, das trotinetes elétricas, do car sharing fará sentido continuarmos a ter este gasto enorme nas nossas vidas? Para além de termos que pagá-lo, existe todo um conjunto de gastos como manutenção, seguro e selo. Se fizeres contas ao tempo que passas a conduzir, se calhar em 24h conduzes 1h30 ou 2h, o resto do tempo tens o teu automóvel parado. É exatamente por isso que novas gerações preferem não ter um gasto desta magnitude nas suas vidas. O mesmo acontece para as casas, estas devem ser práticas e mais pequenas. Do que adianta ter uma casa enorme se depois vais acabar por estar 99% do tempo nas mesmas divisões? A ostentação de luxo foi substituída pela praticabilidade. 

 

Digital nomad

 

A própria carreira mudou, e penso que no futuro se vai alterar ainda mais. Estudar durante anos para obter uma competência em determinada área e praticá-la durante 40 anos já não é a tendência. A tendência é ganhar competências em várias áreas, e ir experimentando até se encontrar aquilo que nos apaixona. Passamos demasiadas horas da nossa vida a trabalhar para nos darmos ao luxo de fazermos algo que não gostamos. Isso conduz a infelicidade, e infelicidade conduz a um aumento do consumo em coisas que não precisamos (para nos sentirmos um pouco melhor). O foco agora é aprender continuamente, estudar durante toda a vida, procurar novas experiências. A própria reforma acredito que vá ser bem diferente, onde antes se aproveitava a reforma para basicamente "não fazer nada", diria que no futuro a tendência será continuarmos a trabalhar naquilo que nos deixa felizes.

Acredito que neste momento as pessoas podem ambicionar a viver de acordo com o seguinte ciclo:

 

1. Estudar sobre um tema/área que nos apaixone;

2. Conseguir emprego nessa área e entregar valor;

3. Trabalhar nessa área enquanto isso te mantiver feliz e realizado;

4. Parar e descansar. Refletir sobre a experiência;

5. Identificar novos conhecimentos ou temas que queres perseguir e começar novamente do ponto 1.

 

Ora, o ponto 1 e o ponto 2, é onde todos nós, bem ou mal vamos chegar sem grande problema. O segredo está nos restantes pontos. Ter a capacidade de sair de um emprego que não te deixa feliz é um passo de grande coragem, mas é um passo que apenas tu podes tomar. Diria que se chegas ao final de cada domingo, com uma sensação de mau estar e com muito pouca vontade de trabalhar no dia seguinte, então está na hora de experimentares algo novo.

Relativamente ao ponto 4, e para que possas desfrutar em pleno deste, necessitas de ter uma mentalidade minimalista e pouco consumista, ou seja, durante o período em que te encontras a entregar valor (ponto 3), deves poupar uma boa quantia de dinheiro, que te permita viver o ponto 4 em pleno e com tranquilidade. É aqui que deves parar, recarregar energias, ganhar fôlego e pensar no próximo passo que queres dar. Normalmente estamos tão absorvidos no nosso dia-a-dia que acabamos por não ter tempo para pensar se o rumo que estamos a tomar é ou não o mais correto. E convém dizer que 20 e poucos dias de férias por ano é manifestamente pouco para poderes descansar.

As novas gerações também querem flexibilidade, quem disse que o correto é trabalhar das 9h às 18h? Se sou ultra produtivo no período das 7h às 9h porque não o posso fazer e sair por volta das 16h? O mesmo vale para pessoas que são muito produtivas durante a noite. Logicamente que nem todos os tipos de trabalho permitem uma flexibilidade destas, mas diria que uma grande percentagem deles, que envolvem conhecimento e criatividade têm todas as possibilidades para o fazer.

Finalmente, aproveita a pausa referida no ponto 4 para começares a realizar o ponto 5, e consequentemente voltares ao 1. Este ciclo vai dar-te conhecimento sobre um grande conjunto de temas, o que te vai transformar num profissional mais completo e espero eu, mais realizado e concretizado. Os custos com educação vão ser mais elevados, mas também mais espaçados no tempo. Isso é algo que também já está a mudar. Os cursos universitários e MBA´s de 50k€ provavelmente vão perder cada vez mais relevância. São valores incrivelmente altos a pagar por educação num tão curto espaço de tempo. Não será preferível investir os 50k€ ao longo da vida em cursos diferentes e que se adaptem mais ao que pretendes em determinada fase da tua vida? Ao perseguires novos interesses, acredito também que vais conseguir viver uma vida mais gratificante e com mais felicidade.

 

E tu? Com o que te identificas? Trabalhar para viver ou viver para trabalhar?

 

 

17
Mai20

Poderá o futuro passar por equipas cada vez mais remotas?

Luís Rito

O mundo está a mudar. É algo que tem vindo a ser constante ao longo dos anos, mas especialmente desde há uns meses para cá. O estado atual de pandemia tem vindo a acelerar temas que antes se pensavam ser impossíveis ou muito difíceis. Hoje falamos de um em específico, o trabalho remoto. Em muitos países o trabalho remoto é já uma realidade há vários anos. Aqui em Portugal tem vindo a ganhar o seu terreno, mas ainda de uma forma muito tímida. A realidade é que a cultura do nosso país incentiva e premeia os profissionais que dão o "extra mile", ou seja, quem fica a trabalhar até tarde. Este ponto é tanto mais válido quanto as chefias exibam o mesmo comportamento. Com base nisto, será correto pensar que quem prefere realizar trabalho remoto, ainda que a empresa o permita, poderá ter menos possibilidades de obter progressos na sua carreira. Estando longe da visão da sua chefia, a probabilidade é que os que estão mais perto conseguirão construir laços de confiança de uma forma mais célere, e infelizmente na grande maioria das empresas não é o mérito que trará promoções. Em realidades onde a cultura é mais madura, existem muitas vezes objetivos muito claros e KPI´s definidos que representam o trabalho das equipas. Assim, são os colaboradores que obtém os melhores resultados que vão receber mais prémios e consequentemente mais promoções, estando ou não a trabalhar no escritório ou numa esplanada. Contudo, arrisco-me a dizer que a esmagadora maioria das empresas não está neste estágio, tornando até há pouco tempo o trabalho remoto um sonho inalcançável de muitos colaboradores.

 

Tudo isto até aparecer algo chamado Covid19 e virar do avesso a vida das pessoas e das empresas. O que era impossível tornou-se possível em poucos meses. Várias empresas em Portugal e no mundo que não sabiam o que era trabalhar remotamente encontram-se a trabalhar desta forma desde há uns meses. E a parte importante é que o estão a fazer muito bem. Falando por experiência própria, nunca como agora as reuniões começaram de forma tão pontual, tenho assistido a uma adaptação fantástica de todas as pessoas com quem tenho interagido, provando uma vez mais que as empresas são estruturas e sistemas complexos adaptativos. A capacidade de adaptação das empresas depende, claro está, das pessoas que fazem parte desta, e a mudança tem sido na minha opinião muito positiva. Após um período de 2-3 semanas, a produtividade das empresas voltou ao que era (ou diria mesmo que aumentou). Urge, portanto, fazer a questão, não será possível daqui para a frente oferecer aos colaboradores condições de trabalho mais flexíveis? Penso que falo por todos quando digo que o tempo que se demora de casa-trabalho e de trabalho-casa raramente é algo que nos torne felizes. Para certas pessoas é tempo que utilizam por exemplo para pensar, para ler ou para escrever, mas é algo que podem continuar a fazer no conforto do seu lar mesmo que trabalhem remotamente. Logicamente que apenas algumas atividades permitem a execução de trabalho remoto, mas considero que se conseguíssemos que uma grande percentagem de todas as pessoas que têm possibilidade de trabalhar a partir de casa o fizesse, iríamos todos beneficiar. Começando pela entidade empregadora, que não necessita de espaços físicos tão grandes, permitindo-lhe ainda ter poupanças energéticas e também de ajudas de custo com deslocações. Continuando para o colaborador que ganha horas por dia ao não ter que se deslocar para o trabalho, possibilitando passar mais tempo com a família, fazer mais desporto ou ter mais horas para os seus hobbies. Por fim, o principal ganhador será o nosso planeta, todos nós somos responsáveis por reduzir emissões de CO2, portanto imaginem se reduzíssemos drasticamente as deslocações em automóveis e aviões? Talvez o nosso planeta começasse novamente a respirar.

 

Trabalho remoto

 

Não estou a afirmar que devemos avançar a 100% para modelos de trabalho remotos, até porque continua a ser muito importante existir interação entre as pessoas. Tudo se torna mais fácil depois de estarmos presencialmente e comunicarmos cara a cara com alguém. As videochamadas são igualmente boas, mas não é a mesma coisa. É justamente por esse motivo que mesmo em projetos remotos, se recomenda que a equipa esteja presencialmente reunida, pelo menos no seu kick-off. Dessa forma todas as comunicações futuras serão menos difíceis. Podemos então concluir que o melhor de dois mundos seria mantermos uma abordagem híbrida ao teletrabalho, reservando alguns dias do mês para contactos cara a cara (sempre que seja justificável).

E no caso de equipas onde sejam utilizadas metodologias ágeis? Um dos princípios básicos é que a equipa esteja colocada no mesmo espaço físico de forma a aumentar a comunicação osmótica, ou seja, a comunicação que passamos a acompanhar apenas por partilhar o mesmo espaço com os restantes elementos da equipa. O segredo passa por continuar a comunicar numa base regular, com a diferença que ao invés de falar cara a cara, esta comunicação ocorrerá através de videochamada. É correto afirmar que não será o mesmo, por videochamada é muito difícil apercebermo-nos da linguagem não verbal sempre que falamos com outra pessoa, mas continua a ser a melhor alternativa. Por ordem de prioridade, sempre que comunicas de forma remota deverias preferir videochamadas, seguido de telefone e por último o email. Através de email a mensagem pode ser facilmente mal interpretada. O telefone acrescenta outra camada de compreensão, como por exemplo o tom de voz. Finalmente a videochamada já nos permite observar e interpretar expressões. Acima disso, apenas a comunicação presencial nos permite ter uma conversa onde podemos usar todos os nossos sentidos.

 

A existência de inúmeros softwares de acompanhamento de tarefas e de projetos também nos permite de uma forma muito célere entender que tarefas têm os restantes elementos da equipa. A gestão desse tipo de atividades está há vários anos mais simples que nunca. A banalização de cloud based applications permite-nos controlar o nosso fluxo de trabalho onde quer que estejamos, utilizando por exemplo um telemóvel. Nunca como agora foi tão fácil colaborar. Pode-se editar documentos e apresentações em simultâneo enquanto se comunica via videochamada, pode-se falar com pessoas do outro lado do mundo num piscar de olhos e pode-se trabalhar no conforto da nossa casa ou enquanto bebemos um refresco numa esplanada à beira-mar. Como podem constatar, as barreiras que impusemos relativamente ao trabalho remoto nada mais são que barreiras invisíveis que não existem em lado nenhum a não ser nas nossas cabeças. Estará o mundo preparado para mudar e para evoluir? O trabalho a partir de casa será uma nova realidade no nosso futuro ou rapidamente vamos voltar aos velhos hábitos? Não tenho a resposta, só o tempo o dirá, todos temos a ganhar com esta mudança de mentalidade.

 

Aguardaremos pelo que aí vem.

 

10
Mai20

O mundo por um ecrã

Luís Rito

Século XXI, a tecnologia abunda, para qualquer lado que olhemos lá está ela a espreitar. Temos computadores, cada vez mais portáteis e potentes, smartphones que têm um poder de processamento que faria os computadores de há uns anos se esconderem de vergonha, temos a internet cada vez mais presente na vida de todos, temos smartwatches que não deixam uma notificação nos escapar e temos acesso a toda a informação do mundo instantaneamente no ecrã do nosso telemóvel.

 

Toda esta informação nos transforma em pessoas mais informadas, sempre que temos uma dúvida basta-nos procurar pela resposta, está sempre à distância de poucos segundos. Temos acesso a formação que antigamente não teríamos, podemos comunicar e ver pessoas que gostamos e que estão fisicamente longe, podemos fazer compras sem sair de casa, podemos trabalhar, podemos ver filmes e séries e podemos enfrentar a pandemia que atualmente vivemos de uma forma menos monótona. Com tudo o que a tecnologia traz de bom, porque acho que cada vez mais estamos desligados do nosso mundo, o mundo real?

 

O ser humano não está preparado para a quantidade de estímulos a que é sujeito hoje em dia. A dopamina é uma hormona libertada pelo nosso organismo que nos leva a repetir comportamentos que nos dão prazer. É conhecida pela hormona da felicidade, portanto é normal veres os seus níveis aumentar sempre que acabas de fazer exercício físico ou sempre que comes um belo chocolate. A dopamina é o que faz a grande maioria das pessoas escolher comer um chocolate ao invés de brócolos. Se te dessem duas opções, uma barra de chocolate ou um prato cheio de brócolos, imediatamente o teu cérebro associaria o chocolate a prazer, e sempre que o comesses os teus níveis de dopamina iriam aumentar, resultando numa sensação de bem-estar temporária. Provavelmente após uma hora poderias sentir-te culpado por comer chocolate quando estás de dieta, mas no momento da decisão só conseguimos pensar no quanto vamos apreciar o chocolate.

 

Onde quero chegar com tudo isto? Atualmente tens disponível uma fonte infinita de gratificação instantânea! São as notificações do facebook, do instagram, são as notícias que teimam em cair no teu ecrã a cada 5 minutos, são as mensagens de WhatsApp, são os milhentos jogos disponíveis...uff...o potencial de interrupções a que és sujeito todos os dias é interminável. Para muitas pessoas a primeira e última coisa que veem todos os dias é o ecrã do telemóvel. Já presenciei famílias inteiras a jantar, e onde não existe qualquer tipo de comunicação verbal, cada um dos elementos está no seu tablet ou telemóvel. Já vi um neto a almoçar com uma avó, onde durante todo o almoço o neto não descolou os olhos do ecrã do tablet, deixando a sua avó praticamente a comer sozinha. Já observei nos transportes públicos que antes se conversava e agora olha-se para o telemóvel. Já vivi concertos onde centenas de pessoas ao invés de aproveitarem o momento com todos os seus sentidos, estão a filmar, e portanto, a ver o espetáculo através do telemóvel.

 

O Pensador

 

As crianças hoje em dia já não sabem o que significa a palavra aborrecimento. Desde o momento em que acordam até ao momento em que se deitam são bombardeadas com estímulos que fazem os seus níveis de dopamina serem cada vez mais altos. E a dopamina é altamente viciante, quase como uma droga. É por isso que se lhes damos a escolher ler um livro ou jogar no telemóvel a escolha é óbvia. É semelhante ao caso do chocolate e dos brócolos. É por isso que algumas crianças já não sabem pensar pela sua cabeça, sempre que lhes surge um problema pode acontecer uma de duas coisas, ou desistem porque é algo difícil, ou tentam obter a resposta na internet. Existe pouco espaço para utilizar uma coisa fantástica que temos e que se chama cérebro. Até nós adultos. Antes existia espaço para argumentação sobre determinado tema, as pessoas falavam e explicavam o seu ponto de vista. Agora vamos ao Google, encontramos a resposta e...fim da argumentação. Tudo é instantâneo, estamos habituados a ter resposta para todas as nossas perguntas, um filme de 2m passou a ser uma eternidade, conseguimos estar horas a ver vídeos aleatórios no YouTube, consumimos informação em larga escala.

 

É por isso que apaguei as aplicações do facebook e instagram do meu telemóvel, e é por isso que tento não gastar demasiado tempo agarrado a ele. Acredito que a chave para fazermos coisas difíceis é deixarmos de consumir tanta informação todos os dias e fazer uma limpeza, quase uma desintoxicação de estímulos. Temos que abraçar o mundo real, viver com todos os nossos sentidos bem ativos. Sempre que olhas para uma paisagem, olha realmente, sente o vento, o cheiro, observa a 100%, desacelera, relaxa e fica só com os teus pensamentos. Esquece a selfie, a fotografia panorâmica, o post no facebook, apenas vive o momento com todos os teus sentidos. Desativa as notificações do teu telemóvel, como é que esperas ser produtivo se recebes uma mensagem de 2m em 2m? É impossível, o teu cérebro sabe que tem algo novo para ver e vai desfocar a tua atenção das atividades importantes que queres realmente realizar.

 

Se te desligares de todas essas atividades altamente viciantes, aos poucos os teus níveis de dopamina vão baixar, vais-te sentir aborrecido, mas garanto que vais apreciar fazer as tarefas difíceis que teimam em não ser concluídas. É muito provável que a tua capacidade de foco e de concentração também aumente. Se não tiveres a tentação de pegar no teu telemóvel, ou de ver coisas que não te levam a lado nenhum, tens mais possibilidade de conseguires perseguir os teus objetivos e teres mais sucesso. Ler livros vai passar a ser bem mais interessante, e ler livros é uma garantia para te tornares mais sábio e aumentares os teus níveis de concentração. Abraça o aborrecimento, as atividades que agora achas enfadonhas vão passar a ser as que te dão dopamina, porque entre não fazer nada e ler um livro ou escrever, vamos sempre preferir fazer algo de útil. Faz uma desintoxicação de informação irrelevante, e por um dia desliga a TV, o telemóvel e o computador, depois observa os resultados.

 

Acima de tudo reserva tempo para pensar. Vive!

 

 

26
Mar20

Vive mais com menos

Luís Rito

Olá!

 

Antes de avançarmos mais, quero deixar o meu agradecimento a todas as pessoas da nossa sociedade que apesar dos riscos de contrairem o COVID-19, vão trabalhar todos os dias para que tudo continue dentro da maior normalidade possível. A realidade é que apesar de muitos estarem confinados há vários dias ao seu lar, outros tantos trabalham diariamente para que não nos falte nada. E não são apenas os médicos, falo também de farmacêuticos, de todo o pessoal necessário para manter um hospital aberto, motoristas de entregas de mercadorias & encomendas, toda a supply chain do retalho, limpezas, recolha de lixo, transportes públicos e todos aqueles que não referi e que continuam a fazer-nos chegar os serviços essenciais para o nosso dia-a-dia.

 

Dito isto, eu tenho a sorte de poder exercer as minhas funções através do conforto da minha casa, sendo que tirei voluntariamente alguns dias de férias durante este período de estado de emergência nacional. Muitos diriam que um período de férias numa altura em que não podes sair de casa é um autêntico desperdício de dias em que poderias estar de papo para o ar numa praia lá mais para o Verão. Eu vejo de outra forma, apesar de ter em casa um míudo de 10 anos, consigo utilizar este tempo para inúmeras coisas que não consigo no dia-a-dia normal. Uma das atividades ao qual me dediquei foi a tentar pensar e agir de uma forma mais minimalista. O minimalismo é uma forma de estar na vida, que favorece as pequenas coisas em detrimento de uma vida de consumos desenfreados e perseguição de um modelo de sucesso que foi crescendo na nossa sociedade. O objetivo é livrares-te de tudo o que está a mais na tua vida e focares-te apenas no que interessa. Existe um documentário muito bom sobre o tema no Netflix. Este documentário tem como principais protagonistas Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, fundadores deste movimento. Podes dar uma vista de olhos no documentário aqui, e também ver o site deles para teres uma ideia do que se trata.

 

Dito isto, deixo algumas questões no ar. Porque temos que consumir tanto? Porque queremos sempre a casa enorme, o carro potente e topo de gama, o telemóvel que acabou de sair ou 30 pares de sapatos e 100 peças de roupa? Existe uma pressão enorme na nossa sociedade para consumir. Somos bombardeados com publicidade a toda a hora, fazem-nos acreditar que necessitamos de certos produtos para pertencermos a uma certa classe social. Desde pequenos que nos dizem que ter sucesso é ter um emprego com um salário milionário, mesmo que isso signifique trabalhar 12h a 16h dia, mesmo que isso signifique não darmos atenção à nossa família e mesmo que isso signifique abdicar da nossa felicidade. O sucesso na nossa vida deveria ser medido em felicidade e não em euros! Contudo ser minimalista não é viver apenas com uma t-shirt e morar numa casa vazia sem móveis. Ser minimalista é ser muito exigente com aquilo que trazemos para a nossa vida, e restringirmo-nos ao que consideramos fundamental e que acrescenta valor. Todos os objetos que possuis e que não tenham um objetivo e um propósito claro devem ser eliminados, é essa a lógica de tudo isto. Tudo o que é supérfluo vai embora.

 

Minimalismo

 

Munido desta forma de ver as coisas, livrei-me de tudo o que tinha que estava a mais. Tudo aquilo que considero que não acrescenta valor nem iria acrescentar no futuro foi removido. Ter menos coisas é libertador. Pessoalmente não gosto de ver casas com amontoados de "tralha", portanto livrar-me de uma série de coisas permitiu-me ter mais espaço dentro da minha própria casa. É uma loucura as pessoas quererem casas maiores para arrumarem cada vez mais coisas. Alguns desses mesmos objetos não são utilizados há anos, e ainda assim teimamos em querer guardá-los. Sugiro que os ofereçam a quem precisa, nomeadamente casas de apoio a crianças desfavorecidas. O ter pouco também significa que vais gastar menos dinheiro em coisas que não precisas, o que por arrasto te vai fazer poupar mais e aumentar o teu pé de meia. Esse mesmo pé de meia pode ser a tua salvação em situações como a que vivemos agora, e onde existe uma real hipótese da economia se vir a ressentir.

 

No meu caso, sempre adorei livros, portanto considero fundamental rodear-me de livros que sei que vou tornar a ler no futuro, nem que seja para ir procurar uma referência ou uma frase. Apesar de gostar tanto de livros, livrei-me de uma grande quantidade deles que sabia que nunca mais iria tornar a tocar. A lógica é esta, para mim são livros que me trazem valor, mas para ti podem ser CD´s de música ou coleções de bonecos da matutano. Mantêm aquilo que te faz feliz e que adoras, ou que tenha uma função que consideres útil (por exemplo uma máquina de café) e desfaz-te do resto. Por último, consumir menos também nos torna mais sustentáveis. Todos nós temos que ajudar nesta luta, o nosso planeta não vai aguentar este ritmo de consumo desenfreado para sempre. Existe sempre um preço que vamos ter que pagar no futuro. É por isso que te aconselho a fazer o mesmo, livra-te do que não precisas, livra-te de tudo o que não está a acrescentar valor à tua vida. Sê muito rigoroso com aquilo que compras e que trazes para dentro da tua casa, e acima de tudo escolhe a felicidade acima dos bens materiais, que apenas te trazem felicidade no momento em que os compras. 

 

Por hoje é tudo, espero que tenhas gostado. Até à próxima :)

 

 

13
Mar20

Ficar de quarentena não significa parar

Luís Rito

Olá!

 

Encontramo-nos a braços com uma situação delicada, não há como negá-lo. Desde há umas semanas que o corona vírus virou o mundo de muitos de nós completamente do avesso. Eventos estão a ser cancelados em quase toda a sua totalidade, empresas mandam os seus colaboradores trabalhar a partir de casa e tem ocorrido uma corrida aos supermercados de forma louca. Antes de abordar o tema de como podemos ver a quarentena com outros olhos, gostava de deixar a minha opinião sobre os eventos que têm ocorrido nos últimos dias.

 

Por favor, mentalizem-se que o corona vírus não é o fim do mundo. Não estou com isto a dizer que não é grave, mas não há necessidade de correr para os supermercados e levar todos os enlatados ou rolos de papel higiénico. Esses bens têm que chegar para todos, e se a grande maioria levar comida que lhes dá para 6 meses não vai chegar para as necessidades de toda a população. Reparem que a situação na China começa a estabilizar, o que me leva a acreditar que em Portugal vamos ter uma fase em que a propagação do vírus poderá piorar mas que tenderá a estabilizar também. Se todos cumprirmos com as nossas obrigações o impacto poderá ser baixo, e quando falo em obrigações falo em cumprir com as normas básicas de higiene e quarentena. É estúpido na situação em que estamos organizarem-se festas a celebrar o corona vírus! Lembrem-se que podemos não estar no grupo de risco, mas todos somos potenciais transmissores da doença, e podemos infetar os nossos entes mais queridos. Portanto, quando as escolas fecharem na próxima semana tentem não deixar as crianças com os avós, já que esses apresentam um risco muito maior de não resistir ao vírus.

 


Agora que já desabafei um pouco, vamos falar de um tema bem mais interessante. Se estás a ver o copo meio vazio, digo-te já que podes encarar a quarentena como uma oportunidade. Sim, nem tudo é mau, ao trabalhares de casa vais ter mais tempo disponível (assumindo que gastas diariamente algum tempo em deslocações) no teu dia para cultivares bons hábitos. O não deveres sair de casa a toda a hora também te vai trazer mais tempo, tenta apenas não o utilizar todo a ver TV ou Netflix.

 

quarentine


1. Trabalha na tua criatividade
Uma excelente técnica passa pela escrita de 10 ideias sobre um determinado tema todos os dias. Podem ser coisas tão simples como "10 ideias de sítios onde gostaria de passar férias" ou "10 ideias de como posso ganhar tempo no meu dia-a-dia". Aproveita que estás em casa e que tens mais tempo disponível pela manhã para fazer atividades como meditação ou trabalhar a tua veia criativa. Se tens curiosidade sobre como podes utilizar a técnica de escrever 10 ideias por dia para melhorar a tua criatividade dá uma vista de olhos neste artigo.

 

2. Aproveita para pensares na tua carreira
Define um plano de desenvolvimento para ti mesmo! Onde te vês em 3 ou 5 anos? O que deves realizar para lá chegar? Pensa muito bem em formações ou certificações que necessitas, que experiência precisas de aquirir, a rede de contactos que vais necessitar e que projetos tens que completar. Utiliza o tempo extra para pensar, é normal no nosso dia-a-dia tendermos a andar sempre a 1000% e não o fazermos. Para mais detalhe sobre este tema vê este artigo.

 

3. Lê aquele livro que teima em ficar na mesa de cabeceira há vários meses
Aproveita para pôr a leitura em dia, ler vai manter a tua mente ocupada e criativa :). Se já esgotaste o stock de livros para ler compra através da Amazon para teres acesso instantâneo a muito material de leitura.

 

4. Combate a preguiça
Ficar fechado em casa é meio caminho andado para entrares em modo "Garfield" (comer e dormir). Deves combater a preguiça com todas as armas que tens! Para isso, sempre que queiras ser produtivo começa com tarefas fáceis e pequenas para combateres a inércia, elimina tudo o que são distrações, como a TV ou o telemóvel e dá pequenas recompensas a ti mesmo quando consigas atingir um objetivo. Por exemplo, por cada 50m de trabalho faz uma pausa de 10m. Para saberes mais, vê este artigo.

 

5. Aproveita para criar bons hábitos
Boa alimentação e muito descanso é sempre uma excelente aposta. Tenta comer alimentos saudáveis, ricos em vitaminas, minerais e fibras. Esquece alimentos processados e carregados de açucar, investe em muitos vegetais e frutas,  já que são ricos em antioxidantes e vitaminas. Não te esqueças de te manter hidratado, continua a beber regularmente água ou chá. Aproveita também para pores o descanso em dia. No nosso local de trabalho por vezes não é fácil fazer uma pequena sesta a meio do dia, mas em casa é perfeitamente possível. Almoça em 30m e depois fecha os olhos por 20m, vais-te sentir como novo. Tenta também manter uma rotina de horas de levantar e deitar.

 

6. Treina em casa
Lá por estares em casa não significa que fiques com o rabo sentado todo o dia. Tenta fazer algum exercício. Se tens uma garagem ou uma divisão extra então aproveita-a para te poderes mexer. Se tiveres uma passadeira ou bicicleta ainda melhor. Uma boa técnica é ligares o YouTube e pesquisares por aulas de fitness como por exemplo "Tabata". Depois é tentares seguir o ritmo dos instrutores! Se gostas de musculação e tens espaço então podes montar um mini ginásio. Vê este artigo onde te falo de como montar um mini ginásio sem que isso te leve à falência :).

 

E é tudo, uma quarentena não tem que ser o fim do mundo, aproveita-a da melhor maneira e lembra-te que as situações menos boas servem para nos ir tornando cada vez mais fortes.

 

Até à próxima

 

09
Mar20

A melhor defesa para o corona vírus

Luís Rito

Olá :)

 

Se não tens estado debaixo de uma rocha nos últimos meses, já sabes que o mundo atravessa uma fase de grande preocupação devido ao corona vírus (covid-19). Tudo isto começou na China mas rapidamente alastrou por todo o mundo. Apesar de estar obviamente preocupado com o tema, considero que as pessoas se encontram num estado de alerta demasiado elevado, principalmente as que são saudáveis e que têm um sistema imunitário forte. Passo a explicar, o corona vírus propaga-se de forma muito semelhante a uma gripe comum, e os sintomas são inclusive muito parecidos. Claro que ao dia de hoje o vírus já matou muitas pessoas, mas até nisso a gripe leva vantagem porque mata anualmente em números muito superiores. Repara, quando apanhas uma gripe não existe nenhum medicamento que a cure, o que existem são fármacos que ajudam com os seus sintomas. Na realidade, o que mata uma gripe é o teu sistema imunitário, e é por isso que em pessoas mais debilitadas este vírus pode mesmo ser fatal. Todo este alarmismo com o corona vírus vai ajudar um grupo restrito de empresas a fazer biliões com b! As grandes farmacêuticas vão ganhar muito muito dinheiro, bem como qualquer tipo de empresas com produtos ligados a desinfeção ou máscaras de proteção.

 

Claro que agora podes argumentar e dizer, ah mas o vírus propagou-se tanto pelo mundo fora. Certo, se pensares bem todos nós estamos infetados com algum tipo de vírus, uns mais prejudiciais que outros, mas é algo que ninguém escapa (a menos que viva 24h dentro de uma sala esterilizada). Se fizéssemos neste momento um mapa da propagação da gripe pelo mundo iríamos assustar-nos com o resultado. Todos os anos milhões de pessoas apanham gripe e até agora ninguém andava na rua com máscaras. Neste momento o tema mais preocupante é mesmo o covid-19 ser um vírus novo para a humanidade, como tal ainda não temos defesas no nosso organismo. Mas se olhares para as estatísticas, o número de pessoas que recuperam é largamente superior ao número de mortes (que está abaixo dos 3%). Não sou médico nem nada que se pareça, mas neste momento parece-me que o mais lógico é mesmo tentarmos fortalecer o nosso sistema imunitário, parece-me algo mais útil e sustentado que andar de máscara pela rua.

 

covid-19

 

Abaixo deixo-te algumas dicas do que deves fazer para fortalecer o teu sistema imunitário. Investe na tua saúde, se tiveres um sistema imunitário forte não tens que temer o corona vírus, já que certamente vais recuperar dele. Curioso para saber o que podes fazer? Confere abaixo.

 

1. Comer vegetais diariamente

 

Os vegetais estão cheios de coisas boas como vitamina C que vão ajudar o teu sistema imunitário a ficar à prova de bala. Deves sempre tentar que as tuas refeições tenham vegetais. Por exemplo bróculos são extremamente ricos em vitamina C, vitamina E, magnésio, cálcio, fósforo e todo um conjunto de minerais e fibras. E como se não bastasse, têm um nível calórico muito baixo, portanto podes comê-los em grande quantidade. Para obteres o melhor dos bróculos deves cozinhá-los muito pouco ou mesmo comê-los crus.

 

2. Obter vitamina D

 

Existem estudos que defendem que um nível baixo de vitamina D faz enfraquecer o teu sistema imunitário. Deves portanto ter especial atenção a esta vitamina. Para a obteres, deves tentar estar exposto a luz solar durante 15 a 20m por dia e comer alimentos ricos nesta vitamina como ovos, cogumelos, salmão, atum, sardinhas entre outros. Ainda que comas muitos alimentos ricos em vitamina D, é recomendada exposição solar, já que apenas com alimentos terás dificuldade em chegar aos níveis recomendados. Podes ainda utilizar suplementos de vitamina D.

 

3. Fazer exercício físico

 

O exercício físico (desde que não seja em excesso), irá ajudar-te a fortalecer o teu sistema imunitário. Muitos estudos defendem que ajuda a reduzir inflamações no corpo e tem ainda o bónus de reduzir o stress, que é um dos grandes fatores para não andares bem fisicamente (explico melhor à frente).

 

4. Dormir e descansar bem

 

Decerto já reparaste que quando descansas pouco o teu sistema imunitário anda mais fraco e contrais mais facilmente gripes ou constipações. É por isso que não deves facilitar neste ponto. O descanso é de extrema importância, seja na prevenção seja na cura de uma doença. Teres bons hábitos de sono como por exemplo ires dormir sempre à mesma hora e descansares pelo menos 7h-8h vão ajudar-te a resistir a este tipo de vírus.

 

5. Relaxa e não stresses

 

Sempre que estás com muito stress, o teu corpo liberta uma hormona chamada cortisol. Esta hormona é utilizada pelo nosso organismo para combater inflamações e doenças, contudo ao estares sempre em stress, o teu organismo vai libertar constantemente cortisol, pelo que quando tiveres de facto uma doença a sua ação será bem mais fraca, já que o organismo está habituado a recebê-la de forma constante. Isso vai resultar num sistema imunitário mais débil.

 

6. Bebe chá verde

 

Desde sempre que o chá verde é associado a boa saúde. Isso deve-se ao facto de ser extremamente rico em antioxidantes e ajudar a retardar o envelhecimento celular, evitar doenças cardiovasculares, combater o colesterol, etc. Por ser rico em vitamina C, K, B1, B2, potássio e ácido fólico, torna-o excelente para o fortalecimento do sistema imunitário.

 

E é tudo, manteres hábitos saudáveis é um investimento que fazes em ti, e vai-te ajudar para toda a vida. Para além de estares mais em forma também te vai ajudar a resistir a vírus como o covid-19.

 

Até à próxima :)

 

 

22
Jan20

O teu melhor investimento é em ti próprio

Luís Rito

Olá a tod@s!

 

Hoje quero falar-vos um pouco sobre investimentos. Contudo hoje não falamos de finanças, mas sim investimento pessoal. Pois é, o investimento com maior ROI ainda é o investimento em ti próprio. Duvidas? Vamos então mergulhar um pouco mais no tema.

 

Já pensaste como algumas pessoas conseguem sempre retirar o melhor da vida? Aparentam estar felizes no dia-a-dia, conseguem os bons empregos, são respeitados e ouvidos, etc etc? Na grande maioria das vezes isso não é coincidência. Muitas dessas pessoas embarcaram numa viagem de auto-melhoramento constante, que lhes permitiu chegar até onde se encontram. Não sei quanto a vocês, mas algo que me irrita é alguém culpar sempre meio mundo por não ter sucesso ou por não ter sorte, e nunca parar para pensar que o problema pode ser a própria pessoa. Existem legiões de pessoas pelo mundo fora que carregam sempre uma nuvem negra e trovejante por cima da cabeça, e como se não bastasse prejudicarem-se a si mesmos, ainda tentar transmitir alguma dessa energia negativa aos outros. Como se fosse mais fácil lidar com os seus problemas se outros também os tiverem.

 

Eu também já fui a pessoa que culpava o universo pelos meus problemas, mas adivinhem onde isso me levou? Acertaste, a lado nenhum. Não adianta culpares o teu chefe, a tua empresa ou o teu deus sobre os percalços que te acontecem. Apenas tu tens o poder de mudar e moldar a tua vida como bem o entenderes, e tudo começa por aceitares que és o único responsável por tomar as rédeas de tudo o que a ti diz respeito. Dou-te alguns exemplos, tenta mudar de...para:

 

De: "A minha empresa é uma ingrata, dou tudo no meu dia-a-dia e não sou reconhecido, não sou aumentado e o meu trabalho não me desafia"

Para: "Se estou nesta empresa é porque quero, a responsabilidade é minha. Posso sair e procurar novas oportunidades que me satisfaçam mais. Se não tenho conhecimentos suficientes vou investir 2h do meu dia a estudar e aprender novas competências que me abram novas portas"

 

De: "Fiquei muito desiludido com aquela pessoa, foi muito ingrata para mim"

Para: "Se fiquei desiludido foi porque coloquei expectativas em algo que não devia. Não cries expectativas demasiado elevadas nas pessoas. Se não gostaste de determinada atitude fala com essa pessoa e refere isso mesmo. Caso esta não compreenda, tens ainda a opção de te afastares e escolheres não ligar ao assunto"

 

De: "Tirei um curso e não encontro trabalho na minha área, estou à vários meses em casa, tenho tanto azar"

Para: "Se não encontro trabalho então o mercado está à procura de algo que não tenho. Há que descobrir o que é! Como o posso aprender? Vou transformar a procura de emprego no meu próprio emprego e investir várias horas por dia. Vou escrever artigos sobre a minha área, vou contactar profissionais experientes via LinkedIn, vou enviar CV´s e tentar ir ao máximo de entrevistas possível para descobrir o que o mercado exige. Se não existem propostas de emprego na minha área então estou na área errada, vou aprender algo novo, ainda que um pouco afastado da minha formação"

 

Personal Growth

 

Acho que já percebeste a ideia. É por isso que é tão importante investires constantemente em ti. Se o fizeres vais ganhar confiança nas tuas capacidades e vais chegar à conclusão que apenas te cabe a ti definir o melhor rumo para a tua vida. Como podes investir em ti mesmo? Experimenta algumas ideias que te coloco abaixo:

 

Ler muito

 

Tenta ler todos os dias. Pessoas que lêem muito têm bastantes mais ideias e são mais criativas do que pessoas que não o fazem. Um livro não é mais que um legado que o autor deixa ao mundo, e em que muitas vezes coloca dezenas de anos de experiência numas quantas páginas que estão ao teu alcance. Um livro pode ser um mentor, e pode ajudar-te a não cometer os mesmos erros que o seu autor. Em suma, pode poupar-me imenso tempo e dores de cabeça. Arranja pelo menos 30m do teu dia para ler, podes fazê-lo antes de ires dormir, na tua hora de almoço ou enquanto esperas ou viajas de transportes públicos. Se utilizas muito o automóvel, escolhe antes audiobooks.

 

Definir objetivos

 

Imagina uma viagem de avião sem um plano de vôo. Como saberia o piloto para onde se dirigir? Poderia andar horas em círculos ou poderia dirigir-se para um sítio completamento oposto ao seu objetivo. Na nossa vida acontece o mesmo. Deves definir objetivos muito claros para diversas áreas da tua vida, como por exemplo, traçar um plano de finanças pessoais, um plano de carreira, um plano de estudos se estiveres a tirar um curso, um plano de alimentação e exercício se estiveres a tentar manter-te em forma, etc. Sem um plano vais andar à deriva e não vais conseguir efetuar medições periódicas que te indiquem se estás ou não em linha com os teus objetivos. Não descures este ponto, é muito importante.

 

Cuidar da tua saúde

 

Quase não vale a pena explicar este ponto. Todos sabemos que a nossa saúde é das coisas, senão a coisa mais importante que temos. Por vezes fico pasmado com pessoas que compram a comida mais cara para o seu cão ou gato mas depois alimentam-se de porcarias. É tão irracional que não tem explicação. Não facilites, alimenta-te de forma saudável e pratica exercício de forma regular, é dos melhores investimentos que podes fazer por ti.

 

Escolhe ser feliz

 

Por fim, escolhe ser feliz. Não andes com uma nuvem negra por cima da tua cabeça, tenta ver o lado positivo das coisas. Se existe algo na tua vida que não gostas tenta mudá-la, és o único responsável por fazê-lo. Não culpes os outros pela tua infelicidade, e nunca descarregues em cima de pessoas que não têm qualquer culpa de estares nessa situação. Escolhe sorrir todos os dias, uma pessoa que sorri tem muito mais probabilidade de receber sorrisos de volta :).

 

E tu, também investes em ti? Deixa-me um comentário sobre isso.

 

Até à próxima

 

 

 

22
Dez19

Áreas estratégicas das empresas do século XXI

Luís Rito

Olá a todos :)

 

Hoje vamos abordar o que considero serem duas das áreas mais importantes de uma empresa do século XXI. Decerto já não é novidade para ninguém que o ritmo de mudança nos últimos anos tem sido infernal. Muitas empresas que falharam em incorporar essa mudança na sua estrutura estão a ter dificuldades no seu dia a dia. É uma realidade que em algumas indústrias a mudança tem chegado mais devagar do que noutras, por exemplo, uma empresa cuja base é vender energia (petrolíferas e afins) não necessita de um ritmo de mudança tão elevado como por exemplo o setor das viagens ou da banca. Grandes empresas com vários anos de existência estão a ser desafiadas por pequenas startups, que devido à sua grande agilidade conseguem implementar soluções com uma rapidez muito superior às empresas já estabelecidas com estruturas pesadas. Ora, se analisarmos bem, uma das grandes vantagens de uma startup é o seu elevado foco no cliente, a par com a disponibilização de processos e de soluções informáticas de alta qualidade. É por isso que considero que a grande maioria das empresas, apesar do seu core não ser IT, tem forçosamente que ser muito boa em IT.

 

É vital para a sobrevivência de qualquer empresa ter competências muito elevadas em IT. Diariamente todas as empresas acumulam gigabytes de dados, que quando devidamente trabalhados e interpretados dão origem a informação, que posteriormente se transforma em conhecimento. As maiores empresas do mundo apostam exatamente nisso, existem muitos casos em que na sua estrutura o diretor de IT já reporta diretamente ao CEO. É esta a importância que as empresas têm que dar ao seu IT, já que quando funciona bem permite alavancar em muito os lucros da empresa. Dou um exemplo muito simples, sou cliente da Amazon à vários anos. Por vezes recebo um email onde me é dito que livros me poderão interessar, ou de acordo com o que comprei, o que outras pessoas compraram, e acreditem que muitas vezes acabo a comprar essas sugestões. Multipliquem isto por milhares de clientes e podem imaginar os milhões que a Amazon encaixa graças a um tratamento inteligente dos dados que já dispõe.

 

Claro que para existir um bom IT, é necessário ter pessoas à altura, e é aqui que entra outra área que considero estratégica, os RH. Um bom departamento de RH recebe diretrizes da gestão de topo e contrata pessoas que se encaixem nesse perfil. Se a empresa quer uma empresa ágil, onde se valorize o trabalho em equipa e onde existam poucas hierarquias, não pode recrutar pessoas que não se encaixem nessa visão. Quando um líder idealiza uma estratégia a 3 ou 5 anos, certamente já sabe que tipo de pessoas vai necessitar. É por isso que se deve começar a contratar muito antes do tempo, para que as pessoas possam ir conhecendo o negócio, a organização e para terem tempo para construir. Dou um exemplo, se uma empresa definir que quer implementar uma estratégia de dados em 3 anos, diria que no final do primeiro já deve estar a pensar em contratar pessoas com a capacidade de fazer acontecer essa estratégia. Por vezes cai-se no erro de promover pessoas internas que não têm o perfil indicado, e isso raramente irá resultar em mudança. Não digo que promover internamente é mau, mas deve-se escolher apenas pessoas que façam um bom fit com as funções exigidas.

 

Equipa

 

A verdadeira agilidade que vemos em algumas empresas não advém do software ou dos processos que utilizam. Continuo a achar que o que traz verdadeira agilidade são as pessoas que fazem parte das equipas. Pessoas com um perfil empreendedor, que gostam de deixar a sua marca na empresa e de construir para melhorar são e serão sempre uma mais valia em qualquer empresa. É portanto necessário conseguir recrutá-las, e acima de tudo conseguir mantê-las motivadas no seu trabalho. Um dos fatores que continua a ser de grande importância para qualquer colaborador é a sua chefia, motivo pelo qual a camada de gestão de qualquer empresa deve ser do melhor que existe no mercado. É por isso que se devem continuar a realizar sessões de liderança e gestão, ou promover sessões de coaching entre gestores mais séniores e gestores mais júniores. Se a empresa tem uma excelente camada de gestão, as equipas lideradas por essas pessoas vão andar mais motivadas e mais tranquilas, o que resulta num aumento de produtividade e inovação. Uma boa chefia também tem a capacidade de desafiar as suas equipas de uma forma positiva, o que as vai levar a alcançar novos níveis de performance.

 

Está tudo interligado, se queres que a empresa tenha vantagens competitivas relativamente a outra, é nas pessoas que deves investir. São as pessoas que vão acrescentar o fator diferenciador e que vão catapultar a empresa para outros níveis. Resumindo, investe em processos de recrutamento, investe em liderança, investe em manter as pessoas satisfeitas, dá-lhes autonomia para realizar o seu trabalho e construir ao máximo com o mínimo de burocracia e vais ter colaboradores satisfeitos. Colaboradores satisfeitos vão atrair ainda mais talento para as fileiras da empresa, o que vai resultar em melhores processos e maior agilidade no desenvolvimento de soluções, que consequentemente irá levar a mais valor para os clientes da empresa (e portanto mais lucros). Finalmente, investe muito em IT, o futuro passa por aí, um bom IT vai-te permitir reduzir custos, aumentar o negócio e ter um conjunto de informação que vai suportar grande parte das decisões da empresa. Contra factos não há argumentos, e quando existem dados a tomada de decisão é bem mais fácil.

 

Por hoje é tudo, espero que tenhas gostado. Aproveito para desejar um bom Natal a todos, junto de quem mais gostam 

 

Até à próxima

 

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